segunda-feira, outubro 13, 2008

Vôo de Tejo sem asas...

Vôo de Tejo sem asas. Nem de velas.
Nem de partidas. Ou de mil desmedidas
Chegadas...

É de névoa o horizonte em que me despenho...

Ousamos o que sabemos nos passos
Que não damos. E ficamos...

Não mais Pirâmedes
Corroídas. Areias do deserto.
Vento suão de mil enganos.
Não mais Nilos...

Quem de Helena, tróias?!
Quem tece o rosto de Penélope
Em meus dedos?

Que romanos, que glórias?
Que Cervantes? que mistérios?
Que Machados? que Castelas?
Que sêdes de mil anos?

Torrentes de água pura
Nerudas. Índios. Neves de montanhas.
Meu sangue fervendo no gelo das estepes...

Quem me arde nesta dor?
Que sal? Que mar? Que guindastes? Que pimentas?
Que Bandarras? Que poetas?
Que Vieiras?

Camões de luto. Jangadas. Capelas imperfeitas
e Pessoa no proscénio...

não mais heróis
não mais ilhas
nem míticas profecias...

E no entanto este Povo
Este olhar desamparado que queima em cada gesto

E este fado. E este fardo...

34 comentários:

As Sombras de Fim do Dia disse...

tens um pequeno miminho lá no meu tempo....

e mais uma vez me perco nas águas do tejo que voa, sem asas, nas tuas palavras...

Maria disse...

Belíssimo vôo...
(e no entanto este Povo!)
(ousamos o que sabemos nos passos que não damos)
E a Revolução é agora....

Um beijo
e outro beijo

Tinta Azul disse...

Gostei muitíssimo.

"Ousamos o que sabemos nos passos
Que não damos. E ficamos..."

Vamos? Somos?

Bjs

Peter disse...

Belíssimos versos e não estou a bajular, é o tipo de versos de que gosto. Já não estou em idade de rodriguinhos.

Aquele forte abraço!

P.S. - Penso que gostarias de ler a resposta que dei ao teu comentário. Se puderes passa por lá, aquilo está aberto ao diálogo. Mas não me batas.

Maria P. disse...

Soberbo! Explêndido...

Beijinho*

vida de vidro disse...

Sem asas? Não, este poema tem asas e voa alto. E no entanto este Povo...
Quando for grande, quero fazer poemas como este. :) Entretanto, é a minha vez de também te deixar um "miminho". Está lá do outro lado, no Vemos, ouvimos e lemos. **

Frioleiras disse...

um abraço .......voando...

por aqui!

mdsol disse...

Oh Herético...começo a repetir-me... mas o menino posto a escrever... Parabéns. Gostei muito. Mais uma vez!

Mar Arável disse...

Camões de luto

a arder nas jangadas

e nós aqui

a soprar velas

como se fossemos pássaros

em tempo de caça

Grande abraço poeta amigo

Bandida disse...

"É de névoa o horizonte em que me despenho..."

....

sem asas...

Véu de Maya disse...

" Este olhar desamparado...E
este fado.E este fardo..."
-Que destino, dantes leve, e agora tão pesado?!

Excelente e tocante...

abraços poéticos

Oliver Pickwick disse...

Data venia, nobre amigo, intimo-o a reunir as suas poesias em algo conhecido como livro. Grandes escritos!
Um abraço!

hfm disse...

Belíssimo!

Eremit@ disse...

"...olhar desamparado que queima em cada gesto..."
sente-se. fica em nós com o sentido total das vidas que vivemos e conhecemos.
Por favor passa no Eremitério. No post de hoje, 14 de Out. há algo para ti.
Fraterno abraço.

mundo azul disse...

Parabéns pelo poema!!!
Gostei muito!


Beijos de luz e o meu carinho, poeta...

pront'habitar disse...

aqui, em poesia, não se brinca.
e parece que em outros campos também não...

~pi disse...

fardo fado sobrepostos.

belo.



beijo



~

Vieira Calado disse...

Este fado... e este fardo!
E assim nos vamos enfardando...
cantando rindo...
que parece que é a única coisa que este povo sabe fazer.
Parar para reflectir?
Faz doer a cabeça!...
Um abraço

Licínia Quitério disse...

De tanto chorar asas que tivemos só nos pensamos penas, penas..

Este choro pequenino já me cansa.

A tua poesia não.

Alvarez disse...

É isso caro "Herético"... parece triste fado este "nosso" fardo...

Alvarez

um Ar de disse...

Ete poema...
... este poema é uma epopeia!...
... triste e heróico...
ao mesmo tempo.
.
[Beijo...@]

jrd disse...

Ah Poeta! Enorme!
A tua poesia é estar aqui,no que somos, mas de pé!

Nilson Barcelli disse...

Este teu poema roça a perfeição (que não existe...).
Gostava de ter sido eu a escrevê-lo, mas a tanto não chega a minha arte e engenho...
Abraço.

Sophiamar disse...

Esta poesia tem asas, tem velas, tem ventos, tem passados, tem presentes, tem sentires...

Excelente, amigo!

Poeta! Dos bons!

Fizeste-me lembrar um poeta, cujo cansaço não me deixa recordar.

Beijo

SILÊNCIO CULPADO disse...

Herético
Digo, e digo com sinceridade e não para fazer bonitos, que escreves poemas maravilhosos, duma profundidade e erudição imensas.
É preciso muita sensibilidade e grandes olhos para olhar em volta e conseguir dizer tanto e tão bem.

Abraço

maria disse...

"Quem me arde nesta dor?"
Talvez esse "rouxinol sem asas" que habita a minha noite todos os dias...
Belíssimo (como sempre...)
Beijo

hfm disse...

Na Linha de Cabotagem há algo para si.

Graça Pires disse...

"É de névoa o horizonte em que me despenho"...meu sangue fervendo no gelo das estepes...
É fado é fardo.
Este olhar desamparado que queima em cada gesto"...
Podia citar o poema todo porque o achei fantástico. Obrigada.
Um abraço.

Carla disse...

de fado se faz a história deste povo...como que uma desconstrução da nossa história neste teu poema...forte...obriga-nos a partir em busca de asas...
beijos

M. disse...

Pois, é sina do povo.
quanto a ti cala o bico e carrega lá esse fardo como toda a gente..
andor! p'ra frentiii

bisou

rosasiventos disse...

aa (a





lu a a lu xxxxxxxxxx()xxxxxxxxxx

© Piedade Araújo Sol disse...

o poema está muito bom. e bem à maneira portuguesa, tambem fala no nosso fado...ou fardo...

gostei muito!

Ant disse...

às vezes é muito pesado este fardo.
Abraços

Stella Nijinsky disse...

Acho os teus poemas cada vez melhores,
adorei o último verso!

Stella