quinta-feira, outubro 04, 2012

A FRANÇA A CAMINHO DA ITÁLIA?

 
 
Como em Itália, a competitividade de França tem sido prejudicada pela criação do euro. Os dois países pesam na economia europeia, mantendo, como se sabe, o terceiro e o segundo lugar, respectivamente, no conjunto dos países da União Europeia. No entanto, os ditos mercados financeiros estão sobejamente preocupados com o enorme buraco financeiro da Itália. A queda da França seria fatal para o euro.
 
A produção industrial faz caretas, em ambos os lados dos Alpes. Este índice é o mais baixo desde Abril de 2009, decorrente da forte queda de encomendas. E a deterioração da actividade económica que está a provocar a fortes cortes no emprego. O volume de trabalho diminui e os empresários franceses continuaram, em Setembro a reduzir empregos.
 
Trata-se do declínio de emprego pelo sétimo mês consecutivo e a taxa de desemprego continua a aumentar em relação ao mês de Agosto.
 
Entretanto, o governo francês anunciou, na semana passada, que o número de desempregados superou 3 milhões.
 
Em Itália, o índice de produção industrial caiu pelo décimo quarto mês consecutivo. Segundo a Reuters, “a produção industrial italiana é agora 25% menor do que era há cinco anos atrás, antes da crise financeira e da crise da dívida na zona do euro”.
 
Em ambos os países, o sector automóvel, o motor da produção industrial está seriamente gripado. O Governo italiano revê sucessivamente em baixa as suas previsões de crescimento. A recessão deve chegar a 2,4% este ano (contra 1,2% previsto em Abril), e -0,2% em 2013 (contra 0,5% na estimativa inicial).
 
Quanto à França, é provável que a melhor previsão seja zero de crescimento para este e o próximo ano.
 
Ambos os países estão afogar-se em dívida.
 
A dívida soberana da França atingiu 89% do PIB; e a dívida soberana da Itália atingiu 123% do PIB. A França e a Itália, são centro do furacão e o coração do problema: sem crescimento económico suficiente não é possível manter a dívida sob controlo.
 
Sem crescimento económico, a dívida em ambos os lados dos Alpes vai continuar a crescer. Como cresce deste lado dos Pirenéus...
 
É tempo destes países dizerem “basta”. Será que o conseguem, dominando as pulsões neoliberais e o zelo de seus apóstolos?

 

2 comentários:

Rogério Pereira disse...

Teu escrito reforça-me a convicção de que as respostas terão que ser conjugadas... quem as pode conjugar? Os governos não estarão para aí virados...

maceta disse...

A Renault equaciona em última análise a sua falência... estes políticos ultrapassam a irresponsabilidade pisando o crime...