domingo, maio 11, 2014

UM SONETO BREJEIRO ... ou nem por isso!


Se a rosa cor-de-rosa abraça um cravo
E logo se desdiz,, se faz rogada,
Não fica o rubro cravo a ser seu escravo,
Mas talvez fique a rosa apaixonada
 
E, mais tarde ou mais cedo, em gesto bravo,
Reflicta na paixão que foi travada
E venha murmurar-lhe; “Eu furo e escavo
Até tornar-me a flor mais desejada!”
 
Responde o cravo, altivo: “Eu nunca disse
Que queria estar contigo, ó flor burguesa!
Não pudeste abraçar-me sem que eu visse
 
Que, usando a mais-valia da beleza,
Me ousavas seduzir sem que eu sentisse,
No teu brejeiro gesto, uma certeza!”





7 comentários:

jrd disse...

Mas que metáfora tão bela!
(ou nem por isso...)

Abraço

Mar Arável disse...

Todas as flores se desfolham

até tu ROSA

Rosa dos Ventos disse...

Tudo o que meta cravos e rosas é bonito e bem cheiroso! :)

Abraço

Ana Tapadas disse...

Soneto - metáfora bem interessante!

...também há rosas silvestres.

Beijo amigo

GL disse...

Cuidado, cravo!
As rosas, burguesas ou não, não são de fiar.

Pérola disse...

Amores floridos, metáforas da humanidade nas suas fragilidades amorosas.

Beijo

Graça Sampaio disse...

Um pouco rebuscado para o meu (singelo) gosto, mas engraçado. Não brejeiro, nem pensar!

Amor é antónimo de brejeirice...