terça-feira, março 20, 2007

Outras Paisagens II - Saara Ocidental

Línguas oficiais - Árabe e castelhano
Capital - El Aaiún
Presidente(no exílio)- Mohamed Abdelaziz
Primeiro-ministro (no exílio)- Abdelkader Taleb Oumar
Área - 286 000 km²
População - 261 794 (Julho 2003)
Proclamação da Independência - em 1976
Anexado por Marrocos
Moeda - Dirham

1 - O Saara Ocidental é um país que existe de jure, mas não existe de facto. Quer dizer, as Nações Unidas consideram-no como um país independente ocupado, mas Marrocos mantém que o Saara Ocidental é parte integrante do seu território.

Também denominado como República Árabe Saarauí Democrática (RASD), o Saara Ocidental é uma região árida e quase desértica, situada junto à costa noroeste de África, constituída por desertos pedregosos, em certas áreas, e arenosos, em outras. É limitado norte por Marrocos, a leste pela Argélia, a leste e sul pela Mauritânia e a oeste pelo Oceano Atlântico, por onde faz fronteira (marítima) com a região autónoma espanhola das Canárias.

Como o nome indica, este país integra o deserto do Saará. É composto de oásis dispersos e pequenas manchas de pastagem pobre. Está dividido em duas regiões: Saguia al-Hamra e Rio de Oro. Por outro, lado possui uma das maiores reservas pesqueiras do mundo; e também possui as maiores jazidas de fosfatos, além de jazidas de cobre, urânio e ferro. A economia do Saara Ocidental é baseada principalmente na extracção e exportação de fosfato, cobre, ferro e urânio.

Em 2003, tinha cerca de 262 mil habitantes. A maioria dos sarauís - incluindo os refugiados na Argélia constitui uma mistura de árabes e berberes, quase todos muçulmanos. Falam árabe, berbere e castelhano. A sociedade do Saara Ocidental é essencialmente igualitária, não conhece outra autoridade para além da do chefe de família. As funções deste são principalmente sócio-religiosas. Não existe, portanto, o Estado como estrutura formal.

2 - O povo saraui encontra as suas origens em vasto mosaico de tribos nómadas, berberes e árabes, de enraizadas tradições guerreiras, convertidas ao islamismo em no Sec. VIII d. C. Entre os seus mais célebres antepassados encontram-se os almorávidas que, entre o Sec. XI e o Sec. XII, se expandiram por vasto império e dominaram o Magreb ocidental e grande parte da Península Ibérica.

O seu grande sentido de independência levou este povo, ao longo dos tempos, a resistir a todas as tentativas de dominação, quer dos portugueses (os primeiros colonizadores), quer dos sultões marroquinos, quer dos espanhóis, que apenas em 1936, com a ajuda de forças expedicionárias francesas, conseguiram submeter todo o território do Saara Ocidental. Até 1936, a colonização espanhola limitava-se a três pontos no litoral: El Aaiún, Cabo Juby, na província de Trafaya e Villa Cisneros.

Em 1958, verificou-se uma insurreição generalizada no território; para enfrentar a rebelião, a Espanha, em conjunto com a França, organizou uma poderosa expedição militar, de mais de 14 mil homens e 130 aviões. E, se os objectivos dos espanhóis eram claros, ou seja, dominar o território, os desígnios do governo de França eram porventura mais sofisticados, mas porém não menos claros. Tinha em vista a França atingir a Argélia pela retaguarda, impedindo os independentistas argelinos de instalarem bases naquela colónia espanhola. Para compensar a colaboração nesta intervenção militar franco-espanhola, a Espanha cedeu a Marrocos Trafaya, a mais setentrional província do Saara Ocidental.

Estimulados pelas pela independência dos países árabes do Magreb (Argélia, Líbia, Mauritânia e Tunísia) os nacionalistas saaruis, promoveram uma série de manifestações pacíficas, violentamente reprimidas, o que convenceu os dirigentes mais lúcidos da inevitabilidade da luta armada. Assim, em 10 de Maio de 1973, foi constituída a Frente Popular de Saguia el Hamra e Rio de Oiro – Frente Polisario - sob a direcção de El Uah Mustafá, posteriormente morto em combate.

Entretanto, incentivada pelo sonho de um “Grande Marrocos”, as riquezas económicas descobertas no território saaurí (ferro, petróleo, gás natural e urânio) estimularam a cobiça da monarquia marroquina, que passou a reivindicar a soberania sobre o Saara Ocidental perante o Tribunal Internacional de Justiça de Haia. Porém, a alegação de Marrocos foi rejeitada pelo Tribunal Internacional de Justiça. Apesar disso, numa operação de propaganda, o rei Hassan de Marrocos promoveu uma alegada “marcha verde” sobre o território saaurí, ao abrigo da qual, em conivência com o governo espanhol, introduziu naquele território 11 batalhões de infantaria e blindados.

Seis dias antes da morte de Franco, em 14 de Novembro de 1975, por acordo assinado em Madrid, a Espanha cedeu a Marrocos e à Mauritânia o Saara Ocidental, atraiçoando as aspirações do povo saraui, num acto que não encontra paralelo em toda a negra história do colonialismo europeu em África.

3 - Quando, em 1975, a Espanha abandonou a sua antiga colónia, deixou atrás de si um país sem quaisquer infra-estruturas, com uma população completamente analfabeta e desprovida de tudo. O vazio criado pela Espanha foi aproveitado pela Mauritânia (que se se assenhorou de 1/3 do território) e por Marrocos (que ficou com o restante), ambos invocando direitos históricos.

Os sarauís haviam, porém, fundado a Frente Polisário, que iria expulsar o pequeno exército da Mauritânia, numa guerra que arruinou aquele país. Em consequência, os militares mauritanos, em Junho de 1978, derrubaram o presidente do país e firmaram, poucos meses depois, um acordo de paz com a Frente Polisario. Escasso anos depois, a Mauritânia reconheceu a República Árabe Saarui Democrática (RASD), proclamada em 27 de Fevereiro de 1976.

