quinta-feira, julho 26, 2012

EM LOUVOR DE LYDIA...

Foto Google

Sob os salgueiros derrama-se a cascata
Em serenidade absurda e indiferente
Como o regaço de Lydia...

E as absortas mãos dedilhando tédios
Nas coloridas pétalas em redor...

A metafisica é esta natureza morta
Que o poeta introduz na paisagem.

Porém, nada do que diga ou faça perturba
O momento que desliza triunfante
Na glória de puro acontecer...

Nem os lábios de Lydia onde germina
O mel e a fantasia...

Apenas esta febre destemperada
Como se o verão fosse eterna ceifa...

Ou a sede de água pura. Serenamente vertida
Em maceradas ânforas
Da memória...

Flores à beira-rio. Em teu regaço...


(Como sabem, Lydia é uma criação literária de Ricardo dos Reis - poeta clássico e epicurista)







 

11 comentários:

jrd disse...

(...)
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
(...)
RR

Mais um grande poema.
Abraço

C Valente disse...

Saudações amigas e bom fim de semana

Teresa Durães disse...

Lydia, um amor casto. em flores à beira-rio

Canto da Boca disse...

Lydia e a (eterna) ilusão de um tão puro e eterno amor... Ah, o amor!

VÉU DE MAYA disse...

Puro e profundo como flores em regaço de mulher apaixonada.Aprecio imenso a tua poesia pelo elemento telúrico que a atravessa...oxigénio puro...seria óptimo que a publicasses...no caso de ainda não estar editada.

Grande abraço,

Véu de Maya

© Piedade Araújo Sol disse...

Lydia e seus amores.

muito bem!

beij

lis disse...

Ser como Lydia 'mel e fantasia...'
pode ser também um desejo feminino.
... e essa febre que não passa.
Muto bom heretico

BlueShell disse...

Muito bem...adorável - e olha que eu sou admiradora de Ricardo Reis um dos meus heterónimos preferidos....
Bj suplementar porque tu é um dos poucos que, apesar da minha ausência, tem continuado a visitar-me e a comentar! Não esquecerei esse gesto: o meu muito Obrigada
Isabel, aka, BlueShell

ricardo Gonçalves disse...

Venho deste modo apresentar-lhe o meu novo projecto. Trata-se de um novo blog que pretende fazer uma análise clara e concisa sobre a actualidade nacional e internacional.
Este projecto surgiu no seguimento do término da minha licenciatura na Faculdade de Economia do Porto (FEP). Sempre me interessei bastante pelas questões macroeconómicas, mas entendi que só após a minha licenciatura estaria preparado para abordar estas questões com o rigor que se lhe exige. Gosto de fazer análises credíveis e baseadas sempre em estatísticas credíveis, como irá reparar ao visitar o blog.

PS: o link do blog é http://ecoseconomia.blogspot.pt/

Fragmentos Culturais disse...

Saudades de ler este poema! Dos mais belos!

"Flores à beira-rio. Em teu regaço...' - uma imagem que me aproxima do campo e de toda a sua tranquilidade.

Para ti, querido amigo um postal virtual de agradecimento pela amizade afectuosa, sempre presente!

Votos de excelente descanso! E continuação de boas leituras.

Um beijo,

Beatrice disse...

"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis

e como gostei de ler-te!

beij