quinta-feira, setembro 27, 2012

ABRIR ALAS AO FUTURO...

 
 
 
 
A Mulher de Vermelho
 
Rasgam-se as cortinas e sob o foco a Mulher
Esguia como o tempo liberto como um punho
Erguido ao céu da praça cheia e às canções!
Maiakovski grita em métricas guturais:
 
“Abram alas ao futuro que perpassa nas dobras
Do manto vermelho!...”
 
A Mulher inclina-se em dignidade soberba
Segura nas mãos a flor dos dias e nos olhos
O fervor prenhe de lonjura e de distância
E a palavra ousada nos lábios escarlate
Como a túnica...
 
Cá em baixo uma criança soletra liberdade
Nas pétalas desfolhadas do cravo rubro
Que a mãe lhe dera com o leite
E o pai sorri com os imaculados dentes
Da fome. Com o grito! Com o canto...
 
E ergue o punho à mulher de vermelho
Que o acolhe em seu seio de cristal...
 
 
 
 
 
 

10 comentários:

Maria disse...

Estremeci ao ler-te. É um poema belíssimo!

Abraço-te.

São disse...

A Mulher de Vermelho presente estará em todos os importantes momentos. Bons sonhos

jorge esteves disse...

Segurar na mão a flor dos dias
Será capaz de ser assim, tão simples; e, por isso, não nos apercebemos.
Apercebo-me da beleza do poema.
abraço.

lino disse...

Uma beleza!
Abraço

BlueShell disse...

..."e nos olhos
O fervor prenhe de lonjura e de distância
E a palavra ousada nos lábios escarlate
Como a túnica..."

Assim tem de sser para que não sejamos de novo um povo sem voz nem liberdade!
Fantástico este tetxo.
Parabéns. BS

Pedro disse...

Belo!

Lídia Borges disse...


Comoveu-me!...

Lídia

jawaa disse...


Que belíssima inspiração!
Um abraço

Mel de Carvalho disse...

Muito belo, este poema.
Fraterno abraço

Mel

Jorge Castro (OrCa) disse...

! (e tenho dito)