sexta-feira, novembro 02, 2012

PRODUZIR RESISTÊNCIAS...



 Rumor de indizível magna sob a língua.
Ainda não forma. Obscura coisa que lateja
Como subtil linfa murmurante. E raiz de nada.
 
Que no entanto sobe na cor indefinida...
 
Nada detem a placenta. Nem o cordão que alimenta.
E também mata. Nem a brevíssima amiba
Como flor da palavra logo extinta em suas
Dores de humanidade...
 
Efémera embora a palavra resiste. E tece seu trama
Sob império Outro – diagrama em que o Sujeito
Se despenha...
 
É necessário sorver o vazio em que a vertigem irrompe.
E na minúcia da espera vencer inóspitas fronteiras.
E reduzir opressivas visibilidades. Estratificadas.
Na matriz inaugural...
 
E nas dobras do tempo – e das coisas - soltar amarras.
E produzir resistências na metamorfose dos dias
Para que a Palavra arda...

9 comentários:

Mar Arável disse...

Que vivam os relâmpagos

soltem as amarras

Abraço amigo

lino disse...

E a Palavra arde!
Abraço

Poesia Portuguesa disse...

"Para que a Palavra arda."

Beijo

São disse...

Ressistamos, sempre.

Amigo, venho convidar-te para ires ao "são", pois há algo à tua espera.Oxalá te agrade e aceites.

Bons sonhos

Gisa disse...

Tenho algo para ti. Passa lá. Um grande bj

lis disse...

Oi heretico
Umas das formas de 'produzir resistências' aqui está _ um poema.
Quisera saber exprimir escrevendo e assim resistir ao incompreensível, sentir menos a dor ou espantá-la aos gritos com as palavras.
Sem conhecer seu tom de voz adivinho a sensação da escrita inquietante diante da falta e da necessidade que a 'Palavra arda' ...
diria: 'só Deus' se nao soubesse que és agnóstico...rs
fico entao nos abraços

Luis lourenço disse...

Palavra poética sublime em Fogo Puro. Excelente, meu caro.

Abraços,

Véu de Maya

maceta disse...

porque a palavra elabora o pensamento...

© Piedade Araújo Sol disse...

muito forte e cheio de significados..