quinta-feira, junho 12, 2014

DE NOVO A MONTANHA...


De novo a montanha como gesto abrupto
Do silêncio íntimo. Percorro veredas d´água
Subterrânea e o magma. E nesse fogo
Se condensam estalactites. Afectos agora
Evanescentes. Essências matriciais ainda...


Fecha-se o círculo. Em redor as brumas
E os rostos. E os cheiros. E esta pedra
Em que trôpego desfaleço. A febre quente.
E o suor frio. E o grito d´alma que voa
Qual corrente.Veleiro sem regresso, nem destino...


A vida? Esquivas corsas que de tão lestas
Se pressentem e apenas no rasto se iluminam...
Fortuitas são as horas. Não o caçador negro
Nem o coração da pedra. Apenas a água
(E sal da lágrima) são lírios e são heras...


Guardo sôfrego este silêncio e me retiro.
O fogo é agora esta paixão: o eco de calcário

E meus dedos brasa. Poeira e caliça.


E muros derrubados.
E esta centelha viva que na queda
Se derrama.
Fim de tarde que ao sol se incendeia...


Manuel Veiga

POEMAS CATIVOS

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Peço desculpa pela ausência dos blogs da minha estimação.


Que será breve... Beijos e abraços

 

 

 

7 comentários:

Graça Pires disse...

"Guardo sôfrego este silêncio e me retiro.
O fogo é agora esta paixão: o eco de calcário" Muito belo!
Este poema leva-me até Torga: "só quem sobe à montanha toca o céu. Na terra chã ninguém se transfigura".
Um beijo, meu amigo.

Graça Sampaio disse...

Mais agreste e denso do que é habitual, mas muito belo. Como sempre. Aquela «centelha viva» não vai permitir nunca que se «feche o círculo».

Estará doente o nosso herético ou apenas de férias?

Beijo

Anna disse...

Leio-te cheia de silêncios, com as palavras presas nos olhos que devoram o poema...

Um beijo

Ana Tapadas disse...

Este é um poema maior...palavras que se despenham.

Beijo

jrd disse...

E de novo a montanha e de novo sísifo. A poesia que rola e de novo sobe.

Abraço Irmão

Genny Xavier disse...

Poeta,

Posso perscrutar o silêncio e a beleza das penhas que serpenteiam as encostas da tua montanha...
Rara paisagem eu vejo...com o olhar da alma.

Beijo,
Genny

Mel de Carvalho disse...

Belissimo. De emudecer palavras, de marejar os olhos.

Fraterno abraço