terça-feira, março 24, 2015

HERBERTO HELDER



"Olha: eu queria saber em que parte
se morre, para ter uma flor e com ela
atravessar vozes leves e ardentes e crimes
sem roupa. 

Existe nas ilhas um silêncio para
a poeira tremer, e o teu rosto se voltar lentamente cheio de febre
para o lado de uma canção

                                                           terrível e fria"


Herberto Helder
"Poesia Toda" - pág.178 - 2º volume - Plátano Editora- Lisboa - 1973

15 comentários:

Ana Tapadas disse...

O Poeta que não morreu...

Beijo

Graça Sampaio disse...

Não é de fácil leitura, mas rasga, pesa sendo leve... artes que só a Poesia tem!


Bela homenagem ao Poeta, Poeta!

Beijo.

Lídia Borges disse...


Com Herberto Helder nada se explica, nada se narra e tudo é sentimento, visões, iluminações...


Bj.

Mar Arável disse...

Sllêncios em voz alta

jrd disse...

Toda a poesia, morreu hoje um pouco.
Abraço fraterno

Rogerio G. V. Pereira disse...


"(...)às vezes ressuscito para fazer uma grande surpresa a mim mesmo,
eu que nunca mais me surpreendo:
sou mais rápido — (...)"

Herberto Helder, in "Servidões";

Majo disse...

~
~ ~ A imortalidade do Poeta que não aceitou aros de louro... ~ ~

~~~~Bj~~~~~~~~~~~~~~
~

CÉU disse...

Morreu um poeta, fisicamente. O resto, que é muito, perdurará.

Dia feliz!

hfm disse...

Lendo, relendo a melhor homenagem que sempre lhe poderemos fazer.

hfm disse...

A melhor homenagem que sempre lhe poderemos fazer - ler, reler, nunca esquecer.

Graça Pires disse...

Nunca esqueceremos as Palavras de Herberto Helder, tão sublimes, tão inspiradoras, tão cheias daquilo que somos. Um poema muito bem escolhido, como só a tua sensibilidade sabe...
Um beijo, meu amigo.

anamar disse...

Passei-lhe hoje à porta com um ramo de frésias.

Entre poisa-las e olhar para o céu...
troxeãs para minha casa com a sua poesia...

Bj

Jorge P. Guedes disse...


Se um dia destes parar não sei se não morro logo,
disse Emília David, padeira,
não sei se fazer um poema não é fazer um pão
um pão que se tire do forno e se coma quente ainda por entre as linhas,
um dia destes vejo que não vou parar nunca,
as mãos súbito cheias:
o mundo é só fogo e pão cozido,
e o fogo é o que dá ao mundo os fundamentos da forma,
pão comprido nas terras de França,
pão curto agora nestes reinos salgados,
se parar não sei se não caio logo ali redonda no chão frio
como se caísse fundo em mim mesma,
a mão dentro do pão para comê-lo
– disse ela.

- in " A Morte sem Mestre"

Agostinho disse...

Há por aí falsos beatos a rezarem-lhe ladainhas que confundem os simples.Batem no peito quando lhes convém sabendo-se que renegaram noutras ocasiões a palavra.

HH libertou-se, enfim, das amarras da servidão.

maceta disse...

se os mehores tivessem uma vida ainda mais longa...ficou muita coisa por escrever.