domingo, outubro 09, 2011

OccupyTogether: Manifesto - por Chris Hedges



“Não há desculpas à esquerda. Ou você se vem juntar a revolta que acontece em Wall Street e nas praças financeiras de outras cidades do país ou você está do lado errado da história. Ou você vem obstaculizar, pela única forma ao nosso dispor, que é a desobediência civil, a pilhagem pela classe criminosa de Wall Street e impedir a destruição acelerada do ecossistema que sustenta a espécie humana, ou está a ser cúmplice passivo de uma maldade monstruosa. Ou você vem provar, sentir e cheirar a embriaguez da liberdade e da revolta ou se afunda no miasma do desespero e da apatia.
Ou você é um rebelde ou um escravo…

Permitir-se ser inocente ou ingénuo num país onde o Estado de Direito não significa nada, onde os cidadãos são submetidos a um golpe de Estado permanente das corporações económicas e financeiras, onde os pobres, os trabalhadores e as trabalhadoras são lançados no desemprego e na fome, onde a guerra, a especulação financeira e a vigilância interna constituem verdadeiramente os únicos negócios do Estado, onde até mesmo habeas corpus não existe mais, onde você, como cidadão, não é mais do que uma mercadoria (…) para ser usada e descartada, é ser cúmplice deste mal e desta exploração radical.

Há que escolher, portanto. Mas faça a sua escolha rapidamente. O estado e as corporações estão determinados em defenderem-se. Eles não vão esperar por você. Estão aterrorizados e a revolta vai espalhar-se. E eles têm suas falanges policiais (…) as suas barricadas de metal, em cada uma das ruas que levam aos centros financeiros (…) onde os “manda chuva”, com fatos de Brooks Brothers, usam o dinheiro, dinheiro que extraíram do vosso trabalho, para jogarem e especularem e para se empanturrarem, enquanto uma em cada quatro crianças, fora dessas barricadas, dependem de cupons de alimentos para se alimentarem.

A especulação era crime no século XVII. Especuladores financeiros foram enforcados. Hoje, porém, o Estado e os mercados especulativos estão imbricados uns nos outros e as suas redes divulgam as mentiras que poluem as nossas mentes e as nossas vidas.

Disseminando a corrupção e o roubo, as corporações têm cimentado a posição de uma classe oligárquica sofisticada e um quadro obsequioso dos políticos, juízes e jornalistas que vivem em seus enormes mansões, pequenos Versailles murados, enquanto 6 milhões de americanos são expulsos de suas casas, um número que em breve irá subir para 10 milhões e um milhão de pessoas por ano vão à falência porque não podem pagar suas contas médicas ou morrem por falta de cuidados médicos adequados.

E, por outro lado, o desemprego desenvolve-se em espiral e sobe a mais de 20 por cento e os cidadãos, incluindo estudantes, passam a vida a trabalhar, quando têm empregos, para a escravidão das dívidas, trabalhando sem saída empregos. Um mundo destituído de esperança, um mundo, enfim, de senhores e servos (…).

Mas que importa? Se o valor das acções da Exxon Mobil ou da indústria do carvão ou da Goldman Sachs é alto, a vida vai boa. Lucro… Lucro… Lucro… Isso é o que eles cantam por trás dessas barricadas de metal (…)

Ou você se levanta para os aniquilar, ou você desmonta o Estado das corporações financeiras para construir um mundo de sanidade, um mundo onde já não tenha que se ajoelhar perante a ideia absurda de que os interesses dos mercados financeiros devem reger o comportamento humano, ou então estamos a marchar inelutavelmente em direcção à auto-aniquilação".
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Chris Hedges escreve uma coluna regular para Truthdig.com e foi durante quase duas décadas correspondente estrangeiro de The New York Times. É graduado por Harvard Divinity School.







4 comentários:

São disse...

De pé, o meu aplauso!

Bom domingo.

BlueShell disse...

Não se pode , ninguém, refugiar na "neutralidade": esse é o maior ato de cobardia.
Bj

(tinha saudades tuas)

Beatrice disse...

gostei!

beijo

Carlos Ramos disse...

Não poderia estar mais de acordo. Mas será que este povo "imbecilizado" como dizia o Eça, terá forças para se levantar? vamos trabalhar nesse sentido.

Abraço