quinta-feira, março 06, 2008

"Panelinhas"...

Sabem o que é “fazer panelinha”?!... Não?! Então, o professor explica. Ora, esguardai!...

Conforme as doutas opiniões do professor-comentador da RTP1, da noite de Domingo, 02.03.2008, terá havido uma “panelinha” (sem a designar como tal) entre o Presidente do CDS e o Secretário Geral do Partido Socialista, que, entretanto, foi desfeita, no ímpeto panfletário-parlamentar do deputado Paulo Portas, ao “perder o respeito” pelo Primeiro-ministro.

Fazendo fé no preclaríssimo catedrático, o compromisso seria, nem mais - tu não me chateias com as minhas trapalhadas políticas e eu ignoro as tuas minudências sócio-profissionais. E, assim, rolaria o Mundo... Esta, portanto, a panelinha entre as duas figuras públicas...

Porém, esta coisa de panelinhas tem o seu quê de regras. Deslaça-se um nó e desfaz-se toda a teia...

E o nó, no caso em questão, terá sido a circunstância do Ministro da Agricultura não estar pelos ajustes com ganância da agricultores da CAP - coutada política do CDS – sobre não sei que fundos comunitários, mas que se traduzem, certamente, em milhões de euros lançados na voragem insaciável da “lavoura” latifundiária...

Dai que o senhor Portas tenha chamado “caloteiro” (político, está bom de ver!) ao ministro da Agricultura, Jaime Silva. Claro que o ministro teve o arroubo de lembrar que ele, Paulo Portas, deve ao País explicações sobre vários casos suspeitos, que o CDS acumulou durante a sua permanência no Governo e que andam nas bocas do (pequeno) mundo português...

Gritou, então, o senhor Portas. Bateu o pé no Parlamento e, por entre anúncio de processo judicial ao ministro e alegações de “conversas de taverna”, exigiu do Primeiro-ministro que redimisse o Governo, desautorizando o senhor Jaime Silva.

O senhor Sócrates parece não se ter ficado excessivamente impressionado. E retorquiu que o senhor Portas, mais que ninguém, é dado a “conversas de taverna” e peixeiradas de mercado. Nada que o País não conheça...

Enfim, o caldo entornou-se. E, então, o senhor Paulo Portas “perdeu o respeito” pelo Primeiro-ministro. Estão a topar?!... Óbvia evidência que a “panelinha” entrou em pane, no dizer do mestre comentador...

E por aqui ficaríamos. Desta “panelinha”, para além do inevitável impulso no descrédito da política, nada de substancial que os portugueses pudessem cuidar-(se)! Enfim, a espuma dos dias que correm...

A questão, porém, é que, ao que parece, o senhor Paulo Portas é useiro e vezeiro em “panelinhas” com outra substância. De facto, os casos em que CDS vê envolvido, em razão da sua curta passagem pelo Governo, não saiem das páginas dos jornais.

E já não é apenas o “caso Portucale” e os sobreiros arrancados, ou os fantasiosos dos nomes dos mecenas do seu partido. Querem encontrar explicação sobre as razões das alterações legislativas, feitas por medida, para satisfazer os interesses do casino de Lisboa, promovidas e aprovadas por destacados dirigentes do CDS, então membros de um Governo da República...

No mínimo, como aliás tens sido feito por pessoas insuspeitas, é legitimo perguntar qual a razão de Estado que determinou o apoio ao chorudo negócio dos casinos. E quanto custou esse apoio. E saber, se no caso do casino de Lisboa, foram accionados os mecanismos e procedimentos sobre a concorrência e contratação pública.

Perguntas tanto mais legítimas e inquietantes, quando agora se conhece que as minutas de instrumentos decisivos para a decisão andaram de heródes para pilatos, quer dizer, dos gabinetes da Administração Pública para a sede da sociedade interessada, antes da assinatura do Ministro.

É lamentável, claro. Mas é esta a “moderna” forma de governação – a permanente negociação com os interesses privados, sem cuidar devidamente do interesse público e o mínimo escrutínio dos cidadãos, nem sequer dos restantes órgãos do Estado.

Porque uns senhores acham que o Estado é uma coutada ou património pessoal, que podem usá-lo a seu belo prazer...

Com franqueza, já nem sei que vos diga. Mais do que de panelinhas, se calhar trata-se de grandes caldeirões!...

30 comentários:

velha gaiteira disse...

Queridinho,

Panelinhas! Panelões digo eu!
Tu tocas sempre nas feridas !
Mas elas hão-de sempre existir!
Em toda a parte, claro (e até na minha cozinha. Só que eu facilmente as arrumo e lá fora é outra loiça).

Abração

Maria Laura disse...

Que grande imbróglio!!! Verdade é que essas panelinhas sempre existiram. Mas os fumos de corrupção que sobre elas pairam já nos sufocam, de tanto saturarem o ar. Acho que o que precisamos mesmo é de ar puro. Como lá chegar, não sei, francamente.

