domingo, agosto 03, 2014

TÚNEIS DE ÓDIO E LAMA...


O grito preso na garganta
E a criança nos braços. Morta. Como lâmina.
Túneis de ódio e lama...

E o grande Espectáculo
Da Guerra. E o mortífero Esplendor.
E a banalização da Tragédia
A escorrer da Pantalha.

E a indignada revolta. Assumida.
E o Horror até à Náusea. E o suspiro desmaiado.
Nas asas do esquecimento. Breve que venha.
Pois incomoda. E tanto.

Do Extermínio que ora se incendeia
Não o Crime, nem Castigo que seja.
Pois que apenas medida. Doseada.
Desta Justiça fingida.
E dos falsários da Hora.

As vítimas são a lepra. E os carrascos
A mão que embala...

Como libertar este cerco? E esta raiva?
E soltar este grito? Que de tão vivo se fez Martírio.
E sangue consagrado.

Manuel Veiga


8 comentários:

Helena disse...

Como soltar o grito preso na garganta se o ser humano está perdendo a sensibilidade relacionada à violência? Se a falta de respeito pela vida vive a banalizar a morte? Vai doer cada vez mais ver que essa calamidade está a se perpetuar...
Um intenso grito de revolta soubeste colocar nesta postagem, meu amigo!
Sorrisos, estrelas, tristeza...
Helena

Sónia M. disse...

De tão vivo, este grito, é ele próprio a lâmina que corta o silêncio.
Intensa e triste, a realidade e o poema.

Beijo

Lídia Borges disse...

Por vezes, as palavras, secam. Fica o silêncio a doer, a doer...

Beijo

Mar Arável disse...

Os mortos já não choram

as lágrimas dos vivos

neste mar de prantos

Abraço

O Puma disse...

Cego é o cão

diz o cego

Graça Sampaio disse...

Retrato vivo de mais desta tragédia que estamos vivendo mesmo que à distância sem que nada seja feito por quem pode. Por quem deveria.

Em carne viva!

jrd disse...

O poema denúncia. Um murro no estômago da ignomínia.

Abraço fraterno

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema que é um grito, neste mundo conturbado.

:(