quinta-feira, fevereiro 22, 2007

"OPAS há muitas, ó palerma!..."

Como se sabe, Malthus advogou o princípio de que os “mais fortes devoram os mais fracos”. Aliás, na cruel a selecção das espécies, também as teorias de Darwin assentam em tal pressuposto. Sabemos, hoje, porém, que nem a natureza, nem a história funcionam nesse modelo mecânico e determinista. Pelo contrário, os modelos de retroacção (negativa e positiva), oriundos da informática e da cibernética, são hoje bem mais adequados ao conhecimento da natureza e da sociedade.

No entanto, o modelo malthusiano do mais forte devorar o mais fraco, enforma ainda hoje o pensamento da economia liberal e dos nossos fundamentalistas do mercado, que, nesta como em outras matérias, levam mais longe ainda as consequências de semelhante pensamento.

Assim, neste contexto, não posso deixar de considerar intrigante que, na badalada OPA da Sonae sobre a PT, sejam os dados da equação invertidos. Ou seja: a Sonae, o grupo menos forte, a pretender engolir o colosso Portugal Telecom. A menos que o senhor Belmiro de Azevedo seja, no caso, apenas testa de ferro (e o seu grupo económico mero instrumento) de capitais estrangeiros, sobretudo, espanhóis e franceses, interessados no desmantelamento da Portugal Telecom...

Desde logo, do Banco Santander, financiador da operação, no montante de milhares de milhões de euros; mas, também, da Telefónica - poderosa empresa espanhola de telecomunicações - e a France Telecom associada à Sonae do senhor Belmiro de Azevedo. Claro, que na operação todos ficarão a ganhar. Duvidoso é, porém, que seja o País a ganhar seja o que for...

De facto, o grupo Portugal Telecom, enquanto tal, tem a morte anunciada para saldar a colossal dívida, decorrente da OPA. Aliás, conforme declarações dos interessados, já se distribuem os “salvados”: a Sonae, em parceria com a France Telecom, pode integrar a Optimus e a TMN e controlar a TV-Cabo; para a Telefónica espanhola a totalidade do capital da “Vivo”, no Brasil, o que lhe proporciona condições de alargar a sua influência para toda a América Latina; a France Telecom, que ficará com a PT- Comunicações e, através dela, com a possibilidade de alargar os seus interesses em África. E, claro, para o banco Santander, os fabulosos lucros de toda a operação...

No entanto, sobre o essencial da questão, o Governo, não soltou sequer um balido. Que se tenha notado, apenas o lavar de mãos e a declaração de “deixar funcionar o mercado”. E, está claro, a pressão sobre as entidades reguladoras, que intervêm no processo, com o óbvio aplauso do senhor Azevedo, da Sonae.

Mas terá que ser assim, pergunto-me. Com os meios que detém, quer através da propalada “golden share”, quer mediante a participação da Caixa Geral de Depósitos, será – pergunto – que o Governo pode lavar a mãos?!...

Fora o episódio desta OPA passado em Espanha, ou em França, e não tenho dúvidas que os respectivos governos não se colocariam à margem. É que por lá, pesem embora as mesmas “regras do mercado”, que o senhor Sócrates invoca, perdura o sentido do interesse nacional e não são bacocas expressões de fundamentalismo liberal que vão iludir o “patriotismo económico”, que todos os governos devem aos respectivos países.

Por exemplo, em França, por ocasião do lançamento da OPA sobre a Portugal Telecom, a empresa italiana Enel pretendeu lançar também uma OPA sobre a empresa francesa Suez. O primeiro-ministro de França não hesitou em lembrar ao seu homólogo italiano que tal intenção seria “um ataque contra a França” e apressou-se a promover a fusão do grupo privado Suez com a empresa pública Gaz de France (GDF), de forma liquidar a pretensão dos italianos. Em consequência, a GDF, detida pelo Estado francês em 80,2% do seu capital, é segundo operador europeu, no sector do gás.

