quinta-feira, setembro 19, 2013

MEDIANEIRO DE INVISÍVEIS FIOS...


 
A tua bênção, Pai
Antes que as margens se afastem infinitamente
E o rio seja o turbilhão de lava
Frio de nada...

Calo a lágrima
E beijo a terra na ubérrima mão
Do que por ti fomos
E das lonjuras que logramos...

Na flor tatuada dos dias
E na vara do tempo onde gravamos solstícios
E os nomes
E as sombras
Entrelaço a folhagem do carvalho
Em tua fronte
Como templo...

E soletro o frio
E a amargura da Hora
E calo o peito...

E ergo-me
Medianeiro
Encruzilhada de torrentes e dos invisíveis fios
E da seiva que somos...

E evoco os caminhos
E a voz do sangue
E os passos que são
E os passos que se anunciam...

E solto tuas bênçãos
Na carne da minha carne
E no sorriso da criança com teu nome

António.

 

 

17 comentários:

Lídia Borges disse...


...

Um beijo

Lídia

São disse...

Só um comovido abraço em silêncio.

jrd disse...

Da continuidade e da emoção.
Abraço fraterno

Mar Arável disse...

Como te conheço
só podias ter um Pai assim

incomensurável amigo

Virgínia C. disse...

Belo... muito belo... Obrigada por este momento

Um abraço

[o meu lugar novo: http://naoparesdenascer.blogspot.pt/ ]

quem és, que fazes aqui? disse...


Gerações...

Beijo

Laura

Maria Luisa Adães disse...

Lindo...muito lindo,

De uma beleza incomum. Adorei!

Mª. Luísa

lino disse...

Um abraço!

jawaa disse...

As raízes e o fruto mais doce.
Tu és a árvore, a tua poesia a sombra benigna.
É um prazer conhecer-te.
Obrigada.

Rosa dos Ventos disse...


Os nossos pais merecem todo o nosso amor!
Um abraço solidário

Red Angel disse...

Gostei do olhar...
sonhador da 1ª foto e desafiador da 2ª.

Não me atrevo a comentar as palavras.

Mel de Carvalho disse...

sem palavras,
deixo, na oportunidade, um solidário e respeitoso abraço


Mel

lis disse...

É bonito demais!
... e sem esquecer que há sempre um ventre materno fazendo o milagre da vida desses homens hereticos ou não, que eternizam em palavras sentimentos tão puros quanto o olhar do Antonio.
Parabéns pelo poema pungente e pelas duas fotos ,belíssimas!

Helena disse...

Que linda criança! Que bela homenagem!
Passeando por outras postagens deparei-me com o Rima a Rima, Antonio, e pude sentir o imenso amor e o intenso orgulho de um avô que, aqui para o nosso lado (Brasil), chamamos de avô coruja ou avô babão. Ambos são os termos carinhosos com que são designados estes avós. Também pude sentir o carinho por um pai já ausente, mas cuja saudade faz transformar em tão belo poema o imenso amor e respeito sentidos. Outras postagens e fotos dão-nos a certeza de um poeta de extrema grandeza e um cidadão antenado com as coisas do mundo. Tudo muito especial, e um imenso prazer em ter estado aqui. Com certeza vou voltar, já pedindo desculpas pelo alongado do comentário. Ficam os votos de uma vida plena de alegrias e paz.

© Piedade Araújo Sol disse...

saudade.
que não passa.
que fica.
que permanece.
tatuada.
com cicatriz.
sempre.
de geração em geração
fica o nome.
António
um belo nome!

:)

Graça Sampaio disse...

Que lindo!

Quem me dera saber escrever assim! (Sentir assim (quase) todos conseguimos, mas expressá-lo assim, é só para alguns.

Beijo

jorge esteves disse...

Inteiro. E cheio.
abraço, amigo.
jorgesteves