Templo do Giraldo disse...

http://templodogiraldo.blogspot.com/


Passem por aqui.


saudações.

Outonodesconhecido disse...

Põe caldeirões aí amigo. Isto está mesmo vergonhoso.

Nilson Barcelli disse...

No essencial concordo cotigo. Fizeste, aliás, um excelente post sobre o assunto das panelinhas...

Mas o problema de fundo são as panelinhas que o povo tem aos milhões... ou seja, vivemos numa sociedade promíscua, da qual saem as pessoas dos partidos, dos governos, etc.
Resumindo, se a sociedade fosse maioritariamente íntegra, não toleraria estas e outras panelinhas.

Como é evidente, todos os casos de que falas vão dar em águas de bacalhau. Porque há outras panelinhas que impedem que as coisas sejam julgadas de outro modo.

Cada vez admiro mais o Vale e Azevedo: foi a excepção que confirma a regra. Ou seja, esqueceu-se da panela...

Um abraço.

M. disse...

Eu estou cansada de tanta panela na cozinha, anseio por um piquenique ao ar livre, só de sanduiches e fruta fresca.

margarida já muito desfolhada disse...

tenho que passar a vir aqui mais vezes...

uivomania disse...

Era uma vez a Carochinha que ao varrer a cozinha encontrou uns euros no chão. Cheia de ânsias p'ra se casar, pensou em se enfeitar e foi comprar fitas e berloques até se endividar. Ainda assim, vaidosa, a pedir uma lição, pôs-se à janela a ver se alguém queria casar com ela.
...Mas ninguém lhe servia. O cão por fazer ão ão, o gato porque miava, o coelho porque chiava... só o João, o João RATÃO, bem falante e geitosinho lhe caiu no goto. Deram um beijo e foram casar! Mas, a meio do caminho o João, deu uma desculpa e voltou atràs, guloso, com a ideia no arroz doce que fervia no caldeirão. Àvido, debruçou-se, caíu e morreu cozido.
A Carochinha e mais o povo todo, fartaram-se de chorar.
Conclusão da estória: Nunca se deve ser tão guloso como o João RATÃO.
Conclusão da conclusão da estória: Há mesmo estórias da carochinha, Carochinhas e RATÕES.
Apêndices:
A)-Já não há panelinhas. Isto agora é mais caldeirões.
B)-A Carochinha encontrou os euros por varrer a cozinha. Os euros puseram-na vaidosa e presunçosa. Por isso, ninguém lhe servia para além do João, um RATÃO de falinhas compostas que, a ùnica coisa que queria era arroz doce.

Maria disse...

Tu já nem sabes o que nos dizer, e eu já nem sei como comentar...
A coisa está a ficar cada vez mais preta, e eu só me pergunto até quando aguentamos e por mais quanto tempo...

Beijos

hfm disse...

Como as panelinhas estão-nos a colocar em congestão não será possível governarmo-nos em autogestão?

Licínia Quitério disse...

Aquele momento em que Paulo diz que perdeu o respeito a José foi hilariante. E calote em sentido lato e caloteiro em sentido mais restrito e a alvura dos dentes de Paulo e a raiva indisfarçável dos olhos de José e...
Mas isto não é uma sit-com?

Olha, não muito fora do contexto, amanhã vou estar com aqueles horríveis professores que não querem ser avaliados. Que a mim já ninguém me avalia! Saaafa!!!

alice disse...

Boa tarde. Desculpe o comentário. Venho informar que o link do post do Piano ("de acordes especiais") tem um poema de Isabel Mendes Ferreira. Agradeço a sua leitura.

Graça Pires disse...

É o descrédito nos políticos...
Um abraço.

Justine disse...

Pois é, a única "ética" reinante é a da coutada pessoal, e todos querem caçar o mais possível. Quando algum não consegue, zanga-se com as "comadres" e lá salta o verniz...
É uma vergonha!

© Piedade Araújo Sol disse...

Pois há panelinhas e capelinhas.

Abraço

Beij

São disse...

Panelinhas?!...Caldeirões?!...
a mim, cheira-me mais a caldeiradas, sabes?
Bom fim de semana!

Sophiamar disse...

De panelinhas, jantaradas, grandes banquetes temos dado conta quando as comadres se zangam e aí vêm as verdades.E no meio disto tudo andam os dinheiros públicos, os dinheiros dos trabalhadores deste país, os pagantes dos impostos que magros salários auferem ao fim de cada mês. Até quando andaremos assim?
Beijinhossss

Peter disse...

Já agora mais uma pergunta:

- Não estará aqui a explicação para os milhares (?) de fotocópias feitas?

PiresF disse...

Que dizer que dito não tenha sido acerca das muitas panelinhas que se vão sabendo e muitas outras que ninguém sabe?...
Bem… direi que o post está muito bem esgalhado, que se lê de fio a pavio com um sorriso cúmplice e que, estes gajos, continuam a gozar com a nossa cara e não se vislumbra ainda o dia em que os poremos na devida ordem.
Gostei. Muito bom.

