sexta-feira, novembro 05, 2010

DO AZUL PERFEITO...


A toalha estendida. Alva.
E a sofreguidão dos rostos
E o pão contado
Por cabeça.
E o vinho em roda
Escorrendo
Nas gargantas…

E a brisa provisória sob o freixo. Frondoso.
A suspender canícula.

E o odor acre dos corpos. Reclinados.
E o dia claro.

E a estridência das cigarras.
(e a cal de meus dias)
E os tordos da infância...

Revoadas de sonhos
Em tela branca
No oiro das searas
De azul (im)perfeito…

19 comentários:

Rogério Pereira disse...

Aí poeta
pelo que me conta
embora o pão contado
se chegasse eu
por fraternidade
dar-me-iam um bocado
e do vinho a metade
partilhada
retribuiria
participando
na revoada dos sonhos...

Maria disse...

Que belo o oiro das searas ondulantes como os seios de quem corta o põa e (te) serve a taça de vinho...

Beijos.

São disse...

...e as mulheres grávidas trabalhando dobradas sobre si mesmas até ao parto, nas ceifas.

Bom final de semana.

lino disse...

Como é bom sonhar!
Abraço

jrd disse...

Piquenique perfeito. :-)
Abraço

Mar Arável disse...

"Para lá do azul"

talvez ainda seja mar

lis disse...

Pego carona nesse azul perfeito... deixando o vento espalhar o pensamento
sem mapas
a posição é a do sol
o carinho preguiçoso
e a sensaçao que o poeta canta:

"sou lua
sem face
cem fases inteira
pela metade"

lindo poema heretico
estendo a toalha. rs
abraços
PS- te aborreci com o email, nao?
desculpe

hfm disse...

Que beleza e que sonoridade! O azul transparecendo das palavras.

mdsol disse...

Gostei!
[Aliás, ou não fosse o azul perfeitinho]

:)))

Maria P. disse...

Lindo!
Ao ler...pensava no meu Alentejo, coisas minhas...

Beijos*

Fragmentos Culturais disse...

... tu sempre me encantas neste 'teu' lado poético!
Lindo!

Um beijo,

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema que é uma autentica aguarela...

beij

MagyMay disse...

Mais perfeito, não podia...

Beijo

Graça Pimentel disse...

Gostei de ler.
Obrigada po restes momentos.

Beijo

Genny Xavier disse...

Poeta,
Há sempre uma paisagem de sonhos dentro de nós...de um azul que não se desbota, como não se descolorem as nossas lembranças dos dias bons...
Versos repletos, versos que emudecem e aguçam o silêncio de pensar e pensar a vida...
Beijo,
Genny

Fernanda disse...

E um poema soberbo...

Parabéns

Licínia Quitério disse...

A vida rebobinada, com os cheiros, as cores, os sons, os pássaros dos dias contados. Lindo!

Um abraço.

Véu de Maya disse...

memória poetica! E que belo bordado! com a tua marca de alta qualidade.

abraços,

Véu de Maya

Nilson Barcelli disse...

Era tudo contado...
Coisa que está a começar a acontecer de novo.

O teu poema é muitíssimo bom, não só pela forma, que é brilhante, mas também porque conseguiste criar a atmosfera correcta em relação a um quadro campestre que tende a desaparecer ou já desapareceu mesmo.

Um abraço, caro amigo.