sexta-feira, junho 14, 2013

UM HERÓI TRÁGICO DOS TEMPOS MODERNOS...


De vez em quando, na ondulação cinzenta dos dias, em que “espectáculo” da comunicação social nos embala, surge, como fogo fátuo ou o rasto luminoso de um cometa, um acontecimento, uma personagem ou um comportamento que nos retém e, de alguma forma, nos apazigua e faz acreditar ser possível a regeneração da Humanidade.
 
Assim, por estes dias. Como um herói trágico dos tempos modernos, surge na pantalha das televisões, nos comentários e notícias dos jornais uma personalidade anónima, cujo destino – sabemo-lo antecipadamente – será ser trucidado pela máquina do poder que, desassombradamente, afrontou.  Se nos limitar-nos a assistir, calados...
 
Edward Snowden, um cidadão norte-americano, de 29 anos de idade, analista de sistemas, deixou para trás toda a sua vida: a namorada, a família, os amigos, o emprego e a casa, para denunciar um totalitário programa de segurança interna do governo dos EUA, chamado PRISM. Este sofisticado programa tem vindo a coligir e arquivar gigantesca massa de dados de comunicações de cidadãos em todo o mundo, designadamente, telefonemas, cópia de emails e mensagens enviadas pelo Skype, publicações no Facebook, etc.
 
Quando o soldado Bradley Manning – lembram-se? – tornou público esse mesmo tipo de informação para o Wikileaks, as autoridades norte-americanas trancaram-no numa cela solitária, nu e em condições que a ONU definiu como sendo “cruéis, desumanas e degradantes”.
 
Conhecendo como conhecia, a implacável e indecorosa forma como os Estados Unidos cercaram e cercam Julian Assange e o processo de “neutralização” dos escândalos diplomáticos tornados públicos por Wikileaks, mais digna de admiração e solidariedade a atitude do jovem Edward Snowden, que movido apenas por dever de cidadania não hesita em enfurecer a fera e arriscar o seu conforto e, porventura, a vida, em nome da dignidade humana, face a omnipotência do Império.
 
Edward Snowden semeou ventos e irá previsivelmente colher tempestades. A mão longa do poder imperial far-se-á sentir com todo o seu peso. Em breve, os lacaios do sistema, na comunicação social, irão desencadear uma “narrativa de descredibilização” do jovem. E depois o esquecimento...
 
Aliás, o “nosso” estimável e fidelíssimo “Público”, fazendo jus aos seus pergaminhos de “a voz do dono”, adiantou-se: já hoje, em editorial, classifica o jovem Edward Snowden como “um espião ressabiado”... E se não se levantar um clamor planetário de indignação, assim será!...
 
Com esse ou outros epítetos...
 
Porém, se milhões de vozes, em todo o Mundo, apoiarem Edward Snowden, tal facto constituirá uma poderosa manifestação de solidariedade e uma eloquente mensagem de que o jovem analista de sistemas deve ser tratado como alguém corajoso por ter feito a denúncia que fez. E que, por outro lado, é a política securitária e o programa PRISM – e não ele – quem deve ser o alvo dos ataques do Governo norte-americano e das suas agências.
 
Assine a petição  Edward Snowden
 
 

3 comentários:

jrd disse...

A América em todo o seu esplendor. Qualquer dia da liberdade só a estátua.

Abraço

Lídia Borges disse...


Medonho!

Vou assinar.

GL disse...

A coragem, nestes casos, paga-se bem cara, daí que a petição tenha toda a pertinência.
Abraço.