Mas também em Madrid, o “patriotismo económico” funciona. Na mesma semana do episódio francês, em Fevereiro de 2006, Zapatero reagiu de forma idêntica perante à anunciada aquisição, por parte da empresa alemã E.ON, de 30% do capital da espanhola Endesa, o maior operador espanhol no sector da electricidade.

Saindo em defesa do interesse nacional, o chefe do Governo espanhol foi peremptório a afirmar que “num sector tão estratégico como o da energia é do interesse geral do país possuir uma empresa espanhola” e, sem meias medidas, ameaçou limitar direito de voto do operador estrangeiro apenas a 5%. Apesar do sobreolho franzido de Bruxelas...

Porquê será diferente em Portugal?!...

Como se vê OPAS há muitas! Tal e qual como os chapéus... Alguns nem chegam a ser usados. Outros não passam de um “barrete”, que nos pretendem enfiar...

29 comentários:

Peter disse...

"Porquê será diferente em Portugal?!..."

Sim, porquê?

Porquê após um Grupo de poderosos financeiros, ainda no tempo do Jorge Sampaio, lhe terem ido pedir medidas de protecção contra a invasão dos capitais espanhois e pouco tempo depois, uma dessas pessoas se ter apressado a vender aos espanhois?

Excelente a análise financeira (embora eu não seja economista) em especial a partilha do cadáver da PT.

Jofre Alves disse...

Quando abri o blogue, não pude deixar de sorrir, por analogia com a famosa e sonora frase: «chapéus há muitos, seu palerma». E isto faz-me lembrar que palermas continuam a serem muitos. Como sempre foi interessante visitar e apreciar o seu blogue. Óptimo fim-de-semana.

Maria disse...

Um sorriso... apenas...
parece que barretes e chapéus é connosco. A PT já foi...
Bom fds

Diafragma disse...

Ora bem, desta vez venho discordar, para variar!

Em 1º lugar é necessário compreender as razões por detrás desta OPA. Sem entrar em pormenores, ela é consequência de um atrofiamento permanente da PT sobre a TODA concorrência, aproveitando ter a faca e o queijo na mão. O Belmiro (prefiro a "senhor Belmiro") que sempre foi um lutador e, ao contrário dos outros sempre arriscou o que era dele, não quis ter o mesmo destino de todas as outras congéneres, que sucessivamente foram sendo trucidadas. A OPA foi a saída.

Em 2º lugar: Se há área onde as empresas se comem umas às outras há mais de 20 anos é a das Telecoms. A nossa sempre conseguiu escapar às intenções óbvias da Telefónica e F.Telecom por causa das Golden Share e da Blindagem, duas aberrações muito nossas que já muitos Governos anteriores pensaram em retirar. Há para aí uma dezena de anos que a Comissão anda a ameaçar fazê-lo à força, pois vêm contra todas as regras de concorrência acordadas. E ser membro do clube da Europa não é só ir lá buscar dinheiro. Tem obrigações também.
Assim sendo, é perfeitamente natural e legítimo que ambas aplaudam a operação, embora neste momento até apostasse em como a F.Telecom não está interessada.

Agora o "retalho".
Esta "distribuição de despojos" há muito anunciada por quem tem mais medo da OPA, o BES, não faz sentido pelas seguintes razões:
A TV Cabo é um molho de bróculos que não interessa a ninguém, sobretudo depois da SONAE ter criado TV Digital sobre a vulgar linha telefónica, com mais qualidade e menor custo. Refira-se mais uma vez que não foi a PT que o fez, apesar de ter os brutais lucros e todos os meios para isso. Até a Cabo Verde Telecom já tem esse serviço!, mas a PT não arriscou.
A PT Comunicações é dona do único negócio morto em todo o mundo. O telefone fixo. É a última coisa que interessa seja a quem for, e muito menos à F.Telecom.
No Brasil, a Vivo, tanto quanto se lê em todos os relatórios continua a dar prejuízos, tanto quanto é referido por usar uma tecnologia que não "encaixa" com as existentes. Quem lá se meter vai ter de gastar milhões, e daí penso eu, o Belmiro não estar interessado.

