sexta-feira, março 28, 2014

Tempo em que os poemas colapsam...


Quer o poeta poema distendido
Saltitante melro de galho em galho
Em seu canto enamorado…

Ou amáveis pombas afagando a asa
A debicar o sol de inverno…

Ou carmesins lábios mordiscando o bago
De promessas primevas…

Quer o poeta mas os olhos são água
E a palavra ferve na escuridão da sarça
Impotente em seu clamor de claridade…
…………………………………….

Ó deuses, funestos dias de hoje
Em que os poemas colapsam
E os milhafres sobrevoam a cidade
Assombrando o coração dos homens!...

Manuel Veiga

8 comentários:

Ana Tapadas disse...

Magistral!

Beijinho

O Puma disse...

Na claridade densa da tua poesia

eu e os pássaros de sempre
reconhecem-te
meu irmão

AC disse...

Ao poeta nunca é indiferente a realidade.
Excelente!

Abraço

Graça Sampaio disse...

Grito vindo bem do coração!! Muito bonito (como de costume) e muito sentido. Gosto. Gosto mesmo!

(Se um dia decidir reunir estes poemas numa coletânea, terá de lhe chamar «A Sarça» já que ela está sempre presenta.

Obrigada por poemas como este.

© Piedade Araújo Sol disse...

o Poeta está sempre atento,mesmo ao voo dos milhafres...

:)

Maria João Brito de Sousa disse...

Funestos, longos, frios, feios e escuros, os dias que agora vivemos. Excelente poema!

O meu abraço!

maceta disse...

saborear o que faz soltar as ideias...

Teresa Poças disse...

Adoro! Seria uma bela canção!