Frente a frente ficariam, nas areias do deserto, os guerrilheiros da Frente Polisário e as forças marroquinas de Hassan II. O exército marroquino retirou-se para uma zona restrita do deserto, mais próxima da sua fronteira e constituindo o chamado "triângulo de segurança", que compreende as duas únicas cidades costeiras e a zona dos fosfatos. A engenharia militar construiu aí um imenso muro de betão armado, por trás do qual os soldados marroquinos vivem entrincheirados, protegendo a extracção do minério.

4 – No plano diplomático, em 1983, a Organização da Unidade Africana (OUA) reconheceu o direito do Saara Ocidental à autodeterminação e, um ano depois aceitou a RASD como membro, tendo, entretanto, sido reconhecida por 30 países africanos, 16 latino-americanos, 8 asiáticos, 6 da Oceânia e 1 europeu (a ex-Jugoslávia), no total de 61 países.

Marrocos e a Frente Polisario disputam as simpatias europeias. Os saaruis recordam que os acordos de pesca celebrados pela União Europeia com Marrocos incluem as águas territoriais do Saara Ocidental, o que significa que tacitamente estão a reconhecer a marroquinização do território, mesmo antes da realização do referendo de autodeterminação, preconizado pela ONU, o que não deixa de ser condenável apesar da importância estratégica de Marrocos para a União Europeia.

A verdade, porém, é que a Frente Polisario e Marrocos não se entenderam na questão do referendo: a Frente Polisario quer votação na base do último recenseamento, (74 500 eleitores) realizado pelos espanhóis; Marrocos pretende impor 120 000 eleitores (marroquinos no dizer da Frente Polisario) pretensamente refugiados sarauis em Marrocos e reinstalados no Saara sob a protecção das forças armadas marroquinas.

O processo de recenseamento eleitoral tem tido pois o calcanhar de Aquiles do referendo, tendo sido objecto de diversos encontros bilaterais e conversações sob a égide da Organização das Nações Unidas sem que, até à data, pareça ter solução, no quadro de uma população fundamentalmente nómada e com interesses políticos opostos entre a Frente Polisario e Marrocos e a importância geoestratégica da região para o União Europeia e os Estados Unidos.



Fonte:
Wikipédia
Guia do Mundo

17 comentários:

M. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Licínia Quitério disse...

Assim vou adicionando conhecimentos sobre o tema. Que bom!

M. disse...

Não é só a Licínia, eu também vou aprendendo muita coisa neste espaço.

vida de vidro disse...

Como já tinha dito no post anterior, confesso a minha ignorância sobre os factos fundamentais desta questão. Daqui levo muitas pistas para um estudo mais aprofundado. Tenho que te agradecer, claro. Como tantas outras vezes. **

Titas disse...

Desconhecia a posição de Zapatero, vou estudá-la 'in loco' em breve.

O teu blog está interessantíssimo.

Sabemos que, neste meio de comunicação, a extensão do texto é desmotivadora. Contudo, basta começar, e vale a pena.

E por falar em textos longos, passa lá por casa...

§(~_~)§ beijo da Afrodite
(uma carinha d'anjo - não desfazendo - num corpo espectacular, com tudo no sítio, muito dentro do prazo, sem aditivos nem silicones)

Afrodite disse...

um dia eu ainda mato a tinhosa da que dá pelo nome pindérico de titas. Definitivamente, não há lugar na net para nós as duas!

O texto acima é obviamente meu e não da tinhosa...

E, agora, sim, aqui vai o verdadeiro


§(~_~)§ beijo da Afrodite
(uma carinha d'anjo - não desfazendo - num corpo espectacular, com tudo no sítio, muito dentro do prazo, sem aditivos nem silicones)

Paulo Sempre disse...

O Universo tem muitos lugares. Conhece-los, seja de que forma for, fica sempre, em nós, o desassossego causado pelo facto da esperança media de vida não ser suficiente para nos determos demoradamente em cada um deles.É uma situação confrangedora...tipo «não dever cumprido». Mas, ainda assim, há quem só conheça o lugar onde nasceu para nele também morrer, não sendo por causa disso que deixam de ser pessoas felizes.
Abraço
Paulo

Rafael Velasquez disse...

Sei pouquissimo sobre o Saara. Mas agora sei um pouco mais. ;)

OvelhaNegra disse...

Após meses de ausência da «blog-esfera» .. cá estou, de novo, a ler-te.

É com enorme prazer que o faço.
Ainda não li todos os post's em falta. Prometo fazê-lo no fim-de-semana.:)
Este, sobre o Sahara Ocidental e sobre a Frente Polisário.. é muito pertinente.
Não tem muitos dias que o líder da Frente Polisário reuniu-se com o Secretário-Geral da O.N.U. para pedir, de novo, que seja organizado um referendo sobre a autodeterminação da região contestada do Sahara Ocidental.

Um sorriso sentido.
Um beijo*

Klatuu o embuçado disse...

Gostei de ler... e petróleo?

isabel mendes ferreira disse...

et voilá...

temos ambos a mesma paixão por desertos???? (ou não???)

_______________


o deserto das Pedras, justamente o que antecede o Saara Ocidental é um "assombro"....


e aquele povo traduz bem a alma de pedra...:))))
__________________

beijo.



(obrigada.)

Anónimo disse...

Para quem quizer estar a par das noticias sobre o Saara, visite o site marroquino em lingua portuguesa:
http://www.corcas.com/Default.aspx?alias=www.corcas.com/pt

sarita disse...

História do conflito do Sara



A frente Polisário, criada em 1973, foi baptizada com o nome de Polisário ou, ainda, frente de libertação de Essaquia Al Hamra e de Oued Eddahab; o seu ramo armado tem o nome de Exército de Libertação Popular Saraui (ALPS).

O grupo fundador da Polisário é composto de jovens marroquinos de origem saraui que prosseguiam os seus estudos na universidade Mohammed V em Rabat.

No entanto, as situações catastróficas sofridas pelos criadores da Polisário não podem ser ignoradas de ninguém, sobretudo daqueles que as viveram.

