domingo, setembro 14, 2014

METEÓRICAS CLARIDADES...


Esplêndido o relâmpago e voo das aves.
E o estertor do grito nos abismos do silêncio.
E as impolutas neves e os fundos vales.
E as máquinas modernistas celebradas em poema.
Meteóricas claridades!...

(E também o senhor Álvaro de Campos, engenheiro.)

Gloriosos são os tempos sem memória.
E o gesto puro que se esgota no “Nada que é Tudo”.
E a altivez das estrelas em seu gelo derramado
Na profusão de brilho sem mistério...

Dor “mater” dos medos
E pudor dos passos.

E a inútil espera das amoras antes de acontecerem.
E as palavras escavadas. E o fogo das rochas.
E a líquida emoção das horas
Suspensas nesse enredo...

Gloriosas são as águas no ventre das montanhas.
E a viagem dos barcos.

Soberbos os guindastes.
E o camartelo arrancando chispas nas margens.
Glorioso o pão e vinho. E as máquinas. Ainda.
E a opulência das estátuas. E a febre dos archotes
Rangendo fúrias...

(in)Úteis Odes Triunfais.
Minervas sem alma.
Gares e cais.
E Desertos.

Que não sendo certos, são toda gente
E em toda a parte
Embora!...

Manuel Veiga



9 comentários:

maceta disse...

às vezes quando leio um verso sinto-o como quando observo um quadro...quero dizer, pelo meu soslaio...

Ana Tapadas disse...

O poema necessário!
Belíssimo. Digno do Manifesto de Marinetti, mas com um toque clássico muito interessante.

Beijo

Rogerio G. V. Pereira disse...

Gloriosos serão os tempos que vislumbramos,
Poeta

Lídia Borges disse...


Uma viagem pelos percursos desiguais, nas vertentes da Literatura.

Cada poema, uma surpresa, ainda...

Lídia

Maria Luisa Adães disse...

E o relógio

Continua a contar
as belezas
daqueles que escrevem

Gloriosos são os deuses
da Poesia!

Abraço,

Maria Luísa

Mar Arável disse...

Todas as claridades

são vagarosos instantes

Abraço

ॐ Shirley ॐ disse...

Glorioso poema...esperemos pelo pão e pelo vinho...
Beijo, heretico!

jrd disse...

E o que aí vem de assombração e luz.
Abraço Poeta, daqui do longe.

© Piedade Araújo Sol disse...

completo e belíssimo.

:)