terça-feira, setembro 09, 2014

NOTÍCIAS DE BABILÓNIA LVII


Em Babilónia, havia um ministro que gostava de robalos.

Era essa a sua circunstância – gostar de robalos e de facilitar negócios aos amigos! Fora essa sempre a sua vida...

Um dia, as circunstâncias da Justiça alteraram-se (pouco que seja) em Babilónia – e o ex-Ministro foi condenado por tráfego de influências...

Condenado, o ex-Ministro indignou-se. E, filosofante, sustenta que a pesada sentença visa, não a ele, mas a sua circunstância...
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E um jornalista da velha escola, de olhos cansados e ironia aguçada: “Sábia conclusão! As circunstâncias colam-se à pele como segunda natureza – importa saber cuidar delas...”


14 comentários:

Maria Luisa Adães disse...

Eu não venho comentar, venho visitar e agradecer.

E não comento o que por si traz toda a beleza de um texto dourado pela cadência das suas palavras e pelo assunto apresentado.

Mas posso dizer...Uma Beleza!

Maria luísa

lino disse...

Pena a "justiça" ser apenas para quem gostava de robalos!
Abraço

Rogerio G. V. Pereira disse...

Aos velhos jornalistas, envelhecem os olhos mas não lhes envelhece o olhar

Mar Arável disse...

Salvos sejam os robalos
que ainda não foram comidos


Lídia Borges disse...


Nem só de robalos vive o homem.

Lídia

© Piedade Araújo Sol disse...

e há ainda os robalos escalados...

para quem entende de palavras meio robalo basta...

:)

Graça Pires disse...

Os "robalos" continuam a servir para muita coisa...
Um beijo, meu amigo.

Gisa disse...

Confio no olhar dos antigos jornalistas.
Um grande bj querido amigo

Anónimo disse...

Claro... vermelho e solta-se o poema!
Abç da bettips

GL disse...

É! Nas circunstâncias reside o problema.
Malditas circunstâncias!

Carmem Grinheiro disse...

Eu, pessoalmente, prefiro uma posta de salmão grelhado coberto de coentros - soberbo! Mas se há, ou houve um dia, homem que preferisse o robalo, e se lhe apareciam à porta com o dito fresquíssimo, acabado de morder o anzol, por que culpabilizar a circunstância em que o bom homem não conseguia resistir ao petisco, e nem queria, por sombras, ferir suscetibilidades, ou desperdiçar o artigo, que, diga-se está pela hora da morte?
E, se em troca dum robalo, fazia uns favorzitos ao amigo que lhe trazia o manjar, onde reside o problema? Não é sabido que amigo é para quando se precisa, e que uma mão lava a outra, e que as duas juntas lavam a cara?
A senhora Justiça devia levar em consideração as circunstâncias da boa e genuína amizade, e entender de uma vez por todas que nem toda a gente anda por aí pela Babilónia com intenções obscuras - já não sei bem se seria este o adjetivo adequado.
Nem sei se da próxima vez que a vizinha me vier trazer uma posta de salmão acabadinho de grelhar, em troca de duas cebolas, se aceite, se a mande pensar bem nas circunstâncias...


heretico disse...

sugiro-lhe que na avaliação das circunstâncias tenha em consideração o tamanho... das cebolas!

volte sempre.

maceta disse...

O circunstancial fulano até sabe que o peixe é muito mais saudável.E, faça-se justiça, bem grelhados são um petisco...

jrd disse...

Como estou na terra, quer dizer, no mar dos Arenques, a pescaria está a passar-me um pouco ao lado.

Um abraço Amigo