Não nos podemos esquecer que eles formavam um grupo de uma trintena de jovens universitários, todos os originários das províncias do Sul marroquinas, que tinham decidido um dia tomar as rédeas do seu próprio destino.

Foi nesse momento que eles aproveitaram a realização das festividades do Moussem de TanTan para manifestar nas vielas estreitas daquela cidade (que ainda não o era naquela altura) e, ao quebrar o equilíbrio estabelecido depois de uma dezena de anos, a resposta não se fez esperar.

O Caïd da zona ordenou, por conseguinte, o aprisionamento destes perturbadores de última hora, e como na altura não existia uma prisão propriamente dita, este improvisou uma, e amontoou-os numa rústica mansarda de uma dezena de metros quadrados, dotada apenas de uma pequena porta, sem janela, e debaixo de um calor sufocante.

Nenhum deles podia esquecer a dureza da vida e a coragem que os tinha levado a esta situação. Viviam, como os seus pais e mães, numa miséria inconcebível, degradante, desumana. Nesta aldeola, não existiam estradas alcatroadas, nem passeios, nem água corrente, nem saneamento, nem electricidade, nem investimentos, nem, certamente, trabalho, nada que permitisse dizer que esta região fazia efectivamente parte da pátria mãe.

Estas figuras ilustres, filhos de heróis, e eles próprios membros gloriosos do Exército de liberação nacional, que tinham vindo colher o fruto da sua vitória, encontraram-se, de um dia para o outro, compactados numa mansarda sem quaisquer condições, dormindo no chão, sem tapetes, nem mesmo uma esteira, debaixo de um tecto improvisado.

Viviam apenas da assistência nacional, graças à distribuição de sacos de farinha distribuídos a conta-gotas e, para cumulo da história, quanto mais delatavam o seu vizinho, mais bem vistos eles ficavam, ou mesmo, mais bem considerados eram, e menos sujeitos à fome ficavam. Adeus dignidade!!!



É neste estado de miséria absoluta que estes corajosos guerreiros e os seus descendentes e, para alguns, mesmo os seus ascendentes, vegetavam desde que a operação Ecouvillon os tinha lançado no caminho sem saída do êxodo.

Contava-se aos milhares o número de pessoas vindas em busca da liberdade, de felicidade e de paz na dignidade. Infelizmente, nada disso foi obtido, e foi neste mundo esquecido de todos: responsáveis locais e regionais, que esta trintena de universitários tentou fazer-se entender e gritar todo o mal que pensava da sua situação social, económica, cultural e política!

Não devia ter sido subestimado o despeito e o ódio que os responsáveis administrativos tinham contra estes jovens, vindos não sabemos de que planeta, e que nem eram nem submissos nem resignados, como os seus pais. Até eram acusados de se exprimirem e de manifestarem o desacordo com a ditadura do Caïd.

Como ousam eles desafiar o poder do governador invisível erigido num monumento sagrado?
Como pretendem eles ter a audácia de dizer em voz alta o que as suas famílias pensam em silêncio?
Como foi possível ganharem a temeridade do "desesperado" para levantar a cabeça e chegar aos calcanhares do califa do bairro?

Para resfriar estas "cabeças quentes", nada melhor do que os espancar, mas este trabalho não devia ser feito por qualquer pessoa, e muito menos por um guarda militar ou um polícia. Não, eles não mereciam este privilégio, mais valia suspende-los, fecha-los, privar-lhes de comida, deixá-los sufocar e sofrer o martírio enquanto não chegasse uma secção de Makhzen móvel, estacionada a mais de duzentos Km a norte (em Bouizakarne) para os fazer vir especialmente a fim de os torturar, humilhar e fazer-lhes provar as queimaduras das chamas ardentes da dor do "indefeso", espancados por aqueles que eram considerados os mais medíocres e desumanos entre os serviços de ordem.

Nem os jovens, nem os mais jovens, compreendiam o que se estava passar, porque o seu único delito, ou melhor, o seu único crime, tinha sido de um certo dia, terem aberto os olhos, mais do que os seus pais, e terem organizado uma marcha na véspera desta catástrofe, nas vielas estreitas desta pequena povoação de Tan Tan.

Eles manifestaram para que Marrocos recuperasse ou fizesse algo para recuperar o seu Sara, que seria a garantia da melhoria de uma situação ressentida como insuportável e profundamente desesperante.

É perante esta incompreensão, este tipo de cidadania, de terceiro nível, que a sua revolta foi destrutiva e devastadora, que a ira se incrustou nos corações e nos espíritos dos mais extremistas, por serem os menos pacientes e os mais afectados pelo soar das sirenes do progressismo, os mesmos que mais se agitavam e se uniam à ideologia em voga naquele momento no nosso país, isto é, uma ideologia que pretendia erradicar tudo e que preconizava a aceleração do ritmo de uma mudança brutal.

Para resumir, tratava-se daqueles que eram incapazes de separar o trigo do joio na desordem dos anos 70 em Marrocos, os que não tinham tempo para refletir e fazer a distinção entre o que compete, no exercício do poder, à pequena autoridade local, e o que incumbe ao Estado central.

Aqueles que estavam convencidos que seriam eternamente incompreendidos e que tinham decidido fazer-se entender pela força. Resumidamente, os mais idealistas que acreditavam na revolução mundial, no Cheguevarismo e no Castrismo, decidiram, então, romper com o seu passado e renegar as suas origens, bem como as dos seus antepassados.

Foi então dada ordem aos mais vulneráveis deste grupo para se dispersarem e desaparecerem, precisamente para escaparem às rusgas dos visitantes nocturnos, para se encontrarem noutros lugares, com certos líderes, para vingarem a honra perdida e fazer justiça, devolvendo ao carrasco os golpes que ele lhes tinha infligido de bom grado!! Depressa foi procurado o responsável deste cataclismo e averiguado o nível hierárquico ao qual este pertencia.

A resposta não dava aso a qualquer tipo de dúvida: não, o califa não tem poder, o Caïd tão pouco, o guarda militar ou polícia não são ninguém e ainda menos os pobres Mokhaznis. Quanto ao governador, é "intocável" e de qualquer modo ninguém ousaria afirmar que o viu ou o ouviu, para poder testemunhar a sua existência real, nenhum dos membros deste staff pode ser considerado responsável destas "desgraças humanas".

Não, o responsável, é quem permitiu a esta escumalha de responsáveis locais de se comportarem como leões neste deserto largado ao Deus dará. Esta responsabilidade só pode incumbir à própria Administração marroquina, e não pode ser assumida por qualquer membro da administração, qualquer responsável ou funcionário e, de um modo geral, por todos os que tinham o direito e a possibilidade de abrir a boca!

É necessário, por conseguinte, vingar deste Estado que não soube, ou não pôde ou, pior ainda, não quis proteger os cidadãos, considerados como os mais pobres, embora se possam orgulhar de terem sido os mais fiéis. A decisão ergueu-se como um ideal, melhor ainda, como um mito, que infelizmente, com o passar do tempo se transformou em quimera que gerou um pesadelo.

Certamente, no início dos anos 70, estes jovens universitários marroquinos de origem saraui tinham reivindicações legítimas, de ordem política, económica e social, mas tratava-se de reivindicações de carácter interno, que tiveram lugar num quadro exclusivamente marroquino.

Estas reivindicações surgiram num momento difícil da história de Marrocos, num momento em que o Estado estava submetido a fortes pressões externas e internas. Podemos afirmar, sem equívoco, que naquela altura, ou seja, durante os anos 70, Marrocos não dispunha de qualquer poder ou força política capaz de responder de maneira positiva e favorável a uma reivindicação de carácter regional, por muito legítima que esta fosse.

Nesta altura, Marrocos estava confrontado com desafios enormes de ordem interna e externa. As prioridades eram outras, dadas as circunstâncias da época, dado que a conjuntura estava marcada por um contexto muito hostil de guerra fria e de incessantes conflitos entre árabes.

É por isso que uma parte deste grupo de universitários marroquinos de origem saraui que prosseguiam os seus estudos em Rabat, sentiu a vontade de vingança, após a repressão da manifestação de Tan-Tan, dos aprisionamentos, dos maus tratos e das torturas que se seguiram.

Estes maus tratos levaram estes jovens universitários a aliarem-se a certos países, num contexto de guerra fria e de conflitos entre árabes e entre africanos. Naquela altura, este tipo de alianças era perfeitamente permitido.

Estes estudantes universitários manifestaram esta vingança contra o seu próprio país de origem, isto é, Marrocos, do qual são originários os seus antepassados, todos os seus antepassados. Os seus pais lutaram incansavelmente, no âmbito do Exército de libertação, para a libertação do país onde estes jovens sarauis prosseguiram os seus estudos.

Os seus pais defenderam com ardor o sultão Mohammed V e prestaram fidelidade ao seu falecido filho, o Rei Hassan II. Havia que ter um pouco mais de bom senso. Nunca haviam de se ter esquecido que as autoridades marroquinas que eram, aquando da manifestação de Tan Tan em 1972, responsáveis pelos maus tratos, torturas e perseguições destes jovens universitários, também tinham sido vitimas de duas tentativas fracassadas de golpes de Estado.

Eis o panorama das grandes contradições de Marrocos dos anos 70.No entanto, todos estes motins não influenciaram o decorrer normal da história, pela simples razão que a questão do Sara é uma questão de descolonização entre Marrocos e a Espanha.

Tendo estado sob o protectorado de duas potências coloniais, a França e a Espanha, Marrocos teve que recuperar, gradualmente e por etapas sucessivas, a parte do território que estava sob o protectorado espanhol, começando pela zona do norte e Tanger em 1956, Tarfaya e Tan Tan em 1958, Sidi Ifni em 1969 e o Sara em 1975. Está marcado na história.

Isto sempre se verificou com a nossa vizinha e amiga Espanha. Todos os conflitos com este país, relacionados com o fim do protectorado, foram resolvidos pela negociação e através de vias pacíficas. Ora, os adversários de Marrocos, que fomentaram o conflito do Sara e se opõem à conclusão da sua integridade territorial, financiando e ajudando o movimento da Polisário, prepararam antecipadamente as condições desta oposição a Marrocos.

Resultado: este movimento tinha sido acolhido pela Argélia no seu território em Tindouf, devido às divergências existentes naquela época entre Marrocos e a Argélia, no que se refere às fronteiras comuns, e na altura em que Marrocos tinha concluído um acordo com Espanha, em conformidade com as relações históricas que sempre existiram entre os dois países.

De resto, Marrocos recuperou o seu Sara, através da negociação e do consenso, de acordo com o procedimento habitual que sempre manteve com a Espanha.

Tendo Marrocos recuperado as suas províncias do Sul, a Polisário não encontrou melhor idéia do que levar uma parte da população saraui para campos instalados no território argelino, aos quais foi posto o nome de campos dos refugiados, ou ainda, designados sob denominações fictícias, tais como campo de Laâyoune, campo de Smara, campo de Aouserd, ou campo de Dakhla.

A Polisário mentiu e manipulou a população que foi conduzida a Tindouf, na Argélia. Todos os Sarauis sabem que nos meses de Novembro e Dezembro de 1975, a Polisário tinha pedido a muitas pessoas para assistirem a reuniões em Gueltat Zemmour e quando essas pessoas se apresentaram para as ditas reuniões, foi-lhes pedido para se apresentarem para uma outra reunião em Bir Lahlou. Em seguida foi-lhes pedido que se reunissem em Tindouf, como armadilha para nunca mais os deixar sair de Tindouf.

Infelizmente, por falta de meios de transporte, a maior parte destes sequestrados ficou retida em Tindouf até hoje. Mas muitos deles aperceberam-se da armadilha e utilizaram todos os meios para regressar às suas casas, em Smara, Laâyoune, Dakhla e Aouserd.

