sexta-feira, julho 20, 2012

NADA ESTÁ ESCRITO...


Na nítida proporção das coisas a matéria
Insinua-se nas asas dos anjos sobre a cidade sitiada.

Nada que os homens não saibam
Ou a que as esferas não se curvem
Em seu percurso frio e solitário.

Nada está escrito.

Apenas a soberana vontade dos famintos
Ou os sequiosos martírios de azul cobertos
De tanta esperança contrafeitos
Redimem este tempo de murmúrios sibilados.

Não a culpa dos inocentes. Nem as apóstrofes da guerra.

Tatuamos no rosto a letra escarlate
E dos proscritos vestimos a poluída túnica
E a carne macerada.

E bebemos este vinho pisado pelos homens...

E do pão da vida fazemos sarça
E ardemos no verbo inaugural
Que de tão ígneo se faz sémen

E explode na persistência dos anjos
Sobre a cidade sitiada...


9 comentários:

Gisa disse...

Esses anjos...
Um grande bj querido amigo

hfm disse...

Nada está escrito, mesmo.

São disse...

Nada está escrito e a cidade sitiada se libertará do cerco de ignominia!

Um bom fim de semaan

C Valente disse...

Provavelmente tudo está escrito, as pessoas é que não sabem ver ou ler
Saudações amigas e bom fim de semana

~pi disse...

a as portas se abrem às águas.
que
nada está escrito, de facto.






~

maceta disse...

talvez um dia os ares sejam menos poluídos...

jrd disse...

Até um dia em que os homens voltem a escrever.

Abraço

Canto da Boca disse...

... E sofremos nas asas da fugacidade!

Mel de Carvalho disse...

"nada está escrito"...

... apenas que, "na persistência dos anjos", existe, seguramente quem,

não amordace a voz,

não baixe os braços,

e escreva de forma extraordinária - é o caso.


este poema é, indubitavelmente, um hino à humanidade, à liberdade, bem maior da primeira.

bem-haja!!!

abraço fraterno
Mel