Abraço.

um Ar de disse...

É uma vergonha, não é?

Que políticos patéticos nós temos, sentados nas cadeiras [onde por votação de um povo, cada vez mais acrítico, lá estão, quando estão, que isto de marcar o ponto é só para a plebe...], a fazerem de conta que lavam roupa suja...

Está bom de ver que ninguém está interessado em fazer uma boa "barrela"!...

Se estivessem...
Mas há demasiados intereses e desinteresses mesquinhos e comezinhos, de umas figurinhas que defendem os seus feudos e os dos amigalhaços.

Vamos ver nas próximas eleições...
Cá para mim, assim, por baixo dos panos, ainda ficará tudo na mesma, como a lesma!...

A assembleia da república [que perdeu o direito às maiúsculas] é o lugar onde estas pessoinhas gostam de se dizer coisas e, sobretudo, gostam de se ouvir, de sorrir [rir, até, pois muito riso pouco siso], de degladiações parvas, que pouco nos interessariam se não acabassem por nos dizer respeito, já que não é discutido e aprovado o que realmente interessa.

Não sabes o que nos dizer...
Eu também não. Andamos a falar uns para os outros. Como te disse, o quantitativo importa e somos muitos poucos.

Não querendo entrar no domínio da heresia, lembrei-me de quando era pequenita. Um dia, perguntava à minha mãe [o meu pai não "se metia em políticas..."]: se apenas um quinto dos sul africanos, nativos, resolvesse acabar com um "boer", estes não desaparecerimm em poucos minutos?
A minha mãe respondia que os boers tinham filhos e matar é criminoso.
O respeito pelos valores é muito importante e há que transmiti-lo à prole.

Tive que esperar muitos e muitos anos pela solução (...?!...) diplomática e pacífica. Mas será que foi uma solução?

Os sul africanos nativos continuam a viver mal e a morrer de fome.
Os filhos dos outros tomaram o lugar dos pais e que saudades devem ter do tempo do Apartheid...

E também não tenho mais nada para dizer...


[BEIJO]

SILÊNCIO CULPADO disse...

Herético

Trata-se de caldeirões tão grandes que dão de comer a vários regimentos.

E nenhum dos partidos de poder pode vangloriar-se de não ter metido a colher, ou melhor o colherão nos ditos cujos.

Dava para fazer um livro, digno do Guiness a quantidade de cozinhados que têm sido preparados e consumidos.

Deveremos continuar a alimentar estes rapazes?

Um abraço, meu amigo.

O Puma disse...

Mas que grande caldeirão

Espero que nas próximas urnas

eleitorais

não se esqueçam do João Ratão

Jofre Alves disse...

Um país de panelinhas e de paneleiros. Um grande imbróglio e de gente sem vergonha. Quando aqueles que mandam perdem a vergonha, aqueles que devem obedecer perdem o respeito. Boa semana.

Gi disse...

Um texto com cabeça tronco e membros com o qual concordo em absoluto. Gostava de o ter escrito se queres que te diga.

Pois é meu caro, "zangam-se as comadres ...". Sabes tão bem como eu que "compadrios" existem desde sempre o grave é que agora só se sabem da sua existência quando alguma coisa corre mal para uma das partes . Correm as cortinas para o espectáculo ser privado . Não estamos cegos, não nos deixam é ver!

Um beijinho para ti , tinha saudades de te ler

Sophiamar disse...

Venho deixar-te beijinhos, reler o post e desejar-te um bom domingo!

pessoana disse...

Traz à memória o João Ratão e respectiva gula!

E aquelas bruxas de volta dos tachos!

Pronto!
Já amaldiçoámos os tipos!

Lord of Erewhon disse...

Os gajos que fazem panelinhas não são... ? :)

Abraço!

P. S. Zangam-se as comadres... até rasgam os vestidos e dizem mal da família toda! :)

Oliver Pickwick disse...

Não sabia que vocês aí em Portugal, também fazem uso do termo "panelinha".
Estas famigeradas panelinhas, Herético, há muito já entraram no código genético da espécie humana. Em qualquer lugar do mundo, o cheiro que elas espalham é sempre duvidoso, diferente daquele de manjares ancestrais preparados nas panelas de nossas avós.
Abraços!

aquilária disse...

pois, a quem faz panelinhas acontece como a quem faz cestos: quem faz uma, faz um cento.
mas é verdade que a zanga das comadres nos proporciona uns divertidos momentos telenovelescos.

enfim, só passei para deixar um abraço.

OrCa disse...

Há, pois, por aí uma calote de caloteiros a fazerem panelinha uns com os outros... Depois, das panelinhas aos panelões, é saltinho de pardal.

Haja um sector da economia que esteja bem. Dir-se-ia que o negócio, pelos vistos, está de vento em popa é para os paneleiros, que não têm mãos a medir...


!!!... Então?... Juízo! Honni soit qui mal y pense! Há algum outro nome para quem fabrique panelas?


- Desculpa lá, caro Herético, mas a tentação era muito grande... ;-