Este facto verídico é do conhecimento dos Sarauis, pelo menos dos que tinham mais de 15 anos naquela altura. A Polisário premeditou, planeou e executou a instalação dos campos no território argelino.

Por que motivo a Polisario criou estes campos e continua a mantê-los num território que não é o seu, tomando por reféns as populações desmunidas de documentos de identificação, confinadas nos campos e sem liberdade de circulação?

Estas populações são vigiadas dia e noite pela Polisário que alista os seus filhos nas escolas, ensinando-lhes exclusivamente o ódio e inculcando-lhes o desespero. Perguntamo-nos quais são as razões humanamente aceitáveis que permitem a um grupo de líderes da Polisário de reter contra a sua vontade, durante mais de trinta anos, estas populações em campos? Qual é realmente o objectivo? Será uma moeda de troca?

Podemos adivinhar facilmente que sem a existência destes campos, o movimento político-militar chamado Polisário nunca teria existido. A existência da Polisário está directamente ligada à existência destes campos. Mas, esta política não leva a nenhum lado, e só poderá conduzir ao caos da deriva.

A própria existência destes campos num território hostil e em condições desumanas durante um tão longo período é uma violação flagrante dos direitos do homem.

Com que direito se pode deixar as pessoas viverem em tendas mais de 30 anos? Com que direito se pode impedir as pessoas de circularem livremente? Com que direito se pode alistar os seus filhos e inculcar o ódio e o desespero? Com que direito se pode impedir as pessoas de viverem como as outras? Com que direito se pode dispor, à vontade, da vida de uma parte da população saraui nos campos? Com que direito se pode vender a miséria humana às organizações de caridade internacionais?


São estas as verdadeiras e mais importantes violações dos direitos do homem, porque elas afectam a própria essencia do ser humano e a sua liberdade de escolher e de dispor de si próprio e da sua família.

A Polisário tem violado, constante e deliberadamente, os direitos do homem mais elementares há mais de 30 anos. Reteve prisioneiros marroquinos durante mais de 25 anos, que estiveram separados das suas famílias e dos seus pais no sofrimento total.

Qual a razão para ter infligido tanto sofrimentos a estes prisioneiros, que são seres humanos para todos os efeitos? Porque motivo os retiveram durante mais de 25 anos em condições insuportáveis, com todas as torturas físicas, psicológicas e morais que isto implica?

As perguntas são imensas, sem que se encontre uma única resposta justificável. Finalmente, este movimento foi obrigado a liberta-los sem qualquer contrapartida política. A Polisário instalou em seguida o seu Estado-maior em Hassi Rabouni, em Tindouf, e apropriou-se desde 1976 dos nomes de certas pessoas, sem qualquer fundamento jurídico, histórico e legítimo e sem a mínima consulta às populações sarauis.

A Polisário é um movimento político-militar que instituiu um sistema semelhante ao que existia nos países antigamente totalitários, com partido único, uma instituição única, uma estrutura única e uma burocracia única. O conjunto reunido num pensamento único.

Instaurou um controlo armado das populações que ele detém ou que controla, utilizando a ajuda alimentar como um instrumento de chantagem permanente e gere a população dos campos através de um sistema de controlo físico, psicológico e moral rígido, tipo Comissário político para cada actividade e serviço.

A frente instaurou os métodos de delação como meio de controlo e o alistamento permanente, ou melhor, a lavagem de cérebro dos jovens, dos adultos, como a deturpação da história ou a manipulação dos acontecimentos e o ensino do ódio como regra geral.

A Polisário é um produto de uma outra época, antes do desmoronamento do sistema totalitário, já quando o mundo começou a sofrer grandes alterações em 1991, ela permaneceu à margem destas mudanças: sem eleições livres, sem democracia, sem pluralidade, sem liberdade de expressão, sem liberdade de opinião e sem sociedade civil.

Impôs um hermetismo total e absoluto e uma compartimentação completa das estruturas de modo a que elas perdurem. Todos os movimentos de carácter político ou politico-militar semelhantes à Polisário desapareceram desde a queda do muro de Berlim. Quer mudaram de nome ou se autodissolveram, ou criaram novas estruturas correspondentes ao novo mundo globalizado, livre e democrático.

A Polisário, que pretende ser uma entidade independente, criou uma certa República Árabe Saraui Democrática (RASD), dando, ao mesmo tempo, às terras libertadas por Marrocos, o nome de Sara Ocidental ou de territórios ocupados.

Esta "RASD" está em contradição flagrante com o pedido da Polisário de um referendo de autodeterminação.

Como se pode pedir um referendo de autodeterminação para todos os Sarauis e responder antecipadamente ao seu desejo e à sua vontade criando uma entidade que não tem nenhuma base moral, histórica ou democrática?

Estes são exactamente os métodos dos movimentos totalitários antidemocráticos. Trata-se de uma prática muito conhecida, de responder em nome do povo às perguntas que não lhe são directamente feitas. A proclamação unilateral, por parte da Polisário, da "RASD" é uma violação flagrante do direito internacional. Trata-se do desrespeito da vontade do povo, o desrespeito das regras da democracia e a vontade deliberada e premeditada de obter lucros políticos através da fraude e da mentira.

É precisamente por isso que a Polisário desacreditou o seu pedido de autodeterminação livre para o povo saraui, manipulando as respostas dadas antecipadamente. Não podemos presumir que ela respeite a decisão do sarauis, uma vez que responde, por eles, antecipadamente. Não podemos pretender ser honestos e responder pelos outros. Não podemos dizer que somos fracos e ao mesmo tempo ludibriar nos princípios.

Ninguém pode dizer que existe um direito de autodeterminação dos povos de decidir do seu futuro livremente, sem qualquer pressão de qualquer parte que seja, e desacreditar-se respondendo antecipadamente a uma questão que ainda não foi levantada.

