domingo, novembro 06, 2011

AZUL. VERMELHO E ÁGUA...


Furtivos são os dias
No olhar das crianças e no coração dos homens.
Frémito de ondas e rito de aves nos imutáveis destinos
Onde todas a coisas são simples e belas.

E sem mácula…

Como a inesperada flor vermelha, abrupta,
No declive das rochas, em precipício de cinza,
Diluindo-se na paisagem e no gesto de colhê-la…

Azul, vermelho e água - assim o lastro.
E as inquietantes nuvens toldando o rio seco
E incendiando as margens. Como vésperas
De um tempo incerto. E de seu canto.

Ferida aberta…

Nos olhos o voo dos pássaros e o balancear das ondas.
E a pulsão dos barcos arrimados. E o abismo da vertigem.
Ainda. E a flor carnívora. Calcinada…

E nas mãos apenas o calcário. E a generosa flor
Que vos ofereço.

Como rocha parideira!…
...................................................
Uma  pequena catarata na vista esquerda - nada de grave, portanto|... rs

Vou ali e já venho...
Beijos e abraços




  



14 comentários:

São disse...

Te agradeço a flor...e o poema

Feliz semana

lino disse...

Belíssimo poema!
Abraço

VÉU DE MAYA disse...

telúrico e sublime...meu caro.

abraços,

Véu de Maya

hfm disse...

Como vésperas, como canto, como tempo. Belíssimo!

Maria disse...

Grata pela flor. E pela memória da rocha parideira.
Belo é o teu poema!

Beijos.

lis disse...

heretico
Azul que sejam celestes
vermelhos calientes
e ondas a salpicar nossa alma de esperanças.
gosto quando traz cores, criança, aves ,flores , barcos e mãos que oferece.
Apesar da terra seca.
Como dizes - "um tempo incerto" mas há música ao longe.
obrigada ,espero calmamente a flor fecundar.rs
meus abraços ao heretico

jrd disse...

Muito bom.
Da pedra há-de nascer e florir.

Abraços

Graça Pires disse...

Muito belo! Aceito a flor generosa e o poema todo.
Um beijo.

Mar Arável disse...

Na minha escarpa

sempre à espera

Virgínia do Carmo disse...

Todas as forças da natureza no seu poema, Manuel.

Gostei tanto.

Espero que tudo corra bem.

Um abraço

jawaa disse...

Enquanto houver quem escreva poemas como tu, sobre a cor do cravo vermelho, enquanto houver quem cante, enquanto eles (os cravos vermelhos) crescerem no parapeito da minha janela, Portugal existe no seu melhor.

Desejo que tudo tenha corrido bem nessa tua janelinha preciosa.
Um abraço

© Maria Manuel disse...

uma flor vermelha, tão isolada em meio de deserto e ruínas. uma flor necessária. assim como o azul da nossa beleza natural. saber fluir as pétalas vermelhas nas águas do tempo.

abraço!

© Piedade Araújo Sol disse...

furtivos são sempre os dias.
este poema está belíssimo.
boa semana

um beij

bettips disse...

De olhos bons precisamos.
Assim e lúcidos e transparentes.
Azul e água. No vermelho.
Que estejas bem e abrçs