quinta-feira, janeiro 31, 2013

SEMENTES REPUBLICANAS...

 
Augusto Manuel Alves da Veiga, natural de Izeda (Bragança), foi aluno e discípulo, em Coimbra, de Emídio Garcia (Lente da Universidade de Coimbra e destacado maçon, nascido em Bragança em 1838), tornando-se seu “protegido”.
Na esteira do pensamento positivista revolucionário, filosófico e federalista de Emídio Garcia, publica, enquanto estudante, em 1872, as suas aulas de “Estudos de Philosophia Política”.

Nesse período da academia, em Coimbra, cimenta uma forte amizade com Sebastião Magalhães de Lima, que perdura ao longo de toda a sua vida, reforçada pela possível pertença de ambos à Loja Perseverança, de que igualmente fazia parte Emídio Garcia.
 
Inicia no Porto um percurso de intenso labor de difusão dos ideais republicanos, quer como um dos fundadores do Partido Republicano, quer como tribuno e periodista dos jornais O Século e dos por si co-fundados, A República Portugueza, A Actualidade e A Discussão, este por si financiado, quer pela fundação do Centro Republicano Democrático do Porto, através dos quais publica importantes contribuições para a difusão dos ideais federalistas republicanos.

Integra a fundação no Porto, em 1 de Abril de 1890, do que mais tarde virá a ser a Associação Protectora do Asilo de S. João, actual Internato de S. João.
Do seu percurso maçónico é de referir que, no Porto, integra os quadros da Loja Primavera, com o nome simbólico de Descartes e da Loja Independência, de que foi Venerável. Atingiu em 1889 o grau 33 do REAA (Rito Escocês Antigo e Aceite).

Chefe civil da gorada Revolução de 31 de Janeiro de 1891, emigra para França, onde publica com Sampaio Bruno O Manifesto dos Emigrados Portugueses da Revolução Republicana de 31 de Janeiro de 1891, continuando a participar na vida política portuguesa em prol da implantação da República em Portugal, de que é testemunha a sua integração na missão diplomática constituída por Sebastião Magalhães de Lima e José Relvas, que negociou em França e Inglaterra a promoção dos ideais liberais republicanos, para a preparação da revolução do 5 de Outubro de 1910.

Foi nomeado em 24 de Janeiro de 1911 Ministro Plenipotenciário em Bruxelas.

Apresentou às Constituintes de 1911 o seu estudo e projecto federalista e municipalista “Política Nova – Ideias para a Reorganização da Nacionalidade Portuguesa”, que é vencido pela proposta de organização unitarista da Nação Portuguesa.

A actualidade do modelo municipalista e federalista de Alves da Veiga, inspirado na Confederação Helvética, dos cantões suíços, nos Estados Unidos da América e na República Federativa do Brasil., ainda está por cumprir em Portugal e mesmo na Europa, sem unidade política e dirigida por um Directório.

É proposto para os cargos de Presidente da República e Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas não consegue apoios para a sua efectivação.

Durante a sua permanência em Bruxelas, desenvolve importante actividade política aquando da I Grande Guerra Mundial a favor dos interesses portugueses e das forças aliadas, com vista ao Armistício.

Esta sua actividade política e diplomática em Bruxelas grangeia-lhe relações de amizade com o Rei da Bélgica, ao ponto de ser sua visita semanal para jantar.

Faleceu em Paris em 12.12.1924. Passados cerca de três meses é enterrado no Porto no cemitério privado da Irmandade da Lapa.

O seu funeral recebe honras de Estado, com a presença do Presidente Teixeira Gomes.
 
Fonte - Museu Maçónico Português/Biblioteca-Museu República e Resistência
 

4 comentários:

jrd disse...

Aprendendo, aprendendo sempre.
Abraço

lino disse...

Bela homenagem ao 31 de Janeiro!
Abraço

Mar Arável disse...

Memórias vivas

Graça Pimentel disse...

Já aumentei um pouco o meu espólio de conhecimentos. Obrigada.

beijo