quinta-feira, julho 24, 2008

Marmoto de Alma...

É bom sonhar bandarilheiros de flores nos cornos da vida
E o sangue apenas mistério iniciático de donzelas...

É bom colher o pão nas manhãs frias em toalhas de linho
É que as espadas sejam apenas bainha ou rendilhados
Em feminis mãos de ternura plena e crochet de afectos...

Bom seria que o poema fosse apenas canção; e a canção
Fosse aurora de luz plena em cada canto onde se respire
E que os homens não matassem e as sirenes fossem sinos
De uma Páscoa em todas as línguas por igual seu mistério...

Mas carregamos o destino de montanhas milenares e frias
Que abrem fendas em cada passo e explodem vulcão de fogo
Escondido nas catacumbas da dor e na violência do medo...

Quem justifica a morte? E no entanto a carregamos como filha
Às costas sem que sejamos mártires mas apenas homens...

Que me importa el matador? A espada negra a todos sacode
E gregários apenas nos une a dor passageira; sem outras dores
Nem outras fomes que não a nossa: marmoto de alma(s)...

31 comentários:

Maria disse...

É um sonho, mas é muito bonito....
Gosto deste teu jogo de palavras.

Deixo beijos
e beijos

Oliver Pickwick disse...

Prezado amigo, a última vez que estive aqui, a Europa ainda era socialista. Hoje, a Alemanha ovacionou o Barack Obama, general-supremo do famigerado neoliberalismo.
Tem de publicar mais poesias, pois o seu talento para os versos cresceu demais para limitar-se à publicações bissextas.
A falta de tempo me deu um refresco. Volto para ler mais.

A fructibus cognoscitur arbor

Um abraço!

Licínia Quitério disse...

Quem justifica a vida? Talvez por aí...

Beijos.

dona tela disse...

Voltei!!

Já tinha saudades.

Graça Pires disse...

"Bom seria que o poema fosse apenas canção" Mas quem justifica a morte e tudo o resto que nos cerca?
Um abraço.

um Ar de disse...

Seria um grande pretexto para nos sentirmos, mesmo, gregários...
.
Mas, tal como a dor é, apenas, nossa... [e daqueles, que por amarmos, nos fazem falta],
assim parece ser a morte...
.
Reviramos os olhos para um umbigo próximo. Não estará na natureza do homem comum amar o todo... é demasiado vasto... assustador!
.
Babel...
.
[Beijo...]

vida de vidro disse...

Vida e morte estão irremediavelmente unidas. Como tristeza e alegria, guerra e paz. Todas as dualidades que nos acompanham neste caminho efémero. Sendo que, no pior, estamos quase sempre sós.
Bom seria que o poema fosse apenas canção...

jrd disse...

De outro mundo, é bom sonhar a alma.

Carla disse...

Um marmoto de palavras
belo
beijos

Justine disse...

Bom seria, mas para além de canção tem de ser arma. Ainda. Ou sempre...

Nilson Barcelli disse...

Também o teu poema é bom.
Eu gostei, e muito.

Bom fim de semana, abraço.

~pi disse...

sombras

que às vezes

no verão

podem ser

tão

le ves



~

Mariz disse...

Salvé Herético
Passei para justificar a morte...porque é perene
Passei para enaltecer as Páscoas...pelas remissões tantas sem vigilancia
Passei para para deixar o soar da ausência...pelas fugazes palavras
Passei....
Até sempre

Mariz

Marinha de Allegue disse...

Binomio ensamblado...

Unha aperta.
:)

M. disse...

Sonhar não faz mal, mantém-nos acesos. Belo e nostálgico o desejo de voltar a um tempo que não existe, cheirar o pão, a roupa lavada, sentir-se cheio de corpo e alma, esquecer o resto do tempo como se fosse um cárcere seguindo-nos onde quer que vamos.. que importa el matador? É deixá-lo, afinal nunca ninguém lhe viu a cara...


beijo

M. disse...

PS: é verdade,estamos no fim de semana.. onde pára o zeca?

:)

pensas que esqueço?

São disse...

É uma heresia não nos brindares mais vezes com a tua poesia.
Bom fim de semana.

Frioleiras disse...

um idealista,
tu...



bjnhs

mariam disse...

gostei muito.
esta poesia é um "tornado" de emoções... parabéns!

bom fim-de-semana
deixo-lhe um seixo rolado (escolha a cor)
um sorriso :)

Sophiamar disse...

És poeta, és escritor, és um excelente cronista, és um brilhante homem de letras.

Bem hajas!

Beijinhos

Klatuu o embuçado disse...

Anda-se a desperdiçar um poeta... :)

Abraço.

Vieira Calado disse...

Um belíssimo poema, meu amigo!
Em forma e em substância.

Um forte abraço.

RESSACA disse...

Quem conhece a sua ignorância revela a mais profunda sapiência. Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão.

Tinta Azul disse...

Muito bom.
:)

batista disse...

“Bom seria”... bom é, meu Amigo: que existas! – e em existindo, a partilha assegurada: de afetos, solidariedade, versos a mancheias!!!
Um abraço fraterno

Aleph Borges disse...

Muito obrigado por visitar o meu blog. Grande abraço do Alexandre Bonafim.

Cristina Correia disse...

Deixo um abraço amigo.
Admirável… «Bom seria que o poema fosse apenas canção; e a canção
Fosse aurora de luz plena em cada canto onde se respire
E que os homens não matassem e as sirenes fossem sinos
De uma Páscoa em todas as línguas por igual seu mistério...» Bj grande.

hfm disse...

Ressonâncias doridas mas não menos poéticas; atente-se em:

"e a canção
Fosse aurora de luz plena em cada canto onde se respire"

mdsol disse...

depois de tantas palavras acertadas resta-me um rasgado
:))))))

Miosotis disse...

... tu supreendes-me mesmo!Embora, me tenhas já afirmado que tu próprio te supreendes :)

Um poema denso, forte, nem sei muito bem como comentá-lo!
Prefiro deixar meu olhar 'mudo'...

Sensibilizada pelo teu olhar em 'fragmentos'! Sempre amistoso e atento!

Um beijo,

Mariz disse...

Heretico

Passei novamente porque acho este poema belíssimo e ainda - caso aceite, ofereço o meu award - embora simples e ingénuo - antes de me ir embora férias.
Mas´, tem outro ainda: este chama-se "prémio Dardos" - foi-me atribuído segundo alguns critérios e o mesmo deverá ser feito a 13 blogs á sua escolha.
Esse award, encontra-se na faixa da direita junto a outros que recebi.
Espero então, que ambos venham consigo.
Abraço
Mariz