quarta-feira, outubro 22, 2008

São de bruma os tempos...

São de bruma os tempos e de barcos
Destroçados...

A Coruja de Minerva em voo nocturno
Agita-se nos pináculos
E os escravos nas galés embandeiram seus gemidos
Como hinos...

São de bruma estes tempos...
Apocalípticos...

Cães devoram-se nos restos
E os sacerdotes queimam as vestes
E cobrem-se de cinzas
No interior das praças...

E a cidade treme...
São de bruma os tempos!...

Nos céus baralham-se as estrelas
E as bússolas
Rasgam o norte no ventre das pedras
E na sede dos homens
E nas sarças
E no cume das montanhas...

São de bruma os tempos!...

E no olhar azul da criança famélica e nua
E na enxada de esperança
E nas torrentes profundas da memória
E nesta safara...

E no sol encoberto ainda desta aurora
E no vento de todas as profecias
E na insubmissão do grito
E ardor de todas as batalhas.

Planto a dor de minha árvore e minha palavra
Avara...

E a fecunda claridade dos tempos...

........................................................................

Um breve intervalo. Regresso logo, logo...

Beijos e abraços.

25 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Heredito

São de bruma estes tempos. Mas, por entre a bruma, a força dum poema pode deixar um rasto de luz.


Abraço

rosasiventos disse...

chove chove em mim secamente

raspanete de deus ladainha tridente

[ messa di voce raining balls

margarida já muito desfolhada disse...

e onde fica a esperança?

Maria disse...

Façamos dos tempos de bruma yempos de luz e sol, muito, tanto sol!
Aceite o intervalo. :)))
Até logo, logo.

Beijos

Marinha de Allegue disse...

A bruma non permanece quieta móvese e desfaise no aire, móvese co vento...

Unha aperta.
:)

Graça Pires disse...

Sim, são de bruma os tempos...
Planto também " dor de minha árvore e minha palavra
Avara..."
Um abraço.

M. disse...

Gosto muito, Herético.

Véu de Maya disse...

belíssimio e actualíssimo...meu caro, herético...não demores...
abraços

M. disse...

Que se levante a bruma o mais depressa possível e os tempos se apaziguem.

beijo

vida de vidro disse...

São de bruma, mesmo. Descobrirá o sol, nestes tempos? **

mdsol disse...

vai e volta.
Sempre muito bons os teus poemas!
.)

pront'habitar disse...

A avara palavra, quiça a mais preciosa.

hfm disse...

no intervalo te lemos.

Peter disse...

Volta breve!

Se publicasses um livro, corria a comprá-lo. Poemas de dor e revolta, ao meu jeito.

"São de bruma os tempos!..."

Mar Arável disse...

Tens razão

é preciso

mudar este ciclo de marés

Brumas brumas

vá poeta pega na faca

e rasga-lhe o ventre

mariam disse...

Poeta,

e a esperança
e a garra de mudança
onde estão?!
estão aqui, neste soberbo poema e noutros gritos que virão, pois então...

bom fim-de-semana
um sorriso :)

mariam

mariam

Nilson Barcelli disse...

Bem... depois deste excelente poema mereces o intervalo...
Enquanto isso, nós, os escravos, continuaremos a remar para manter as galeras no seu rumo...
Abraço.

jrd disse...

Espantoso!
Como se fecundasses a esperança com o poema.

Leonor disse...

as profecias dizem que ha um tempo de vacas magras e outro de vacas gordas. já vivi esses tempos alternados.
beijinhos

Tinta Azul disse...

Volta da bruma.
Traz a claridade.
Que uma sem outra não tem sentido.
:)

OrCa disse...

São de bruma os tempos. Que a (tua)palavra os ilumine.

Um grande abraço.

São disse...

São de bruma os tempos..e de cinza e de dores, também.
Regressa rápido, que a tua luz é muito necessária!
Um abraço.

Oliver Pickwick disse...

Se não fosse pela "E na insubmissão do grito / E ardor de todas as batalhas", acreditaria que era o fim dos tempos.
Poesia atemporal.
Um abraço!

~pi disse...

brumas de ciclo lento

[ dor de ser

neste tempo


beijo


~

O BAR DO OSSIAN disse...

O BAR DO OSSIAN agradece o apoio.

Bem-vindo!

Abraço lusitano!