terça-feira, março 12, 2013

Soneto Quase Inédito - JOSÉ RÉGIO


 
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno “sacrifício”
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

JOSÉ RÉGIO - 1969

Tão actual! Ainda hoje...

 

 

12 comentários:

O Puma disse...

Na praça do Estado do Vaticano

a malta já não olha para os céus

está fixada numa chaminé

Por cá vão fermosos

mas não Seguros

Abraço sempre

Rogério Pereira disse...

Só está datado porque fala em contos
(mas parece ter sido escrito ontem)

© Piedade Araújo Sol disse...

só está desactualizado na moeda.
o resto está muito actual.
um beijo

:)

quem és, que fazes aqui? disse...



Ai como a genética é tão poderosa!

Beijo

Laura

Graça Pimentel disse...

Espantosa a actualidade. Isso mostra como este país é, definitivamente, ingovernável.

beijo

lino disse...

Lamentavelmente é muito actual!
Abraço

Jorge P.G disse...

Perfeitamente oportuno, actual e verdadeiro.
Régio nunca "os" poupou...

Um abraço.

Virgínia do Carmo disse...

Realidades que se repetem. Tristemente.

Um abraço, Manuel

maceta disse...

parece feito a papel químico: os predadores querem carne viva...

Ana Tapadas disse...

A intemporalidade do poema é muito trágica para nós...
Muito bom trazê-lo para aqui.

bjs

jrd disse...

Até parece que vai ser escrito amanhã (ainda...)

Abraço

São disse...

Realmente eu tenho razão: Portugal perdeu-se numa curva do tempo e anda à deriva. Ainda hoje!

Um abraço