terça-feira, junho 24, 2008

Tomai e comei...

Turvam-se os caminhos. Mas do sangue
Apenas o que farejo no barroco empolgante de Coppola
Nos mistérios nocturnos da Transilvânia
Nas oníricas danças das Parcas
No mistério decadente dos vampiros
E no absoluto amor do conde de Drácula...

Fora esse
Apenas o sangue da fêmea com cio
Ou arrancado ao peito para alimento dos famintos
Ou o sangue selo secreto
Das cumplicidades da vida.

E o sangue abortado de uma flor vermelha
Ou o virginal rubor das manhãs sem nome
Que me entram pela janela...

Ou a ceifeira morta. Ou a papoila decepada...
Ou o vermelho da romã nos lábios febris do beijo
Primevo.

Fora esse
Apenas o sangue quente do vinho e do mel
Em que ondas me expludo e teimo
Longe de caminhos palmilhados...

Este o meu corpo: tomai e comei!...

25 comentários:

VEU DE MAYA disse...

Hoje é dia de S.joão e tenho impregando o caheirinho a manjericos...Ora o teu poema é vibração muito séria...Essa linha de coerência no caminho teu- longe dos "caminhos palmilhados"...parece-me tão sólida
que me merece

um caloroso abraço

mdsol disse...

Bom, mas que não haja tempo nem espaço para a frustração!
Muito bommmmmmmmm!

um Ar de disse...

Os caminhos, por vezes, são turvos, sim.
.
[E, também, não parece intimidar-te a cor e o calor tépido do sangue...]
.
Mas, terás tantos outros caminhos para palmilhar!... longíncuos, ainda, porque serão futuros!... que adio o convite, quase bíblico e espero pelas tuas novas caminhadas.
.
[Beijo vermelho da cor do sangue...]

um Ar de disse...

Rectifico: longínquos...

Leonor disse...

a ceifeira
a papoila
pessoa e cesario
lembrei-me
beijinhos

Maria Laura disse...

Bom, está claro que é hora de mostrares a tua qualidade poética. Excelente, aliás. Gostei muito de ler este poema, talvez ele próprio um tanto barroco.
Mas deixa que brinque um pouco contigo: o último que se deu assim acabou crucificado... :)

Anónimo disse...

saloio um pouco diz quem sabe thoughts on mealhada! não vale o tempo perdido

Licínia Quitério disse...

Um arroubo poético. É assim que se deve dizer, não é? Eu acrescentarei: belíssimo, pujante, desassombrado.

Nilson Barcelli disse...

Bravo.
Eventualmente controverso, mas poeticamente brilhante.
Parabéns.

Abraço.

Tinta Azul disse...

Amen.
:))))

[muito bem escrito - como sempre -. Provocante mente encarnado.]

Mar Arável disse...

CRISTO herético

no s.joão

Belo pá!

manhã disse...

primeira experiência poética! aqui no blogue! estranhos ecos bíblicos!

Sophiamar disse...

"Ou o vermelho da romã nos lábios febris do beijo
Primevo."

metáforas que saem das mãos do poeta jorrando amor.

Beijo

Carla disse...

...no calor deste sangue me identifico!
fortes estas palavras
beijos

~pi disse...

o corpo:

de si se

abre

em

si

se

ar.

.r. asa





~

Mel de Carvalho disse...

O sangue dos pactos e das cumplicidades da vida. O sangue rubro da papoila decepada...

De heresia à profecia, por onde passam os caminhos palmilhados?

"E o sangue abortado de uma flor vermelha
Ou o virginal rubor das manhãs sem nome
Que me entram pela janela..."

Excelente!

Abraço

bettips disse...

Há então momentos de muita nudez. Na alma.
Encanta-me a versatilidade (que não a "flexibilidade"...).
Abçs

Maria P. disse...

Magnífico!

Beijinho*

mariam disse...

bem... p`la excelência, difícil de comentar, digo, não precisa sequer ser comentado...
"Em que ondas me expludo e teimo"...pois, continue nessa bela "onda"

resto de boa semana

um sorriso :)

O Puma disse...

Um poema para pensar

Não lhe conhecia a veia.

Força.

casa de passe disse...

também andamos numa de poesia

(Loulou + Nini sem o João e a Fininha)

jawaa disse...

Gostei muito.
Abraço

Graça Pires disse...

"virginal rubor das manhãs sem nome
que me entram pela janela..."
Um excelente poema.
Um abraço.

jrd disse...

Como que uma liturgia do sangue. Muito bom!
Abraço

M. disse...

meu caro romeiro herético, os teus beijos são tão giros :)
ando com metade da cabeça noutros mistérios..

escrita de sangue.
tomai e comei... isso é uma sugestão? ;)

beijo para ti