segunda-feira, maio 18, 2009

Esculpindo um tempo pregoeiro

Estamos aqui no centro.
Que as margens são mera circunstância...
E tu foste mais que desfiladeiro
Ou passagem secreta de cavalgadas
No olhar da águia o abismo é alimento
E a vertigem voo...

Gesto de cristal puro
Onde mora o brilho solar dos dias
Que os homens inscrevem talvez sem o saberem
Como meta no quotidiano de cinza...

Dizem-te derrotado no licor dos elogios
Como se tu fosses história apenas
Mal sabendo eles que a tua força
Não tem destino à vista...

E lá onde o coração bate e o fogo se atiça
Como forja do tempo onde a palavra se faz arma
(E a lágrima poema) aí onde ombro com ombro
O suor das sementeiras e os cânticos se misturam
Desenha-se teu rosto e revive a pedra esculpida...

E no limite das horas pregoeiras
Outros homens e outras mulheres
Para além de ti gigantes de teu exemplo
Darão vida estreme à tua vida...

27 comentários:

Maria P. disse...

Mas que regresso!

:)
Beijinho*

mdsol disse...

:))

isabel mendes ferreira disse...

quase gregoriano!




belíssimo de escultural. o discurso.



beijo.

Paula Raposo disse...

(e a lágrima poema...). Gostei muito. Beijos.

Licínia Quitério disse...

O pregão dos sinais que se pre(sentem). Estrondoso este teu som, Poeta.

Beijo.

Auréola Branca disse...

Isso! Outras vidas vivem de ti...
Maravilhoso!!!

Abraços saudosos.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Herético

Como não gostar deste poema? A força que irradia e que nos fala doutras forças....
Ressalto esta passagem belissíma:

"Dizem-te derrotado no licor dos elogios
Como se tu fosses história apenas"

Abraço

Mar Arável disse...

Que viva

pungente

a tua poesia

Se me permites

grito contigo

nas minhas marés

Frioleiras disse...

(por onde tens andado?...............)


adoro esculturas
adoro verbos, esculturados

assim.................

Carla disse...

feliz com o teui regresso...e com as palavras deste tempo que entra em nós
beijos

Peter disse...

Regressaste em forma:

"E lá onde o coração bate e o fogo se atiça
Como forja do tempo onde a palavra se faz arma
(E a lágrima poema) aí onde ombro com ombro
O suor das sementeiras e os cânticos se misturam
Desenha-se teu rosto e revive a pedra esculpida..."

São disse...

Um regresso pleno de força!
Fico muito contente por isso!
Grande abraço.

mariam disse...

Herético,

um poema impressionante!

gostei tanto!

um grande abraço e o meu sorriso :)
mariam

© Piedade Araújo Sol disse...

um regresso bem inspirado.

e, de vez em quando sai um poema, e que belo poema!

beij

Arabica disse...

Esculpe-se assim o destino,

nas vidas que tardam a chegar.



Um bom fim de semana!

Oliver Pickwick disse...

Muito além de um tempo esculpido; mas, um espaço-tempo cheio de estrelas que não se apagam jamais.
Um abraço!

Marta disse...

gostei tanto.tudo.íssimo.

maria m. disse...

poema de grande intensidade. gostei muito.

beijo.

OrCa disse...

Sabes mesmo o que eu gostava? Era que tu pegasses em ti e neste teu poema e fosses ter comigo, no próximo dia 28 de Maio - vê lá tu! - à Associação 25 de Abril, em Lisboa, pelas 18h30.

Espero amigos, muitos, mesmo aqueles que «não têm jeito nenhum para a poesia», mas que sabem que o sonho comanda a vida... ;-»

Um grande abraço.

Fragmentos Culturais disse...

... uma belíssima ode a um país que precisa de novos bardos. Tu!

Um beijo,
Sensibilizada pelo afecto,

~pi disse...

belo de

fulgor

convicção

e

>>> expan são >>>



beijo




~

mariab disse...

as tuas palavras é que são de cristal puro. este é um poema de homenagem, certamente. a quem, só é de importância para o poeta. a beleza das palavras, essa é importante para todos.
beijos

Tinta Azul disse...

sempre cheias de força
as tuas palavras esculpidas
com mestria

:)

Mel de Carvalho disse...

"Dizem-te derrotado no licor dos elogios
Como se tu fosses história apenas
Mal sabendo eles que a tua força
Não tem destino à vista..."

Não tem de todo, Herético. A força da sua poesia, do seu ideal, perpetuar-se-á muito além da sua, que desejo longa, muito longa, existência. A sua poesia reflecte a verticalidade de um homem perante o entorpecimento e o baixar de guardas de tantos.

Para além da qualidade a mensagem, e disso sou-lhe solidária e grata.

Abraço fraterno e amigo, bom fim de semana

Mel

vida de vidro disse...

Belíssimo poema. Afinal, a isso já nos habituaste. Há nele uma força intrinseca, para lá do cinzento quotidiano. Bom fim de semana. **

A Casa da Buganvília disse...

Gosto do teu blogue.
Tem um bom domingo.
Um abraço

Véu de Maya disse...

escultura poética no granito...enorme, Poeta.

abraços