terça-feira, julho 30, 2013

A MEUS HERÓIS! - No Centenário de Álvaro Cunhal


Estamos aqui - no centro!
Que as margens são mera circunstância...

E tu não foste apenas desfiladeiro
Ou passagem secreta das cavalgadas da história...

No olhar da águia o abismo é alimento e a vertigem voo...

Gesto de cristal puro onde mora o brilho solar dos dias
Que os homens inscrevem talvez sem o saberem
Como meta no quotidiano de cinza...

Dizem-te derrotado no licor dos elogios
Como se tu fosses teu tempo apenas
Mal sabendo eles que a tua força não tem destino à vista...

E lá onde o coração bate e o fogo se atiça
Como forja do tempo onde a palavra se faz arma
(E a lágrima poema) aí onde ombro com ombro
O suor das sementeiras e os cânticos se misturam
Se desenha teu rosto na pedra esculpida...

E outros homens e mulheres para além de ti
Gigantes de teu exemplo darão vida à tua luta...


Manuel Veiga

 

11 comentários:

Maria disse...

Muito forte! E cheio de ternura.

Beijo.

ॐ Shirley ॐ disse...

A princípio, pensei em citar o verso mais bonito, mas, logo vi, que eu teria que transcrever o poema inteiro, pois, é todo lindo. Herético, grande abraço!!!

O Puma disse...

Na verdade meu irmão

anamar disse...

O Homem e o poeta.

Abracinho

Ana

lino disse...

Uma bela homenagem!
Abraço

Genny Xavier disse...

Meu querido Manuel,

Teus versos, tão fortes quanto ternos, me recordaram outros versos de um poema de um conterrâneo teu, talvez, também, um teu parceiro de idéias e valores:

Retrato do Herói

Herói é quem num muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar de morte certa.

Homem é quem anônimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome fechado o corpo ao breve
instante em que a denúncia fica alerta.

Herói é quem morrendo perfilado
Não é santo nem mártir nem soldado
Mas apenas por último indefeso.

Homem é quem tombando apavorado
dá o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso.

Ary Santos – Poeta Português
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Como sempre, tua escrita me enleva.
Beijo.
Genny



Mel de Carvalho disse...

Álvaro Cunhal será maior que todas as sombras onde se desenhar a sua esfinge. e, altíssimas (e o quão dignas), estas suas palavras que o nomeiam, o enaltecem.

sou-lhe, em absoluto, grata pela comoção que acabou de trazer aos meus olhos - bem haja.

Mel

Luis lourenço disse...

meu caro!

Vim ler este excelente poema, tão oportuno e actual... e deixar-te o meu abraço...obrigado pela partilha.

Até Breve.

Véu de Maya

jrd disse...

Um Herói do nosso tempo! Uma figura que vai ficar como uma marca indelével da História.

Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

uma justa e bela homenagem...

:)

Maria João Brito de Sousa disse...

Fabuloso poema!!!