sábado, dezembro 11, 2010

SONHO DE SONHO...


Declina este silêncio a voz da tarde
Que sobre o Tejo embala caravelas.
Guindastes frios chorando primaveras
Aventuras em farrapos pelo molhe...

Cravo e canela. Era outrora miragem
Do sangue o que hoje é azul perdido.
Não era glória: era apenas o sentido
De partir sem receio da ancoragem...

Não mais flores nem colchas à janela
Nem olhares cativos em cada espera
Nem fulvo marinheiro, celebrado...

Ó Pátria minha, agora! Mimética altivez
Tempo prisioneiro do deserto de Fez
Sonho de sonho: ora perdido, ora achado...

9 comentários:

lino disse...

E
sonhando
vamos
aguentando.
Abraço

jrd disse...

Se até o sonho tem de ser sonhado.
Abraço

Maria disse...

Assim vamos. Sempre pelos sonhos.

Beijos muitos.

© Piedade Araújo Sol disse...

por vezes de sonhos vamos vivendo.

gostei do seu soneto.

uma boa semana!

beij

jawaa disse...

Pelo sonho é que vamos... andando.

Acho sempre que vale a pena sonhar, é o que nos resta depois de deixarmos que nos atassem de pés e mãos.
Um belo soneto SáMirandino, não ficava mal no Bar...
Um abraço amigo

Nilson Barcelli disse...

Excelente soneto, caro amigo.
Publicas muito poucas vezes poesia, mas, quando o fazes, é quase sempre de nível elevadíssimo-
Um abraço.

Rogério Pereira disse...

"Guindastes frios chorando primaveras
Aventuras em farrapos pelo molhe..."

Se tivesse tela e jeito pintava-lhe isto que escreveu e chamava-lhe meu (não por apropriação, mas por sentimento)

mdsol disse...

Muito bem!




[Olha, tarde não rima com molhe. É de propósito?]

Licínia Quitério disse...

Muito bom. Muito bom, Poeta Amigo.
Um beijo.