terça-feira, março 16, 2010

Vórtice de sede...

quando o sonho se incendeia e as chamas bruscas
evocam os ventos inquietos da memória

e o som de rios caudalosos
e as margens submergindo as montanhas
e o chamamento que se abre no eco
o nome é grito
das aves na ventania...

quando os lagos se abrem em comportas
e distantes barcos buscam o mesmo norte
soltam-se as amarras e as velas
são as noites vigilantes no negrume
das vagas...

desagua então nos olhos
o ameno porto e a enseada do corpo
e a dor sofrida de todas as tempestades
como se o seio virginal fosse vórtice de sede...

22 comentários:

hfm disse...

E que vórtice, meu amigo!

Paula Raposo disse...

Que beleza de poema! Adorei! Muitos beijos.

jrd disse...

Lindo!
O turbilhão que leva à serenidade.
Abraços

© Piedade Araújo Sol disse...

a serenidade ou o desaguar das palavras feitas poema.

belissimo.

beij

Mel de Carvalho disse...

Caríssimo Herético,

quando, generosamente, me apelidam de "poeta", me convidam para, no exercício de um dom menor (o meu) ir aqui ou ali, falar sobre (e ler) os meus modestos poemitas, e,depois venho aqui, e a outros lugares onde a palavra desabrocha serena e viva, fico, devo confessar, constrangida e inquieta...
"Valha-me a Santa" diria uma amiga minha (sei que é "herético", tenha lá um poquinho de paciência com estas minhas "beatices"). rsrs

Mas é que penso: como posso eu, Mel, uma modesta e mínima "coisinha" falar sobre poesia, se existem, contemporâneos valores como o seu?

Bem-haja, Herético. O senhor É UM POETA de verdade!!!

Fraterno abraço da Mel

MagyMay disse...

Desaguam aqui, rios caudalosos...

Tens umas "estrelinha", ora não?

Um beijo, admiro-te!

lino disse...

Lindíssimo.
Abraço

O Puma disse...

Incomensurável

Abraço amigo

Graça Pires disse...

Quando os barcos soltam as amarras procuram desesperadamente uma praia
para que as dunas lhes inventem a sede...
Um belo poema, amigo.
Um beijo.

Maria disse...

Belíssimo este poema! Adorei este desaguar nos olhos...

Beijos e beijos

São disse...

Muito bonito, verdadeiramente!

Um bom final de semana, Poeta.

João disse...

Olá Pai!

Vou-te confessar um segredo...
Tenho dias em que inundado pela insignificância das coisas do meu quotidiano espreito o teu blog...E muitas vezes a sua leitura funciona como um reavivar da alma...Foi o que aconteceu hoje! E através dele vou conhecendo melhor o meu Pai. Continua a escrever, porque assim vais encurtando todas as distâncias em nós...

Um beijo para ti! Feliz dia do PAI!

João

alice disse...

gostei muito, heretico. um grande beijinho.

mundo azul disse...

_________________________________


...lindo, lindo, lindo!

Não se le todos os dias, poemas assim...


Beijos de luz e o meu carinho!!!


_______________________________

Vieira Calado disse...

Olá, meu caro!

Muito bem composto e encadeado, o seu poema!

Um abraço

gabriela r martins disse...

excelente este "mergulho" nas águas mansas do poema




.
um beijo

Virgínia do Carmo disse...

Suponho que a sede nos leva mais longe...

Abraço

lis disse...

Incêndios por aqui ,heretico Muitos redemoinhos.

Mais bonito que a sua poesia só o comentário de um menino João, que gostoso de ler!
tenho mania de ler os comentários .E esse nao resisti, está hiper hiper grandioso
abraços

~pi disse...

correndo linhas
de seda

subindo fumos
...até,





~

Licínia Quitério disse...

Uma sede inominável de quietude e claridade. Arrebatador o poema. Beijos.

maré disse...

quando a noite traz pela cintura
o litoral dos ventos
e a tempestade da memória
há uma boca que desperta do sono
e nos sacode a pele
____ até à flor da sede.


beijo, em litorais serenos

Véu de Maya disse...

Que grande voo...profundo e subtilmente poético, com altivez de àguia e lucidez perfeita.

abraços