terça-feira, fevereiro 01, 2011

NO OUTRO LADO DO POEMA...


No outro lado do poema onde a luz
Colapsa de tão negra e a palavra brota como lume no seixo
E o nada se faz fogo
Inscrevo a voluptuosidade dos nomes
E a perenidade das coisas.

E na obscura luminosidade da pedra  
No estilete de bronze que os deuses em seu desenfado
Por vezes emprestam aos mortais
Reinvento a tatuagem dos dias e me resguardo
Da fútil exposição de alegrias e enganos...

E me soletro em bebedeira de sentidos
Calando gestos parcos que sejam
E me partilho no poema-outro
Que vem de fora
E de tão íntimo
Se mistura no sangue cúmplice…

22 comentários:

O Puma disse...

Um abraço nosso
não é um abraço
é uma transfusão de sangue

Abraço amigo

Rogério Pereira disse...

"Reinvento a tatuagem dos dias e me resguardo
Da fútil exposição de alegrias e enganos..."

Pois! (dito em poema).

São disse...

A tatuagem dos dias por vezes é feita a negro.

Fica bem.

C Valente disse...

Belo
Saudações amigas

hfm disse...

"E me soletro em bebedeira de sentidos
Calando gestos parcos que sejam
E me partilho no poema-outro
Que vem de fora
E de tão íntimo
Se mistura no sangue cúmplice…"

Apenas transcrevo como a soletrar para melhor incrustar.

Graça Pires disse...

"No outro lado do poema onde a luz
Colapsa de tão negra e a palavra brota como lume no seixo"
Um poema muito belo onde a noite é esse outro modo de luz transfigurada...
Um beijo, amigo.

jrd disse...

Belissimo.
Do outro lado do poema reinventas as palavras e redescobres os sentidos.
Abraços

lino disse...

Um grande poema!
Abraço

Hanukká disse...

Olá, um abraço de paz pra seu coração.

“O verdadeiro amor ferve, mas não derrama. O amor a Deus, assim como é sincero e sem hipocrisia, é constante e sem apostasia”.

Thomas Watson

Vieira Calado disse...

Olá, meu caro!

Gostei muito deste poema.

Gosto das coisas profundas e sérias!

Forte abraço

Licínia Quitério disse...

Resguardado no outro lado do poema, o poeta reinventa o dia. Belíssimo, meu Amigo. Um beijo.

Maria P. disse...

Belíssimo...

beijos*

Virgínia do Carmo disse...

No outro lado deste poema reconheço a inevitabilidade da alma.

Grato abraço e a minha imensa admiração!

Lis disse...

Voce diz coisas complicadas de forma bonita!
a palavra sempre lhe brota "como lume no seixo"
continuo me resguardando de tudo e de nada e que nao seja perene!
Partilho do poema-outro citando uma frase cunhada por aí
" ao final do jogo rei e peão são guardados na mesma caixa"
"... alegrias e enganos " ?
abraços herético saudades de voce!

Fragmentos Culturais disse...

... mas que posso acrescentar?!
Desse teu lado, há muita sensibilidade e uma bela arte de poetar! Brotam-te as palavras sem que se note qualquer constrangimento.

Lindo domingo! Toda a Naureza se espreguiça ao doce calor...

Beijo

Nilson Barcelli disse...

Há sempre dois poemas nas palavras. O de quem as escreve e o de quem as lê...
Excelente poema, caro amigo. Nunca fazes por menos, aliás.
Boa semana, abraço.

Mel de Carvalho disse...

Do outro lado do poema, leio-o sempre com a mais sincera admiração.

Fraterno abraço
Mel

alice disse...

gostei muitíssimo, heretico. um grande beijinho.

jawaa disse...

Uma beleza esta tua bebedeira de palavras e sentidos que me transmites.
Obrigada.
Um beijo

Jorge Castro (OrCa) disse...

Quando o homeme vê apenas o que o facho na treva não ilumina, dá nisto... e sai poema. E sai poeta.

E disse-o o José Gomes, nem fui eu...

© Piedade Araújo Sol disse...

no outro lado do poema
há sempre um poeta
e aqui há um senhor Poeta

beij

VÉU DE MAYA disse...

Visceralmente poético...Que essas raízes fortes te conservem, meu caro.

abraço,

Véu de Maya