quarta-feira, fevereiro 25, 2015

QUINQUILHARIAS EM BELÉM...


 Sob e estridência do sol a oliveira
E esta ilha de sombra. E a cigarra descuidada.
Arremedando a ceifa. Como se a cidade seara fora.
Apenas feira …

Os corpos distendidos embora.
Derramados na canícula. Inertes na estridência dos sons.
E o Palácio ao fundo…

O Tejo segue seu curso. Caravelas agora
São os turistas que passam. E pasmam.
E velharias coloridas. E o fado nosso que de eterno
Tem apenas a velhice. E a sornice…

Que venham pois os poetas da cidade
Com O´Neill à cabeça. Ou a Pátria de Junqueiro
Pois embora não pareçam ambos são
Quinquilharias…


Manuel Veiga – in “Poemas Cativos”

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Breves dias ausente de vosso convívio...

Beijos e Abraços.

15 comentários:

Anna disse...

E o brilho do Tejo a inundar de luz a ilha das sombras. Pela água nos renovamos, nos redimimos, nos lavamos de quinquicalharias...

Um beijo.

Andrea Liette disse...

Do passado também existe
O instante que pulsa tão breve...
E nem por isso havemos de ressenti-lo... é a natureza da vida!

Lindo poema sobre o Tejo. Beijo.

Majo disse...

~
~ Palavras e versos justos, todavia, transparece
um desencanto desanimado que muito lamento.
~ ~ Força, Amigo! ~ ~

Mar Arável disse...

Pequenos grandes nadas
à flor das águas
que nos desmandam
Abraço poeta

© Piedade Araújo Sol disse...

e o passado que não é presente
nem precisa
e o Tejo que é inspiração
e Lisboa que me é paixão
e Belém que me seduz e luz

quinquilharias tem

palácio

e pasteis também

gostei muito meu amigo Poeta

:)

GL disse...

Que a ausência seja curta.
Esqueçamos as quinquilharias; agarremos àquilo que tem valor.

Abraço.

Ana Tapadas disse...

Que venham os poetas!
Tu vieste...belíssimo poema.

Beijo meu

jrd disse...

Que venham O'Neill e Junqueiro denunciar "a feira cabisbaixa" em que "a liberdade é morta, estrangulada como um rafeiro".

Um abraço meu irmão poeta

Majo disse...

~ Ótimo fim de semana, Poeta.

~ ~ ~ Beijo amigo. ~ ~ ~
~

CÉU disse...

Poema de súplica e de intervenção.
Em Belém, aqui ou além, haverá sempre quinquilharias.

Boa ausência, sem/com "strippers".

Agostinho disse...

O Tejo há-de levar a múmia que se cravou a seus pés.
"Lava a cidade de mágoas ..."

Nilson Barcelli disse...

A cidade ainda tem poetas... quinquilharias ou não...
Mais um excelente poema.
Tem uma boa semana, caro amigo.
Abraço.

Carmem Grinheiro disse...

A eternidade quer-se velha.
De quinquilharias e velharias são tecidas nossas referências.
E que o Tejo siga sempre seu curso...
abç amg

Graça Pires disse...

Apetece-me tanto citar o nosso Manuel da Fonseca: "Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar".
Falta a voz do Adriano para sabermos melhor que não estamos sós...
Um beijo, meu amigo.

jorge esteves disse...

...enquanto os corvos debicam o Velho, no Restelo!

abraço.
jorge