Ninguém pode dizer que é honesto, tendo anteriormente enganado. A "RASD" não tem qualquer existência territorial, ela instalou-se em Tindouf, na Argélia, e não tem povo, porque a única população de que dispõe, compõe-se de retidos dos campos que detém e controla contra a sua vontade, não é o resultado de uma eleição. Ela não dispõe de qualquer atributo de soberania, só existe na Internet e nas instituições fictícias no território de um país estrangeiro.

A Polisário, que instaurou em Tindouf instituições fictícias, tais como o governo saraui, a cruz vermelha saraui (CRS), a união da mulher saraui, a união da juventude saraui, não faz quaisquer diligências para organizar no solo argelino festividades comemorativas, como por exemplo: o 27 de Fevereiro, o 10 de Maio, o 20 de Maio ou ainda o 12 de Outubro.

Desde a sua criação, a Polisário tinha nomeado o seu primeiro secretário-geral Chahid El Ouali que foi sucedido pelo denominado Mohamed Abdelaziz, nomeado em seguida presidente, secretário-geral da Polisário ou chefe da Polisário.

A frente também não deixou de criar os seus meios de comunicação social de propaganda para apoiar as suas teses separatistas, nomeadamente "a agência de imprensa saraui", (SPS), "Rádio Sahara" ou ainda "Rádio Polisário" lançando-se de corpo e alma numa quimera absoluta sobre a questão do Sara.

De facto, quando perdeu a guerra e após o fracasso do projecto do referendo, que de resto, é irrealizável visto que seria necessário alterar todas as fronteiras, a Polisário começou a afirmar, a quem a quisesse ouvir, que o Sara é um território ocupado por Marrocos e que esta região sofre todas as formas de repressão política e de violações dos direitos do homem.

A Polisário não está em posição de poder dar lições em matéria de direitos do homem a quem quer que seja. Todos sabem que as fronteiras na região do norte oeste africano, nomeadamente os confins maroco-algéro-mauritano-malianos, foram traçados com uma régua, no momento da divisão desta parte dos territórios africanos, entre a França e a Espanha.

As fronteiras actuais não obedecem a qualquer critério de ordem geográfica, humana ou de qualquer outro tipo. Pode-se dizer, com toda a certeza, que estas fronteiras foram traçadas arbitrariamente aquando da partilha. É a razão fundamental que deu origem ao fracasso do projecto do referendo.

Os sarauis não se encontram só em Marrocos. Toda a parte do sul ocidental da Argélia, de Bechar até à fronteira mauritano-maliana, é uma região de tribos sarauis, assim como toda a parte do noroeste do território da Mauritânia e o extremo norte do Mali entre Tombouctou e a fronteira argelina, passando por Taoudenni.

É por isso que, para ter um referendo de autodeterminação livre, democrática, justa, honesta e global que permita a todos os Sarauis, sem excepção, se pronunciarem sobre o seu futuro, como o desejava as Nações Unidas, no seu plano de resolução inicial, seria indispensável alterar as fronteiras dos quatro países em causa, nomeadamente de Marrocos, Argélia, Mauritânia e Mali, de modo a que fosse possível dispor ao mesmo tempo das populações sarauis e do seu espaço geográfico e histórico, antigo e actual.

Estas mudanças de fronteiras são obviamente impossíveis, ilógicas e desprovidas de qualquer carácter de responsabilidade. Por conseguinte, o referendo baseado na identificação é, também, impossível de se realizar. Qualquer insistência em organizá-lo é uma vontade deliberada de eternizar inutilmente o conflito e o sofrimento das populações. Na mesma ordem de ideias, a Polisário não hesitou em criar mais instituições, totalmente fabricadas, com a cumplicidade de certas pessoas anti-marroquinas, por diversas razões, como é o caso das associações de amizade com o povo saraui, as associações dos direitos do homem, as associações de solidariedade com o povo saraui, as associações de solidariedade com a RASD, as associações de ajudas humanitárias, a Associação Chahid El Ouali, a associação Oum Driga, a associação dos amigos do Sara ocidental, ou a associação dos amigos do povo saraui.

Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha concluído a impossibilidade de organizar um referendo para o Sara, sem a mudança das fronteiras, a Polisario não encontrou nada melhor do que inventar a questão da autodeterminação, argumentando que esta, através do referendo, só pode conduzir ao separatismo.

No entanto, a carta da ONU, que constitui a mais alta jurisprudência a nível internacional, estipula que a autodeterminação deve ter em conta a unidade e a integridade territorial do país e que a autonomia permanece uma das melhores fórmulas da autodeterminação.

Esta autonomia existe nos países ocidentais mais desenvolvidos do mundo. É por isso que, a comunidade internacional denunciou a Organização da União Africana (OAU), por ter violado deliberadamente o direito internacional reconhecendo a fantasmagórica "RASD", do mesmo modo que a instituição que a substituiu, a União Africana (UA), que desviou igualmente do direito internacional, reconhecendo uma entidade que foi declarada por um movimento politico-militar e não com base numa consulta referendária .

Em contrapartida, o resto das organizações internacionais, como a ONU, os países não alinhados, a Liga árabe, a Organização da Conferência Islâmica (OCI), a União Europeia (UE) e a União Asiática, recusaram categoricamente de negar o direito internacional e conformaram-se com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, ou seja, encontrar uma solução política e consensual para o conflito estéril do Sara, através da negociação e do diálogo.

Com efeito, este conflito impediu a construção da União do Magrebe árabe (UMA), obstruiu todos os acordos entre os países irmãos vizinhos, Marrocos e Argélia, e impediu as famílias sarauis de regressar às suas casas para viver com os seus familiares.

Criou igualmente uma fonte de tensão no noroeste de África e fomentou a proliferação do tráfico humano, nomeadamente a imigração clandestina, o tráfico de armas e de droga, o desvio de todos os tipos de mercadorias nos campos, bem como o aparecimento do terrorismo.

A ONU envia com frequência, a estes campos, delegações do Programa Alimentar Mundial (PMA) e do Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR) a fim de inquirir sobre a má gestão e sobre o desvio da ajuda humanitária procedente destas instâncias e da Direcção da ajuda humanitária europeia (ECHO), destinada, em princípio, aos retidos destes campos.

