sexta-feira, março 06, 2009

Náufrago de palavras...

Abrem-se os braços à colheita - nem rosas, nem cardos.
Breve o desfilar dos dias em que me planto nas palavras.

São beijos? São afagos?

São glórias passageiras a baterem como asas
Que voando se despenham...

Quem por mim as toma? Quem as agarra?
Nada quem as queira. Apenas o sussurrar
Quente da cigarra. Apenas o vento
E o logro em que inúteis se desenham...

Neste mar de brasas em que ardo
Nesta fome de lonjuras em que me fito
São as palavras tudo-nada. Barco sem remos de meu grito...

Náufrago das palavras em que me jogo:
- Amores sem tempo nem memória. - Nas palavras me dou
E em amores me finjo.

Que amando sou. E em palavras minto...

27 comentários:

O Puma disse...

Poeta

também tu um fingidor

que muito estimo

Vai por aí

Abraço amigo

Frioleiras disse...

Um abraço amigo
(sobre uma poesia ......linda)

Vieira Calado disse...

Outro,

a ajuntar a outros belos poemas

aqui produzidos!

Um abraço

Maria disse...

Belíssimo poema!
Deixaste-me sem palavras!

Beijos. e mais beijos

Cata-Vento disse...

" O poeta é um fingidor..." mas nem por isso as suas palavras deixam de encantar aqueles que tanto apreciam esse género literário. E o teu talento, amigo, quer para a prosa, seja ela ensaio, crónica ou de outro tipo qualquer assim como a poesia deixam-me encantada.
Que a mão nunca te doa nem a voz te falte.

Com afecto, deixo beijos.

M. disse...

Belíssimo.

Arabica disse...

Tempo de náufrag(i)os.


E a Poesia sempre aqui.


Onde nos agarramos, ferro anti convulsão.


Bom sábado, Herético.

mdsol disse...

Mais um excelente poema!

Parabéns! Ah! E o blog fica riquíssimo com eles! Digo eu....rsrsrs

:)))

Véu de Maya disse...

enternedor e tocante, meu caro herético...poesia profunda e bem encantatória.

abraços,

véu de maya

mariab disse...

as tuas palavras são certamente tudo. pois não dizemos a verdade, mentindo? belo, belíssimo poema.
beijos

Tinta Azul disse...

As tuas palavras

ondas de maré-viva

a rebentar em espuma branca

e tu naufragas bem ancorado nelas.

:)

Camila disse...

"... em que me planto nas palavras"

palavras descarnadas da terra pelas canções do vento

palavras mantos de luz

Bom Dia

mariam disse...

POETA, Herético,

fantásticas palavras... sempre :)

passei para desejar que tenha um dia (que 'dizem' ser da Mulher!) muito Feliz! seguido de muitos outros não menos fantásticos!

deixo um abraço, o sorriso de sempre e saudades!
mariam

Peter disse...

"Neste mar de brasas em que ardo
Nesta fome de lonjuras em que me fito
São as palavras tudo-nada. Barco sem remos de meu grito..."

As "palavras", sobretudo escritas, condenaram-nas à morte...

isabel mendes ferreira disse...

em palavras mil se desmente a própria vida.


que sendo tanto naufrágio tb pode ser ponte. como a que deixa aqui.

no sentido múltiplo de quem sabe delas. as palavras. que resistem.
pelo seu punho.


abraço. M.

Graça Pires disse...

"São as palavras tudo-nada. Barco sem remos de meu grito..."
Gostei mesmo. Um abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

fiquei rendida...

este poema tem passagens muito bonitas.

parabéns!

triliti star disse...

E em palavras minto...

porque para isso também as palavras servem, para nos escondermos em vez de nos mostrarmos.

audrey disse...

'amores sem tempo nem memória......'

quando sentimos secar o amor a seiva deixa de alimentar a nossa alma e a memória apaga-se dela.

é esta a verdade, sim...

dona tela disse...

Olhe, Senhor Herético, mesmo que minta, até apetece ficar aqui a ler coisas tão românticas. Ai, ai...

Respeitosas saudações.

~pi disse...

belo-muito belo!

( tanto que tenho voltas dadas

sobre as coreo-gra-fias circulares

das palavras

sobre os seus enganos

sobre os seus perfis de nada

sobre as suas insidiosas

máscaras!


,,,



beijO



~

vida de vidro disse...

Então naufragaste em beleza. "Que amando sou. E em palavras minto...". Assim ou vice-versa. As palavras são a verdade e o disfarce. O amor também.
Belíssimo. **

Menina_marota disse...

Finalmente... finalmente... O Poeta que (re)conheço está aqui em pleno!


"...Náufrago das palavras em que me jogo:
- Amores sem tempo nem memória. - Nas palavras me dou
E em amores me finjo.

Que amando sou. E em palavras minto..."


Deixo um beijo sedento dessa poesia que aquece a minha alma. :-)

* hemisfério norte disse...

tal como o poeta
também eu me finjo em palavras

depois olho o espelho
e procuro-me

bj
a.

São disse...

Um dos teus mais conseguidos textos, pelo menos para mim...
Um abraço.

Graça Pimentel disse...

Vim bisbilhotar. Li o poema. Voltei a lê-lo, desta vez em voz alta. Fiquei rendida.

Um abraço

Cristina Correia disse...

Para Ti: Tu, poeta, és o enlace entre a alma e o humanismo, a única e singular assinatura do mundo - o respeito, o afecto e amizade que damos uns aos outros. Gosto de Te Ler...

Poeta
Tu sabes, não sabes!
Como, por vezes,
(...)
uma rosa, uma quimera
é, por vezes, um murmurar
de silêncios…
que só ao poeta lhe é dado
o condão de decifrar.
(...)
sonhos adiados, escondidos
risos e lágrimas que desaguam
junto do rio,
um fio de memória.
(...)
Ah! poeta
Tu sabes, não sabes!
Como, por vezes,
é difícil fazer o sol brilhar.
cerne e o verso