A Espanha: A e-ON comprou 51% e não 30% da Endesa, jóia da coroa espanhola. Isto porque a Endesa não tinha nem Blindagem de estatutos nem golden share. O sr. Zapatero limitou-se a fazer o discurso inflamado interno habitual mas nada pôde fazer.

Para terminar apenas um comentário. O nosso país tomou compromissos com a Comissão Europeia que nos trouxe rios de dinheiro e inúmeras vantagens. Custa-me a compreender que se pense que quando as coisas são chatas para nós nos podemos descarta-las.
Custa-me ainda compreender que nunca ninguém se tenha queixado de ter estado a pagar os altos preços, assinaturas (!) e nalguns casos a falta de qualidade dos serviços da PT. E a badalada inovação na PT??
Foi a Sonae e não a PT que iniciou o serviço mais avançado de acesso à Internet, o ADSL. E fê-lo à sua custa apesar de todas as pressões da PT, que depois não teve outro remédio senão ir atrás.
A TELE-2 sueca instalou-se cá para oferecer o mesmo serviço da telefone fixo, exactamente por metade do preço da PT, e agora também o acesso à Internet. E alguém pensa que os suecos estão a perder donheiro?
Com a excepção da TMN, essa sim jóia do grupo, a inovação foi quase sempre feita à força por causa da Sonae, Tele-2 etc. e os preços da PT só baixaram pela mesma razão.

herético disse...

Meu caro Ségio,

o teu "discurso" em defesa da OPA é (quase) tão inflamado como o do Zapatero em defesa dos interesses do seu País, no processo da Endesa ... rss

a ver vamos, como diz o cego!...

grato pelos elementos que trazes à discussão.

Um abraço

Diafragma disse...

Ohhh... já não fui a tempo! :))

Eu ia acrescentar 2 coisas:
1) não trabalho para a PT, nem para a Sonae nem para nenhuma empresa concorrente.
2) Ao contrário do que se possa pensar, não estou minimamente a favor nem contra a OPA, estou completamente neutro.
Limitei-me a fazer uma análise fria e desapaixonada dos factos que vejo.

Alguma vez havíamos de estar em desacordo!
Abração

hfm disse...

Eu disto não percebo nada o que sei é que a PT tem de mudar e muito... o seu serviço é incrivelmente mau. Se o Belmiro desse uma maozinha eu até gostava!

vida de vidro disse...

Bem, bem... desta vez temos dois posts pelo preço de um! :)) E eu, que não percebo nada de economia, acho que o herético tem a razão histórica e ideológica que nos faz recusar esta desenfreada corrida ao lucro, este esquecer da existência de valores e interesses nacionais, para lá da concorrência e do "deixar o mercado funcionar". Mas o Sérgio tem também razão em dois pontos: o proteccionismo é contra todas as regras europeias e, se estamos lá, é para o bem e para o mal e a PT presta, de uma forma geral, um péssimo serviço. Se a OPA muda isso ou não, já não sei!
Por isso, fico a pensar nos vossos argumentos. :)**

Vlad disse...

Os vulgares mortais e utilizadores, que não entendem (como eu) parte da linguagem e da lógica presente nesse pantâno dos altos negócios sabem pelo menos que a PT os tem explorado e cobrado valores que não correspondem minimamente à qualidade dos serviços (muitas vezes nem serviços são, como o caso da assinatura) e que não têm grande esperança que isso termine com a patrão da SONAE (esse grande filantropo)a tomar conta do assunto.
;)
Abraço

Anónimo disse...

OPAS???????????


hum hum...claro que há. muitas. é uma questão de saber "jogar"...

__________________



beijo.


glicínico....:))))



Piano.

Frioleiras disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Frioleiras disse...

E ... palmas
(? ! ...) ao Diafragma ...

Frioleiras disse...

esqueci-me de dizer ...

não gosto nada,
mesmo nada...
do Sr Belmiro ...

Frioleiras disse...

Caro Herético ...
É sp um prazer
ler-te
uma fuga
grande
às minhas
grandes frivolidades !

António Melenas disse...

