terça-feira, maio 13, 2014

CANTIGA OCASIONAL...



Abre-se a palavra
Ao corpo de escrita
Antes dela.
Depois
Vazio (ou quase nada)...


Cinza quente ainda?
Por vezes mosto
Talvez fermento
Ardendo
Sem outra glória
Que não seja
Fermentar...


Apenas cisco?
Cadinho talvez
Pedra rolada ou
Alquimia frustre
Que se queima
No porquê de nada...


E neste ledo engano
Lúcido embora
Acidente
Da palavra dita
(e também escrita)
Alimento
Minha fome.



Manuel Veiga

 

 

 

 

9 comentários:

ॐ Shirley ॐ disse...

Palavras aparentemente vazias, ao serem colocadas no calor do cadinho, transmutam-se num inesperado e belo poema.
Beijos, heretico!!!

Pérola disse...

Acidentes de palavras que se casam na eternidade.

beijinhos

Graça Sampaio disse...

Ó heretico, bolas!! E que lindas as tuas palavras!! Que belo alimento!
(Vou copiar para o meu caderninho de poemas...)

Beijos poéticos.

jrd disse...

O antes e o depois de que vamos vivendo.
Belo poema.

Abraço Irmão

O Puma disse...

As palavras também se comem

Abraço

Rogerio G. V. Pereira disse...

Abre-se a palavra
Lá dentro tudo
Que o poeta faz crer ser quase nada

Só pode ser ocasional

:)

Sónia M. disse...

Suas palavras
alimento
que também a nós nos sacia.

Lindo!
Bj

© Piedade Araújo Sol disse...

um nada que é muito (ou tudo)
ou quase nada que sacia
a sede
a fome
e a vontade
de saber...

gostei muito!

:)

Ana Tapadas disse...

E...que belo alimento!
Muito bom.

Beijinho