terça-feira, julho 19, 2011

O ciclo da vida - Gilberto Lindim Ramos


Cumpriu-se em definitivo a vida de GIBERTO LINDIM RAMOS, economista e membro da Associação “Intervenção Democrática” cujo funeral se realizou ontem, dia 18 de Julho, com a presença de dezenas de amigos e familiares. Acabara de fazer 80 anos, que os amigos mais próximos se propunham celebrar, mas que não foi possível em virtude do seu inesperado internamento hospitalar.

Não cabe no âmbito destas linhas (nem eu seria a pessoa adequada) traçar-lhe o perfil como homem e cidadão. Mas devo, em homenagem ao seu carácter, assinalar a influência intelectual e política que exerceu sobre muitos jovens que, na década sessenta, frequentavam as Universidades e as fábricas.

Desde essa época e das primeiras leituras da SEARA NOVA, os seus textos estimularam o meu interesse pelos temas políticos, económicos e sociais que, de alguma forma, “limaram” a aridez dos meus estudos de Direito.

Quis o destino, para privilégio meu, que após o “25 de Abril” o tivesse conhecido, nas empolgantes tarefas do exercício do poder local democrático, no âmbito do Município de Loures, de que o GILBERTO LINDIM RAMOS, foi membro da respectiva Comissão Administrativa, posteriormente vereador e mais tarde membro da Assembleia Municipal.

Privilégio maior foi para mim a nossa convivência na SEARA NOVA de  que ele foi uns dos timoneiros nos tempos negros da censura e do fascismo e de que hoje em dia tenho a honra de colaborar, no âmbito do respectivo conselho de redacção.

Da sua personalidade e do seu convívio, retenho, para além da sua amizade, a sua escrupulosa seriedade intelectual, a sua combatividade serena e o seu sentido de equilíbrio e ponderação, qualidades que se impunham naturalmente e eram merecedoras do respeito dos próprios adversários políticos.

Para os mais distraídos acrescentarei que GILBERTO LINDIM RAMOS, foi um intelectual prestigiado, que não receava “sujar as mãos” no terreno concreto da luta política – foi resistente antifascista, diversas vezes preso, foi candidato pela CDE nas eleições promovidas pelo “marcelismo”, foi dirigente político do MDP/CDE e, por ocasião da sua morte, activo dirigente da Associação Intervenção Democrática.

Não andasse o Chefe de Estado distraído a passar a mão pela cabeça dos seus brilhantes pimpolhos políticos, incubados in vítreo nas teses do neoliberalismo, numa qualquer universidade norte-americana e o GILBERTO LINDIM RAMOS teria, ainda que a título póstumo, o merecido reconhecimento da República Portuguesa. Enfim, um vago propósito, que apenas a mim responsabiliza e que a sua modéstia não aprovaria….

Porém, não tenho dúvida em afirmar que ganhará foros de escândalo, se as forças politicas actualmente dominantes nos órgãos autárquicos do Município de Loures não prestarem digna e publica homenagem a GILBERTO LINDIM RAMOS.

Mais que um acto de justiça, é uma exigência democrática que assim o impõe!…

Manuel Veiga
   

7 comentários:

Rogério Pereira disse...

"...é que a morte, de esquecida,
deixa o mal e leva o bem"

Maria disse...

Uma notícia triste que me apanhou de surpresa...

Abraço.

Virgínia do Carmo disse...

Crescemos com os nomes que nos são referência pela grandeza. E esquecê-los é desprezar o nosso próprio crescimento.

Grata pela nobreza da sua alma.

Um abraço, Manuel, na estima e na admiração

jawaa disse...

Infelizmente os homens grandes são normalmente esquecidos pelas forças políticas do momento. Mas o que aqui deixas escrito é louvor de alma sincera que não vai passar em vão.
Eu acredito.

lino disse...

Nem uma palavra na comunicação social tradicional.
Abraço

N. Barcelli disse...

Não me lembro dele, mas a minha memória é péssima. Mas o nome não me é estranho.
Que em paz descanse a sua alma.

O Presidente da Repúlica é o presidente de alguns portugueses apenas.

Abraço.

Licínia Quitério disse...

Só o soube por amigo comum. Silêncio na comunicação chamada social.
Lembro-me dele dos tempos do MDP/CDE. Foi uma vida exemplar.

Abraço, Manuel.