quinta-feira, junho 29, 2006

"Uma noite pelo menos..."

Estarei ausente até 10 de Julho.
Até lá deixo-vos com um poema que, em boa medida, diz do espírito deste blog (passe a presunção). O poeta é David Mourão Ferreira, a quem presto homenagem...


“Uma noite por ano   Uma noite pelo menos
assaltemos o céu e a Lua aprisionemos
Uma noite   Uma noite   Uma noite pelo menos

“Armas   Algemas   Cães   O que for necessário
Tragam-na dentro dum foguetão celular
E mantenham-na presa uma noite pelo menos

“Interroguem então a prisioneira Lua
Não lhe poupem o corpo a nenhuma tortura
Uma noite por ano   Uma noite pelo menos

“Veremos se confessa o que nem nós sabemos
Chicoteiem-lhe o peito   E fustiguem-lhe o ventre
Deixem-na toda em sangue uma noite pelo menos

“É preciso que saiba os recursos que temos
É preciso que aprenda   É preciso que a prendam
uma noite por ano   Uma noite pelo menos ... “



Grato pela vossa presença amiga!

16 comentários:

hfm disse...

Gostei do que aqui encontrei. Voltarei.

alice disse...

boa tarde, herético

deveras sensibilizada com o teu comentário, vim retribuir a tua amável visita e aproveito para te desejar umas óptimas férias

agradeço as tuas palavras

um beijinho

alice

Maria P. disse...

Nada melhor para espelhar a elevação deste blog, do que o presente poema de tão nobre autor.

Bom descanso, aguardarei o regresso.

Um beijinho.

JPD disse...

Fizeste bem, amigo.
Haverá melhor coisa do que começar ou acabar (interromper) com DMF?
Como escreves poesia com muita qualidade, meritória haveria de ser a escolha.
Um abraço

OrCa disse...

Hoje, aqui, eu sou Jorge. E sou-o para te dizer o quanto me apraz terçar armas contigo do mesmo lado da barricada... um pouco tentando que o nosso leve alento contrarie a "burricada".

O David, então, assenta neste espaço como uma luva: da sensualidade do mistério semi-desvendado à grandeza da palavra como grito.

Um abraço e bons tempo e espaço de respiração.

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Desejo um regresso rápido, pois sentirei falta de tuas palavras.
Adorei o poema que nos deixaste. Gostaria que fosse não só a imagem de teu blog, mas de todos nós.

Licínia Quitério disse...

Para louvar a qualidade e a sensibilidade que tens partilhado connosco. E desejar-te o repouso merecido. Mas não nos esqueças!
Beijo.
Licínia

lique disse...

E é assim? Deixas-nos um belíssimo poema de David Mourão Ferreira e vais-te embora? :)
Bom descanso e volta logo, que os teus leitores vão sentir-te a falta.
Beijos

Peter disse...

O DMF é o "poeta do amor", que punha à roda as cabecinhas das meninas da FLL "illo tempore".

Não conhecia este poema, aliás aqui aprende-se sempre algo.

Umas Boas Férias!!!!!!!!!

LibeLua disse...

Ora, caríssimo herético, agora que arranjo um bocadinho para vir ler as tuas preciosas e lúcidas heresias, encontro-te em férias! Não importa. Ficaram cá as tuas palavras. E eu vou ficar por aqui a ler-te. O poema do David Mourão-Ferreira? Não podias ter encontrado outro que melhor ilustrasse a tua (nossa)acção pela palavra. Boas férias e até breve!

DIAFRAGMA disse...

Se forem férias, que descanses e te distraias. (A melhor distração é um desvio da atenção.)
Se for trabalho, que te renda!

Nilson Barcelli disse...

Mas afinal vais precisar mais que uma noite? Logo umas 10 por atacado...

Não conhecia o poema, é magistral.

Uma boa ausência e um regresso em força, com os teus gritos a que nos já habituaste.

Abraço.

OvelhaNegra disse...

Partes, deixando no ar um travo doce das tuas letras.Nem mais, nem menos que as do «David».
Percebo-te. Não quiseste ir de férias sem nos deixares um belo presente e um «Até já...» afectuoso. Sorrio.
Excelentes dias de férias. Esperamos-te...na volta.

Um sorriso
Um beijo*

jorgesteves disse...

Mourão Ferreira é um belissimo e exemplar interlúdio. Aqui.
Proveitoso remanso, amigo!

abraço,
jorgesteves

batista filho disse...

Ancorados nessa lua que tomamos de assalto, "seja por uma noite... pelo menos", ficamos aguardando o teu regresso.

Um abraço fraterno.

Anónimo disse...

abraço.

:)



até.



sempre.



(piano)