segunda-feira, julho 23, 2007

"Sicko" - Michael Moore novamente ao ataque...

Michael Moore surpreendeu os seus admiradores e adversários com um novo filme documentário, intitulado “Sicko” que, entre outros prémios internacionais, foi galardoado em Cannes, no seu mais recente festival.

A nova película é uma devastadora denúncia da (ausência) de sistema de saúde nos Estados Unidos da América do Norte. Como se sabe, aquele País, a maior potência económica do Mundo, com astronómicos montantes em despesas militares, não possui um sistema público de protecção na doença.

Os cidadãos são por isso empurrados para sistemas de saúde privados, que engordam as companhias de seguros; decorre, portanto, que mais de 40 milhões de pessoas não têm qualquer protecção na doença, pois não possuem rendimentos que lhes permita pagar um seguro de saúde. E, dos 250 milhões pessoas que estão abrangidos por seguros privados, muitos são abandonados pelo próprio sistema a que pagam, por vezes durante décadas, pois não há qualquer controle público sobre as seguradoras.

- “Deixam-nas fazer o que lhes dá na real gana” – diz Moore referindo-se às companhias de seguros e acrescenta: “Cobram o que querem; não controle governamental e, francamente, não organizaremos o nosso sistema até que eliminemos a intervenção dessas companhias”.

Deveras interessante é a opinião de Michael Moore sobre relações das companhias seguradores com os Clinton e, em especial, com a pré-candidata do Partido Democrático à Presidência dos EE.UU, Hillary Clinton: “as seguradoras estão metidas no seu bolso e ela no bolso das seguradoras...”

Em conversa com Amy Goodman, da “Democracy Now”, Michael Moore, fala da sua ida clandestina a Cuba, acompanhado com doentes norte-americanos para tratamento naquele País, expressando a sua admiração do sistema de saúde cubano.

E refere, a propósito, que Cuba tem mais médicos por habitante que os Estados Unidos e que a escassez de médicos no seu país é devida, em grande parte, porque a AMA (Associação Médica dos EE.UU) não quer que haja mais alunos nas escolas de medicina, porque havendo menor número de médicos, maiores são os proventos dos existentes. E acrescenta:

O sistema de cuidados sanitários cubano impressionou-me muito. Toda a gente que lá levamos estava extremamente feliz com o tratamento que recebeu”. “Porém –acrescentou – “o sistema de saúde cubano assenta sobretudo na prevenção, pelo que o que fazem resulta bem sem terem que gastar um montão de dinheiro em cuidados sanitários”.

Michael Moore mantém também grande admiração pelo sistema de cuidados saúde do Canadá, no continente americano e, na Europa, pelos sistema de saúde da Grã Bretanha e da França que considera, provavelmente, o melhor sistema que conhece.

A terminar, Michael Moore refere dados conhecidos da Organização Mundial de Saúde que colocam os EE.UU em 37º lugar da raking mundial, atrás da Costa Rica e desabafa:

- “É patético para o país mais rico doMundo que isto seja possível...

8 comentários:

M. disse...

Pois, há sempre quem seja empurrado para fora da Vida por mãos e corações cruéis.

OrCa disse...

awxgtdNão deixa de ser curioso e elucidativo observarmos que os "nossos" inteligentes em matérias de saúde, principalmente aqueles ligados ao poder, tanto advogam a saúde "privada".

E as azémolas, em que nos vamos deixando transformar, aquiescem mansamente, abanando as cabeçorras desanimadas, para baixo e para cima, em mugidos lamentosos.

Sem serem, por outro lado, os europeus inocentes no que aos grandes interesses na área da saúde respeita - ver laboratórios, etc. - interessa observar que a "lógica" dos custos de medicamentos tem muita mãozinha internacional dos EUA.

A prevenção na doença não interessa a esta gente, claro. É que os Exames Auxiliares de Diagnóstico, mesmo sendo aparentemente caros, comportam custos de equipamentos, mais do que de consumíveis, os quais se esbatem com a quantidade de exames efectuados... tornando o "produto final" muito mais acessível e comportável. Além de assegurar, em termos médios, muito melhor qualidade de vida, atalhando atempadamente a evolução da doença. Ou não será?

Ora, um doente assumido, gastando resmas de medicamentos no seu dia-a-dia, garante muitos mais proventos.

Por estas e por outras é que a Saúde ser um negócio privado fede que tresanda.

A Saúde é um dos pilares do Estado Social. É, afinal, uma das elementares razões pelas quais pagamos os nossos impostos. Irá pois por bom caminho Cuba.

Quanto aos EUA vão pelos caminhos que sabemos e que não nos levam a lado nenhum.

Um grande abraço.

Maria disse...

Está tudo dito no teu texto.
Michael Moore é e será uma voz incómoda nos EEUU, mas a importância dos filmes que faz não tem limites...
É bom que ele continue a aalertar consciências e a perturbar outras....

Beijo

un dress disse...

michael é !!

absolutamente magistralmente!!

não perderei nunca filme dele. como água. /verei, portanto!/



beijO

Gi disse...

Herético

Como sempre ele põe o dedo na ferida. Mais um a não perder.

Noite feliz

António Câmara e Sousa disse...

É o progresso meu caro! Caminhamos para um futuro incerto. Começo a encarar as palavras desenvolvimento e progresso com cada vez maior apreensão. Por favor não nos desenvolvam mais.

O JACARÉ 007 disse...

O pior que os cubanos têm são os discursos de oito horas do Mestre!

Por cá o doutor Portas já vai nas duas horas!
Mas vai conseguir mais!

O bloqueio a Cuba é um crime de toda a Humanidade para com aquele povo.

Abraço.

Ciiih ;~ disse...

Sou aluna de medicina, e achei o filme incrivel, bom que mostra a verdade da saúde do mundo né. E quando alguém resolver reclamar do sistema de saúde brasileiro, o cara parar pra pensar que isso é melhor do que não ter, imagina se tratamento aqui fosse tudo pago igual lá? Faz uma reflexão mto boa esse filme, AMEI (: