quinta-feira, setembro 11, 2014

FLOR SANGUÍNEA...


Na implosão de cravos
Apenas a raiz
Se finca
E a cor
Em bandeiras
De fome…

Dias amputados de Futuro
Nos trilhos do Nada…

Descartáveis auroras
De um tempo sem fronteiras
Como chumbo…

E no arrepio da dor
Uma memória perfumada
Uma vertigem que explode
Nos olhos…

E carnívora se ergue nas bocas
Em apoteose de flor sanguínea
No corpo imaculado da Tragédia
Prenunciada…

Como cristal aceso
Em noite de facas…


Manuel Veiga

9 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...



"Dias amputados de Futuro
Nos trilhos do Nada…"

Que expludam cravos

© Piedade Araújo Sol disse...

forte!

até fiquei arrepiada!

:(

Maria do Sol disse...

"Descartáveis auroras
De um tempo sem fronteiras"...tão dorida esta ideia...


Abraço

blueshell disse...

Muito bom. Traduz desalento e revolta.

também quero agradecer a visita e comentário.
Bj
BShell

Graça Pires disse...

"Uma vertigem que explode nos olhos"...
porque há um punhal de fogo na memória dos poetas que transfiguram as palavras no perfume de uma sanguínea flor...
Muito belo.
Um beijo, meu amigo.

Carmem Grinheiro disse...

Meu caro amigo, tema forte, palavras disparadas como o chumbo contra nossos espíritos arrepiados pela dor, mas que ainda sentem no ar o perfume que guardam na memória. Uma memória que se alimenta de glória, mas que não nos mata a fome.
O futuro ficou pelo caminho, em meio a planos e falsas promessas.

É terrível se enganar um homem, mas quando um povo inteiro, torna-se ultrajante.

Meu aplauso a este belo poema, que deveria ser um hino.
Abço amigo

maceta disse...

acutilante...mas, não esqueçamos os cravos.

jrd disse...

O futuro o é já aqui e é imperioso e urgente desfolhar a flor, pétala a pétala, punho a punho.

Abraço meu Irmão Poeta

lis disse...

O poeta diz bem que 'há poemas que depois de lidos temos que recomeçar,ler bem mais devagar, chorar todas as palavras.'
_ 'dias amputados de Futuro'... não será como dias solares...
Parabéns