sexta-feira, abril 23, 2010

Viagem que teima...

Solta-se a cratera e os afectos
Desenham indeléveis traços. Breves esquissos
Moldando os rostos. Resolutos...

Bêbados os olhos das crianças
Que não sabem ainda o dia claro.

E os pais caudal imenso do rio que desatam.
Comportas abertas em peito uníssono.
Gargantas que o sonho embarga
No aluvião sem margens de seus passos.

O tempo é malho e forja. E o balançar de barcos
Fundeados sobre o Tejo. E os ritmos cruzados.
E a viagem que teima. Caravelas.

E fio dos dias...

E os pulsos abertos.
E pão que dói e a ferida azada. Procelas.
E o sal que salga. E a mágoa...

E as vozes que libertas não se calam.
E os homens que resistem...
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25 de Abril, Sempre!

8 comentários:

Maria disse...

Será deste tempo, dos dias que se aproximam, que teimam em dar nós na garganta para se desatarem num grito, no dia 25. Sem palavras para te comentar, mas dizendo apenas que é dos poemas mais bonitos que já li por aqui sobre ..." as vozes que libertas não se calam.
E os homens que resistem..."

Beijos e beijos
e um cravo Vermelho!

lino disse...

E hão-de continuar a resistir.
Abraço

Miosotis disse...

'... E os homens que resistem...' sempre!

Um beijo

OrCa disse...

Digo eu que o nosso Abril já merecia um teu livro de poemas... desses feitos pelos homens que resistem.

Grande abraço.

Licínia Quitério disse...

Teimosamente resistem. "O tempo é malho e forja" e também a palavra dos poetas, guardadores de passados e anunciadores de futuros.

Um beijo.

lis disse...

e vamos resistindo bravamente tanto aqui como lá .
Abraços

Virgínia do Carmo disse...

Soberbamente escrito a partir das entranhas de Abril, adivinho... Tem o travo da emoção, doída e comovida, própria de todos os nascimentos...

Um abraço

Véu de Maya disse...

lindo e comovente...

abraço.