sexta-feira, outubro 25, 2013

PÓRTICO DOS DIAS CLAROS...


Quando no prumo dos dias
Os passos em zénite
Desafiam a distância
Como asas...

E as montanhas se abrem
Ao eco de indizíveis nomes
Que soletro e
Esgravato na urze
E no cardo...  

E sol se verga
Em curva
E a sombra se encaminha no pastoreio
Da memória...

Quando a coruja de Minerva
Solta seu grito
E seus prenúncios...

E o bronze dos portais
Se abre aos murmúrios
E ao cântico
De velhas e novas carpideiras...

Afasto o bordão do tempo
E nas entranhas
Das aves
Exorcizo meus presságios...

E ergo minha taça
De vinho e fel...

E no rosto cansado dos homens
E no negro das mulheres
De outrora

Inscrevo então minha insígnia
De cinza e água
No pórtico
Dos dias claros...

Manuel Veiga

 

 

14 comentários:

Ana Tapadas disse...

Muito belo o poema. Com um final a não perder de vista!

Bj e Sábado tranquilo

Gisa disse...

Inscreverei também!
Muitos bjs

Luis lourenço disse...

ah, meu caro!

excelente e tão oportuno.parabéns ao poeta e um grande abraço.

Véu de Maya

quem és, que fazes aqui? disse...


De estrofe em estrofe, cheguei ao pórtico onde ficarei à espera... "Dos dias claros..."

Um beijo

Laura

lino disse...

Belíssimo!
Abraço grande

Graça Sampaio disse...

Belo poema! Cheio de força!

Beijinho

jrd disse...

Grande Poema!
Nem sabes como anseio ver a tua insígnia de cinza e água.
Abraço fraterno

Rogerio G. V. Pereira disse...

Selo branco
a justapor à declaração
de falência das trevas
e de inicio de uma nova era

Poema ou sinete?

Lídia Borges disse...


Belíssimo poema!

Que falta nos vai fazendo uma deusa que, em alerta constante, espalhasse Sabedoria e Justiça.

“A coruja de Minerva alça seu vôo somente com o início do crepúsculo.”

Friedrich Hegel

© Piedade Araújo Sol disse...

dias claros virão...no cimo do sol e no adejar dos pássaros...

muito belo!

boa semana.

beijo

:)

Peter disse...

Belíssimo poema, ao meu gosto, sem amores, nem rodriguinhos. Que eu os possa continuar a ler nos dias dos teus aniversários.
Parabéns pelo dia de hoje,
Peter.

Mel de Carvalho disse...

"Quando a coruja de Minerva
Solta seu grito
E seus prenúncios..." a sua poesia, sábia de vida, de caminhos e de princípios, eleva-se, qual iluminura ou dias claros, belíssima.

fraterno abraço
bem haja!

Mel

lis disse...

Um prazer voar com voce nessa cena_ diante do templo...
- presenciar homens de bem desafiando dias não tão claros!
_pudesse eu exorcizar meus demônios, 'erguer minha taça' e seguir o eco...
Parabéns , amo sua poesia.

anamar disse...

Saudo o poeta, pois...


:)