Confesso que nesta manigâncias de golpes e contra-golpes, de opas e contra-opas não percebo nada. Só sei que por trás deste jogo de ratos, todos a quererem apoderar-se e partilhar o saboroso queijo que é a PT, há uma matilha esfomeada e que do negócio o popvo português só pode sair (ainda mais) prejudicado. Aliás, tanto quanto julgo saber o capital para a compra da PT nem sequer é da SONAE, mas de uns sete ou oito Bancos. alguns dos quais estrangeiros.
è caso para dizer esfolai-vos uns aos outros e ide para o diabo que vos carregue.
Um abraço para ti

achama disse...

Bom fim de semana.

Licínia Quitério disse...

Lamento, mas não tenho competência para opinar sobre este assunto, embora me desperte muita curiosidade.
Aqui é um lugar de debate onde muito se aprende.

Bom fim de semana.

PR disse...

Bfsemana, abraço.

Nilson Barcelli disse...

Aparentemente, queres sol na eira e chuva no nabal...
Há regras para o mercado e esta OPA, que afinal parece condenada ao fracasso, foi feita dentro dessas regras.
Não me lembro se já alguma vez abordaste a temática do investimento estrangeiro. Falo nisto porque há muita gente a querê-lo e depois a arrepiar-se todo quando desse investimento resulta a absorção de empresas portuguesas.
Um bom fim-de-semana.
Abraço.

Klatuu o embuçado disse...

E o zé povinho não vende... JAJAJAJA!!! tá a ser giro! O Belmiro já deve andar de caganeira!

Abraço.

herético disse...

Meu caro Nilson,

"sol na eira e chuva no nabal?!" nem pensar...

quero apenas esta coisa simples: que o poder económico não domine o poder político...

quanto ao investimento externo, bah!...

há de tudo, bom e mau!... investimento "beduíno" que levanta a tenda depois de sugar milhões em estimulos e benefícios fiscais, deixando para trás legiões de desempregados?!...

o célebre caso da Opel da Azambuja aí está, eloquente...

abraço. grato.

PR disse...

Boa semana, abraço,

Maria P. disse...

Excelentes analises tive o prazer de ler hoje aqui.

Boa semana*

JPD disse...

Olá

Acho esta edição excelente.

Comentários:

1/ Numa entrevista à Judite de Sousa, o presidente da PT comparou a Golden Share do Governo com as posições e inetresses dos governos francês, inglês, alemão, etc nas respectivas congéneres da PT para reforçar a ideia que a iniciativa da Sonae era hostil e não considerava o interesse de preservar o centro de decisão nacional.
O Governo tem estado calado e vai continuar nessa postura.

2/ A revisão de preço da oferta da Sonae provavelmente ainda é insuficiente para alterar a disposição dos accionistas. Se se confirmar a derrota da sua proposta, ficará inibida de repetir a OPA num determinado periodo, um ano presumo. Estará a PT incólume a outra iniciativa?

3/ A conversa dos centros de decisão nacionais parece-me deslocada num quadro de globalização. Há proteccionismos mais ou menos disfarçados e há sobretudo interesses negociais. è isso que me parece que a Sonae está a tentar aliando-se à France Telecom e ao Santander e o Governo português ao grupo de accionistas que defenderá a PT da hostilidade da OPA por verem nisso interesses muito tangíveis. A reestruturação da empresa o desaparecimento de 60 e tal administradores são contributos importantes.

Um abraço

isabel mendes ferreira disse...

:)))))))))))))))))))))


________________

mas é muito mas útil.

a informação e o humor...


daqui.



beijossssssssssssssss.

Nokitas disse...

te invito a pasar por este blog: LUSO

http://www.lusoprosecontras.blogspot.com/


kiss

Cris disse...

Não comento! Passa lá por Terra, só para veres quem nasceu... a minha poldrinha....

Beijinhos

Cris

OrCa disse...

Partindo do princípio de que, entre um Belmiro e um "PT" qualquer, venha o diabo e escolha - na perspectiva de se advogar o tal primado do poder político sobre o económico... - sobressai, para mim, a ideia de que este suposto "mercado livre" dos artistas que vemos em palco é, em boa verdade, uma grandíssima treta.

