terça-feira, junho 26, 2012

Indizivel Linha...


Imperturbável paisagem ante meus olhos.
O gavião soletra o voo nas alturas
E a dócil pomba se aninha
No reverso das horas que serpenteiam
A cinza dos passos calcinados...

O tempo suspende-se nesta nesga de vida.
Nada na canícula perturba o deslizar da memória.

Nem o ouropel do sonho.
Nem o horizonte fugidio.

Indizível linha que se agiganta como espera...

Nem a sombra do acaso.
Nem o olhar da inocência.

Apenas o gomo matricial
Nos lábios ressequidos. E a agitação no peito
Que em nada se despenha. E perdura...

Como serpente mordendo a cauda...

 


17 comentários:

C Valente disse...

Como serpente mordendo a cauda...
assim é
Saudações amigas

Rogério Pereira disse...

De tão denso
Te perco o sentido
Querido amigo

VÉU DE MAYA disse...

Profundo e belo! "Como serpente a mordendo a cauda"


Abraço,

Véu de Maya

VÉU DE MAYA disse...

corrijo:
"como serpente mordendo a cauda"

jrd disse...

Belíssimo!
O 'círculo' perfeito.

Abraço

lino disse...

Muito belo!
Abraço

folha seca disse...

Caro heretico
Não mexo para não estragar, mas que gostei, gostei.
Abraço
Rodrigo

Mar Arável disse...

No teu poema tudo faz sentido

até o que não estando lá

nos transporta

quem és, que fazes aqui? disse...

O ponto fulcral reside aqui:

"Nada na canícula perturba o deslizar da memória.

Nem o ouropel do sonho.
Nem o horizonte fugidio.

Indizível linha que se agiganta como espera..." "E perdura..."

Daí o círculo do réptil, que ao morder a própria cauda se mutila e morre.O gavião e a pomba? Esses desenham círculos ao voarem...

Gosto muito!

Beijo

Laura

Carlos Ramos disse...

Caro amigo

Sem duvida um grandissimo poema,

Abraço

AnaMar (pseudónimo) disse...

Quando a poesia é ciclo de vida.
belo poema.

lis disse...

Inexprimível é também a beleza do poema heretico
como disse outro poeta ' um poema é mais o não dito do que o escrito'
as palavras demarcam os espaços pra nós sempre invisíveis e muitas vezes
'Indizíveis, claro! e de lindo transbordaram aqui no peito.
Obrigada e Parabéns.

* perdão nao ter gostado dos meus girassóis- pelo menos comparastes-me a Van Gogh rs
meu abraço

São disse...

Já pensaste em publicar um livro? Ou terás , porventura, algum já publicado?...

Bons sonhos.

C Valente disse...

Saudações amigas

jawaa disse...

belo poema.
acho que vou roubar-to.
um abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

um grande e profundo poema.
um beij

Fragmentos Culturais disse...

Leio com tranquilidade teu poema, sinto a ária (interpretada em tom mais ligeiro, mas não menos bela a voz) que partilha da ideia maior que o atravessa: o livre pensamento nessa 'indizível linha dos vários tempos.

Como sempre me quedo na incessante profundidade da tua escrita.

Um beijo
(sensibilizada pela tua amizade, sempre.)