segunda-feira, maio 09, 2011

FLOR CATIVA. ARDENDO...


Inóspito silêncio das casas abandonadas.
Cal de memória. Destruída. E o ruído dos dias
Roendo as entranhas. Como adventícias silvas…

Esbracejam aves nocturnas. Nas portadas
Signos e prenúncios de outrora. E os umbrais ainda.  
Fixos. Restos de carbonizados fogos.
Crepitantes outrora. Gesta de labaredas sem retorno…

Os passos agora são restolhar de répteis
No precipício do medo. E o teimoso melro ainda
Tecendo o ninho alvoroçado. E sua glória solitária.
E o absurdo canto em final de dia.

E a gota de água. E a flor cativa ardendo…

E a patética sinfonia que se entranha
No rosto das pedras. Abandonadas,
Tão nítidos sons que atormentam. Como se o momento
Fosse agora redemoinho. Em fronteira de delírio.

E a dor bálsamo procurado…

  






11 comentários:

hfm disse...

Da beleza, do som, das palavras!

Mar Arável disse...

Uma viagem
que faz voar
perdidamente

lino disse...

"Os passos agora são restolhar de répteis". Pois são, os Passos, o Passos...
Abraço

jrd disse...

Muito bom.
Escrito na cal da memória.
Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

memórias nas palavras, tao bem escritas que nos faz suspirar com a beleza deste poema, repleto e completo.

um beij

bettips disse...

Falaste-me do que tanto penso.
Abandonado, desperdiçado. País com gente vagueando dentro, desperdiçada, flores que alguns somos, cativas da coerência.
Abçs

São disse...

Para mim, este teu poema tão belo é a metáfora exacta do país...

Um grato beijo.

Virgínia do Carmo disse...

Reparo que há nostalgia e talvez saudade. e que há restos de outros dias a ardejarem na memória. Mas é belo, este lamento...

Um abraço

Lis disse...

herético
O poeta é alguma coisa alada, tem o poder de conduzir e arrebatar.
Me arrebatou ,sou só sentidos .
Um turbilhao. De sentimentos.
como uma pista livre - podemos tudo como o teimoso melro.
Já dizia o seu conterrâneo " não se alcança a praia , por mais que se nade , não há fita de chegada para essa maratona ..."
Gostei das adventícias silvas ... que germinem na sua terra , no momento, em águas profundas. rs
enquanto aqui eu passo as tardes em Itapuã rsrs
gostei ,amei essa flor que não é de lis mas arde... rs
abraço

Mel de Carvalho disse...

Belíssimo. De uma tranquilidade nostálgica.
Fraterno abraço
Mel

mariam disse...

Herético,

'o rosto das pedras'... é bela a sua poesia.
É incisivo o que escreve também!

Fechei a caixa de comentários do http://mariasentidos.blogspot.com/ (um dia destes reabro), mas continuo a visitar o 'blogobairro' e embora ande parca no comentar, não me esqueci de Si nem dos outros(as)amigos(as).

um abraço e o meu sorriso de sempre :)
mariam