Já nem sei bem localizar a antigamente chamada burguesia preocupada com o interesse nacional.

Não será despiciendo olhar para as "caves" do empório criado pelo senhor Belmiro e apurar os incontáveis exércitos de escravos modernos que fazem funcionar esse ímpério. Quando se fala da desregulamentação do mercado do trabalho, há que estar bem atento às tropelias que estes empresários da tanga fazem à legislação em vigor, com o beneplácito cúmplice (e interessado) dos sucessivos governos do centrão.

Tudo isto não vem muito ao caso? Vem, vem! É que não sou capaz de olhar para um qualquer Belmiro sem me lembrar das belmiradas que ele perpetra (e a bem da sua bolsa, que não a bem do país), donde não me inspirar confiança nenhuma esta OPA tão abnegada e sofrida.

Os estados "esquecem-se" com frequência daquilo que soe considerar-se os sectores estratégicos de um país - e, afinal, dos seus serviços públicos - alienando-os aos privados a troco dos pratos de lentilhas com que iludem os respectivos défices.

De quando em vez, emendam a mão, ou porque a situação se torna demasiado escandalosa e por demais geradora de conflitualidade social, ou porque assumem que o poder é o poder, qual Marquês à caça dos Távoras, jogando então com conflitos de interesses para abichar por decreto o que ontem alienaram em (boas?) acções...

Só que para isso são necessários atributos - que alguns estudiosos da matéria têm vindo a localizar entre as pernas - mas de que nem todos os políticos são dotados, hélas!

Bem... este discurso algo anarca, reconheço, apenas para entrar no barco daqueles que, olhando para estas manobras do inefável capital, as observam atentos, mas relativamente pouco interessados.

O que sair disto, a haver mudanças, não nos será favorável. O que ficar, o mais certo é também não.

No fundo, talvez interesse apenas questionar qual o papel do estado no meio disto: será aquele elemento redistribuidor da riqueza produzida, ou apenas um comparsa trampolineiro das manigâncias de quem domina o mundo das finanças?

Por cá, fica-me sempre esta terrível sensação de que somos um país habitado por muitos primos, que já combinaram tudo à mesa do orçamento, antes de virem à porta da cozinha dar as sobras do bodo aos pobres...

Um abraço, caro Herético. Continua a ser um prazer (e um desafio) ler-te.

OrCa disse...

Ainda a propósito...

A "globalização". É o quê, afinal? Inevitabilidade social ou económica? Ou as duas?

Quando se introduz esta componente no discurso analítico, fica logo patente uma tremenda sensação de castração determinista no ar. Pois, vendo bem as coisas, fazer o quê, se lá longe, bem para além do horizonte, há um poder que tudo manieta e tudo controla e tudo determina?

Ora, esta atitude, desde que assumida com coerência, apenas nos pode conduzir a uma de duas situações: ou vendemos a alma ao "diabo" (que será o tal poder) e esperamos um porvir radioso por sobre as hordas de indigentes, ou suicidamo-nos, pois não há nada a fazer para contrariar tal estado de coisas...

Enfim, alguns descobriram uma terceira via: vêem alucinadamente televisão. Mas esses serão os tais de que se falava nas bem-aventuranças.

Talvez interesse equacionar se não haverá, de facto, outras vias para afirmar individualidades ou se não andamos, apenas, anestesiados (leia-se intoxicados) com as propagandas tendenciosas, facciosas, etc., etc., do tal poder.

Que quem detém o capital sempre soube "agremiar-se" a fim de explorar com mais segurança o manancial de quem (para eles) trabalha é uma verdade tão velha como o mundo dos homens.

Agora está a atingir um estadio superior a que alguns querem chamar globalização da economia? Muito bem, mas não é novidade nenhuma. Há uns anos atrás, falava-se do capitalismo monopolista de estado... Não estou muito certo de que um não seja senão mais um passo para o outro.

Outro abraço.