terça-feira, junho 02, 2009

A última bênção...

A tua bênção, Pai
Antes que as margens se afastem infinitamente
E o rio seja o turbilhão de lava
Frio de nada...

Calo a lágrima
E beijo a terra na ubérrima mão
Do que por ti fomos
E das lonjuras que logramos...

Na flor tatuada dos dias
E na vara do tempo onde gravamos solstícios
E os nomes
E as sombras
Entrelaço a folhagem do carvalho
Em tua fronte
Como templo...

E soletro o frio
E a amargura da Hora
E calo o peito...

E ergo-me
Medianeiro
Encruzilhada de torrentes e dos invisíveis fios
E da seiva que somos...

E evoco os caminhos
E a voz do sangue
E os passos que são
E os passos que se anunciam...

E solto tuas bênçãos
Na carne da minha carne
E no sorriso da criança com teu nome

António.


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Peço compreensão para a minha ausência.

21 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Excelente poema.
Mas não sei quem é o António...

Caro amigo, as tuas ausências, mesmo sem saber os motivos, serão compreendidas.

Volta bem, abraço.

Marta disse...

gostei!


ps. toda! aliás, eu tb preciso dessa compreensão :)

mariab disse...

medianeiros entre o que fomos e esperança do sorriso duma criança. exactamente o que somos. dito com a beleza da expressão poética que é habitual por aqui.
beijos

Maria disse...

Não tenho palavras para ti.
Nunca as tenho, nestas situações.
Deixo-te um abraço muito apertado, e um beijo triste...

Isamar disse...

Um poema sublime mas perpassado de tristeza. É assim que o entendo. A última bênção pressupõe uma partida, a perda de alguém e, neste caso, de alguém que foi e será sempre muito querido. Com ele partiu um bocado daqueles que o amaram.

Aguardo o teu regresso. Ando por aqui.

Bem-hajas!

Beijos

Licínia Quitério disse...

Abraço-te, medianeiro do sangue que flui de nome a nome.

Que a Poesia te ajude a vencer a hora vazia, Amigo.

Mel de Carvalho disse...

Meu estimado amigo,

só lhe posso aqui deixar o abraço maior e a solidariedade de quem há bem pouco tempo passou por igual situação.

E, porque as palavras me fogem, apenas lhe digo que, em cada lugar que com eles partilhamos os encontramos... ainda há minutos desci ao andar de baixo, agora vazio, e lhes dei os meus bons dias, afagando com um olhar o espaço em que eles foram carne e vida e eu, sua filha, aprendi a ser gente.

Um fraterno beijo, se me permite, Herético.

Mel

Paula Raposo disse...

Gostei do poema! A tua ausência está desculpada...beijos.

hfm disse...

Um abraço com tudo o que fomos construindo neste espaço e nestes tempos.

OrCa disse...

Não quero, sequer, parar em causas de ausência. Dela fica-nos a memória. A nossa, exemplar, motivadora... que pode ressaltar na forma de um poema.

Um abraço solidário.

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema excelente.

as ausências mesmo que nao desejadas, por vezes são precisas.

um beij

vida de vidro disse...

Custam-me as palavras nestas horas. Talvez porque as senti na pele cedo demais. Um abraço e um beijo, com toda a solidariedade que este meio permite.

lino disse...

Um abraço solidário.

São disse...

Que na flor tatuada dos dias, resssurja , breve , a tua presença.

Beijos.

Mar Arável disse...

Estou contigo

num abraço

que se me permites

é uma transfusão de sangue

fraterno

jrd disse...

Sinto este poema como se meu fosse.
Quem sabe se as razões recentes são as mesmas.
Um grande abraço

escarlate.due disse...

beijooooooooooo

um Ar de disse...

Estes laços
... paternais
... maternais
... filiais
são
o sangue
do tempo
que passa...
.
Que regresses!
.
[Beijo@]

Maria P. disse...

Lindo.

Beijinho*

~pi disse...

até já, amigo,

que todos os vazios

se enchem

[como antónio

ser antónio outra vez,




beijo




~

mundo azul disse...

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Muito lindo esse poema!!!


Beijos de luz e uma semana feliz, querido amigo!


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