segunda-feira, abril 08, 2013

3º CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA - Aveiro - 4/8 de Abril 1973



 
O estertor do regime do Estado Novo
 
 
 

“A sociedade portuguesa caracteriza-se por uma extrema e duríssima dominação de classe. É o domínio dos banqueiros, dos capitães de indústria, dos latifundiários, dos grandes da especulação, da alta burocracia (política, administrativa, militar, económica, clerical), do mandarinato de formação universitária – sobre os operários, os assalariados rurais, os empregados, a maioria dos intelectuais, os estudantes e, também e cada vez mais, os pequenos comerciantes, os pequenos proprietários rurais.

Vive-se uma dominação de tal modo deprimente que parte considerável da população activa retirou para o estrangeiro.

Traduz-se essa dominação no contraste entre a magreza dos salários e o esplendor dos lucros; na escandalosa repartição dos rendimentos, que reserva aos trabalhadores uma paupérrima fatia e guarda para o patronato a parte de leão; na violenta repressão das classes trabalhadoras a todos os níveis; na galopante inflação, particularmente notória no que respeita às necessidades mais elementares.

Em forte concentração do poder económico em poucas mãos enquanto a esmagadora maioria do povo se encontra espoliado da posse dos meios de produção; no sistema fiscal, ajustado aos grandes interesses; na ineficiência e no custo da segurança social; na degradação dos hospitais e serviços de saúde; na penúria alimentar...
(...)
Na dureza das condições de trabalho; na compressão do sindicalismo e denegação do direito a greve, mesmo como simples meio de negociação do salário; no analfabetismo literal ou real; na severa estratificação que barra o acesso à cultura; no obscurantismo imposto desde a escola à informação.”

(Das Conclusões)

5 comentários:

Mel de Carvalho disse...

"Vive-se uma dominação de tal modo deprimente que parte considerável da população activa retirou para o estrangeiro."

a actualidade destas palavras chega a doer; não fora a data, e, por certo, as acharia ditas hoje...

gratíssima pela partilha destas memórias que, e, mal-grado o rumo calamitoso deste país, muitos teimam esquecer e apagar.

Mel

O Puma disse...

Bem me recordo

Abraço amigo

jrd disse...

Que este texto possa ser o prenúncio do estertor do actual Estado Novo.

Abraço

São disse...

Portugal congelou no tempo...

Abraços

maceta disse...

quem viveu esse tempo conhece melhor os crápulas...