O desvio da ajuda humanitária foi confirmado por várias ONG internacionais, nomeadamente "US Committee for Refugees and Imigrantes (USCRI)", “La Fondation France-Libertés” e o “European Strategic Inteligency And Security Center” (ESISC).

Estas Organizações chamaram, várias vezes, a atenção da Comunidade internacional para este fenómeno de desvio e sobre o seu impacto na situação humanitária das populações retidas nos campos de Tindouf, na Argélia.

Apesar desta triste história, a Polisário pode ainda redimir-se e retornar à razão. É inútil de se obstinar e continuar no erro. A victória nunca pertenceu aos radicalistas. Hoje, a história dá a oportunidade à Polisário de concluir um acordo honroso e vantajoso para as nossas populações e as nossas famílias.


Hoje, a história oferece à Polisário a ocasião de abrir as portas da esperança, de fazer esquecer os sofrimentos, os erros e os incumprimentos morais. Hoje, a história oferece uma ocasião em ouro à Polisário para aceitar a única solução possível, a única realizável, a mais adequada, isto é, a autonomia política, sob a soberania do Reino de Marrocos.

Se a Polisário tem um mínimo de sentimentos ou um mínimo de respeito para com os Sarauis, deveria aproveitar esta oportunidade histórica.

A Polisário deve sair da armadilha onde se encontra e não deve servir os interesses de outrem, ou ser utilizada contra os interesses do Reino de Marrocos por uma questão de hegemonia política

sarita disse...

Tindouf : 40° à l'ombre
Ecrit par Abdelhak Kettani
24-11-2007
Barbelés, miradors, Jeeps, armes légères, l’arsenal est de poids. Les hommes plaisantent entre eux, puis ouvrent la barrière pour laisser un blindé léger pénétrer dans le camp. Pourtant, pas d’adversaire en vue, tout juste quelques gamins qui jouent au football. Une femme veut aller tirer de l’eau, elle doit d’abord passer par les gardes, qui s’assurent qu’elle ne transporte rien d’autre qu’un seau vide.Quelques dizaines de tentes viennent briser la monotonie du paysage. Plusieurs milliers de personnes vivent ici.Nous sommes à Tindouf, sud de l’Algérie, 40° à l’ombre, 90 000 civils et presque autant de militaires.Nous sommes bien en 2007, bienvenue dans l’enfer des camps du Polisario.Depuis 30 ans, au mépris de tous les droits humains les plus élémentaires, des milliers de personnes issues du Sahara Marocain sont enfermées, leurs gestes épiés, leurs déplacements contrôlés, leur nourriture revendue, leurs esprits conditionnés, tout cela, pour un but, un seul : permettre à la République Algérienne Démocratique et Populaire d’assouvir sa stratégie de puissance régionale. Comment cette escroquerie de l’histoire a pu se dérouler dans le silence assourdissant de la communauté internationale ? La réponse est complexe, elle part d’Alger, passe par la Havane, a des ramifications à Lagos, transite par Pretoria, et se retrouve au conseil de sécurité de l’ONU, alors que le fond de l’affaire est d’une limpidité cristalline : aujourd’hui, en 2007, des milliers de personnes sont enfermés dans des camps, dirigés par le même clan depuis les origines, et surveillés par une armée de métier.Intimidations, tortures, disparitions inexpliquées, toute la gamme d’exactions a été exploitée par les dirigeants du Front Polisario pour assurer un contrôle total sur les corps et les esprits des habitants des camps de Tindouf. Aujourd’hui, il est temps que cela cesse…


« Ma mémoire a été violée… »
Ecrit par Saïd Mokhtari
25-11-2007
Ses mains repliées, paralysées à jamais, témoignent des stigmates de sa longue détention au sein des camps de Tindouf. Le Capitaine K., emprisonné à l’âge de 30 ans, a passé plus de la moitié de sa vie enfermé dans les geôles du Polisario. Son visage est digne, malgré les humiliations, les tortures, la faim, et une attente interminable. « Je n’ai jamais douté que je reviendrais au Maroc » nous dit-il. Pourtant, le Capitaine K est détenteur d’un record dont il aurait pu bien se passer, il fait partie des plus anciens prisonniers politiques au monde.La description de ses conditions de détention avec ses camarades ne laisse aucun doute sur l’inhumanité de ses geôliers. « En 30 ans, je n’ai jamais vu un soldat du Front Polisario, ce sont les militaires algériens qui gardaient notre prison, et qui assuraient les nombreux transferts ». Enlevé à la fleur de l’âge, le Capitaine K. n’aura pas vu ses enfants grandir. « Etre prisonnier, ça veut dire la perte de la notion du temps, les moments d’espoir se succédaient à ceux de découragement profond, notre vie a réellement changée le jour où, après avoir corrompu nos gardiens, nous avons pu avoir une télévision, ce qui nous permettait de voir les images de la mère patrie. A partir de là, tout à changé, nous nous rendions bien compte que notre pays faisait tout pour nous rapatrier, mais que le Front Polisario niait nous avoir comme otages » il poursuit : « Mon plus grand choc a été l’arrivée à Agadir, je ne reconnaissais presque rien, les routes, les bâtiments, j’avais oublié qu’il était possible de respirer sans un sentiment d’oppression, pendant trois mois, je suis resté enfermé chez ma fille, je refusais de voir l’extérieur, ma mémoire a été violée ».





