terça-feira, fevereiro 19, 2013

GESTO INAUGURAL DE DIAS CLAROS...


Quando o cinzento se adensa e o negro
Está próximo da lágrima...
 
Quando os caminhos se estreitam
E os rios secam...
 
E as margens não suportam mais
A lentidão da sombra...
 
E os salgueiros gemem remotas tardes
Testemunho de outras águas...
 
Quando o coração cansado se agita
De tantas vidas...
 
E a incandescência de nocturnos espasmos
Explode em cinza fervilhante...
 
E acesos sonhos se levantam como barcos
Galgando destinos pré datados...
 
E quando os olhares dos homens se encontram
Resolutos na fogueira de um abraço...
 
O poeta então recolhe-se e ergue o punho
Como seara e berço...
 
E gesto inaugural de dias claros...

 

 

11 comentários:

Rogério Pereira disse...

"E quando os olhares dos homens se encontram
Resolutos na fogueira de um abraço..."

É esse o momento esperado

jrd disse...

E os dias claros hão-de romper as madrugadas e receber torrente da liberdade ansiada.

Abraço Poeta

quem és, que fazes aqui? disse...



Como espero esses "dias claros"!

Beijo

Laura

Rogério Pereira disse...

Meu caro, vou editar este teu poema na minha página do FB, (com link para aqui)

lino disse...

Ergamos o punho, mesmo os não poetas!
Abraço

lis disse...

E benditas sejam essas manhãs que caracterizam a poesia dos poetas, angústias repartidas, queixas veladas, testemunhos de andarilhos sem sonhos ,solidão de todas as horas e do orvalho que continuará a cair sobre a cabeça de todos nós.
.. dias claros e poetas infinitamente benditos .
Parabéns, belíssima inspiração!
Eu amo o que nos presenteia aqui,
retribuo com bons abraços

Sandra Subtil disse...

Que inspiração suprema! Lindíssimo!
Como são almejados esses dias claros...
Beijinho

Luis lourenço disse...

Um poema das entranhas! Sublime e tocante em beleza e profundidade.

Abraço,

Véu de Maya

© Piedade Araújo Sol disse...

actual
forte
lúcido

e o Poeta falou

um beijo

;)

Maria João Brito de Sousa disse...

Tanto, tanto que gostei deste poema!

Não sei reeditá-lo e levá-lo para o meu mural, mas sei que já o tenho por lá, através do Rogério V Pereira!

Obrigada e o meu abraço!

Mel de Carvalho disse...

«Quando o cinzento se adensa e o negro
Está próximo da lágrima...
(...)
O poeta então recolhe-se e ergue o punho
Como seara e berço...

E gesto inaugural de dias claros...»

Assim seja, caríssimo, e que, neste país de cinza e bruma se alteiem, inaugurados, os gestos e os dias claro.

grata pela partilha
Mel