domingo, junho 30, 2013

GOTA A GOTA O CALCÁRIO...


Gota a gota o calcário na persistência da água
Inaudível música a inundar o interior da pedra
Antes da forma...

O furor das catedrais são meus olhos
E as linhas que precedem a condensação das horas
Ainda fluidas...

E os invisíveis dedos no rosto das coisas
Que amadurecem na vibração das tempestades
Adormecidas...

Nada é eterno. Nem a voracidade das chamas
Nem o colapso dos gelos, nem a sedimentação dos dias.
Nem o esplendor das montanhas sagradas...

Apenas o vigor de cada forma em novas formas.
E a infinita permanência do Sol. E a precária vontade
Dos homens...

E o adejar do poeta derretendo as asas...

8 comentários:

AC disse...

Gostei de todo o poema, mas o último verso "colou-se" em mim, não se quer soltar...

Abraço

Lídia Borges disse...


"Derretendo asas" contrariando "a precária vontade dos homens"
Bem-haja, o Poeta!


Lídia

Mel de Carvalho disse...

apenas o sol, "a infinita permanência do Sol", nos antecipa, humanos que somos, e nos é posterior. em tudo o mais, precários e finitos, sem dúvida.

belíssima poesia, sempre.
bem haja

Mel

jrd disse...

O apelo telúrico da poesia que ecoa nas cisternas onde saciamos sedes antigas.

Mais um grande poema.

Abraço Amigo

São disse...

Nada é eterno...a não ser a Eternidade, ela mesma.

Boa semana.

Licínia Quitério disse...

Grande Poema, Amigo! Obrigada.

Canto da Boca disse...

(Nada é mais doloroso "que a precária vontade dos homens". Nada!)

© Piedade Araújo Sol disse...

perfeito!
confesso que o último verso, está excepcional.
um beijo

:)