Les geôliers bientôt prisonniers : La justice internationale rattrape le Polisario et l’Algérie

Ecrit par Abdelhak Kettani
14-12-2007
C’est une véritable « bombe » médiatique qui a été lancée aujourd’hui 14 Décembre 2007 à travers la plainte de victimes sahraouies auprès de l’audience Nationale Espagnole pour « Génocide et Terrorisme » à l’encontre de 28 hauts responsables du Polisario et de l’Algérie. Fait inédit, c’est la première fois que la Justice Internationale s’intéresse au cas des « Geôliers de Tindouf » et à leurs victimes. C’est donc une véritable prise de conscience de l’opinion publique internationale qui est en train de s’amorcer, alors que des soupçons de pratiques d’esclavagisme au sein des camps de Tindouf se font de plus en plus précis. , Saadani Maoulainine, Dahi Aguai, et Hosein Baida Abdelaziz ont décidé de porter leur combat pour la reconnaissance des exactions dont ils ont été victimes ainsi que leur famille sur le front de la Justice Internationale. Quiconque méprise le sens de l’histoire risque de se prendre une baffe, et les professionnels de l’univers carcéral que sont les membres du front Polisario et la sécurité militaire algérienne entendent maintenant un bruit de clés lancinant, celui des barreaux qui se refermeront bientôt sur eux…la liste exhaustive dans la suite.1. SIDAHMED BATTAL.2. SIDI WAGAG.3. EL JALIL AHMED.4. BRAHIM GHALI.5. JANDOUD MOHAMED.6. ABDELWODOUD EL FERI.7. MOHAMED SALEM SANOUSSI "SALAZAR".8.TALEB HAIDAR.9. BRAHIM BEIDILA.10. MAHJOUB "LINCOLN".11. MOHAMED LAMINE BUHALI.12. EDDA HMOIM.13. AHMEDU BAD.14. ALI DABBA.15. BACHIR MOUSTAFA SAYED.16. MOHAMED JADAD.17. MOLUD LEHSEN.18. MOHAMED HNYA "DERBALI".19. MOHAMED ALI HNYA "DEGAULLE".20. LUCHAA OBEID.21. MOLUD DIDI.22. MAHFOUD HMEINA DUIHI "ALI BEIBA".23. MOHAMED FADELN "JAPON S".24. GENERAL LAMARI.25. NABIL "KADOUR".26. NADIM BENASER.27. MAHFOUD.28. ABDERRAMAN BOUH "MICHEL".

Plano do Governo autônomo para o Sara Ocidental disse...

O conflito do sara ocidental é uma disputa de interesses. trata de conflito herdado da guerra fria. Para resolver este problema precisa de um compromisso acordado entre as partes. Deixando do lado o egoismo e interesses particulares. Isso é a verdade deste conflito onde seus aliados e enimigos são em todos os lugares. Pois nenhum pensa hoje em dia no sofrimento desde povo isolado e das ameaças de outro lado. Não existe liberdade nem direito nos campos montados para marginalizar estes campos de concentração sem aplicar a regra de refugiádos em campos de Tindouf, é uma vergunha para a comunidade internacional aceiar esta tese de separatismo. Porque muitos aderem por falta de calareza ate de indicações reais de recensemaneto.

Os povos unem-se e não se separam. Cada um no seu lugar mais obrando para o bem comum. Marrocos páis, indendente solidário busca a estender a mão para seus adversários sem que isso pareça fraqueza e tornar direito como pensa aqueles que não detém meios até do que viver, claro todo o povo marroquino se preocupa com os desdobramento desta questão. Alguns elementos interpretam o assunto conforme a tendência desturpando ou manipulando a verdadeira história do conflito regional. Pois todos os países da região têm acesso para o saara, Argélia, Mauritánia e Líbia só marrocos sem direito onde está!!.
Hiistoricamente são países unidos pela mesma cultura e identidade islâmica, mas o colonialismo ocidental criou este problema visando ter acesso aos assuntos internos destes países. Prejudicando a consolidação da terras atraves as epocas das diferentes dinastias, Sadien, Murabiten e alaouita.
Pois o sara ocidental conta hoje com apoio do acidente não é atoa que o Marrocos colocou todas as cartas sobre a mesa e a diplomacia empenhada a ir ate o fim reclamendo a legitimidade do sara marroquino. Confortado com todo o povo marroquino lado a lado para manter a unidade, colaborando com as instancias unisianas no sentido de encontrar uma solução pacifica e dos unistas do povo sarauí em virtude dos mesmos valores e principios religiosos e culturais.

Plano do Governo autônomo para o Sara Ocidental disse...

O conflito do sara ocidental é uma disputa de interesses. trata de conflito herdado da guerra fria. Para resolver este problema precisa de um compromisso acordado entre as partes. Deixando do lado o egoismo e interesses particulares. Isso é a verdade deste conflito onde seus aliados e enimigos são em todos os lugares. Pois nenhum pensa hoje em dia no sofrimento desde povo isolado e das ameaças de outro lado. Não existe liberdade nem direito nos campos montados para marginalizar estes campos de concentração sem aplicar a regra de refugiádos em campos de Tindouf, é uma vergunha para a comunidade internacional aceiar esta tese de separatismo. Porque muitos aderem por falta de calareza ate de indicações reais de recensemaneto.

Os povos unem-se e não se separam. Cada um no seu lugar mais obrando para o bem comum. Marrocos páis, indendente solidário busca a estender a mão para seus adversários sem que isso pareça fraqueza e tornar direito como pensa aqueles que não detém meios até do que viver, claro todo o povo marroquino se preocupa com os desdobramento desta questão. Alguns elementos interpretam o assunto conforme a tendência desturpando ou manipulando a verdadeira história do conflito regional. Pois todos os países da região têm acesso para o saara, Argélia, Mauritánia e Líbia só marrocos sem direito onde está!!.
Hiistoricamente são países unidos pela mesma cultura e identidade islâmica, mas o colonialismo ocidental criou este problema visando ter acesso aos assuntos internos destes países. Prejudicando a consolidação da terras atraves as epocas das diferentes dinastias, Sadien, Murabiten e alaouita.
Pois o sara ocidental conta hoje com apoio do acidente não é atoa que o Marrocos colocou todas as cartas sobre a mesa e a diplomacia empenhada a ir ate o fim reclamendo a legitimidade do sara marroquino. Confortado com todo o povo marroquino lado a lado para manter a unidade, colaborando com as instancias unisianas no sentido de encontrar uma solução pacifica e dos unistas do povo sarauí em virtude dos mesmos valores e principios religiosos e culturais.
Lahcen EL MOUTAQI

Anónimo disse...

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