quinta-feira, abril 09, 2015

DO FUNDO DA MEMÓRIA...


Do fundo da memória
Os inefáveis sons
E a voz dos sinos
- Aleluia!...

E o rosmaninho a debruar as ruas
E a orgia das cores
E as flores
E os cheiros
E o povo em procissão
- Aleluia!

E as eclesiais bênçãos
Sobre as searas ondulantes
Exorcizando pragas
E o povo em coro
- Aleluia! aleluia...

E além naquela nuvem
Ceres e Pã sorrindo-(me)...

E o pão e o vinho
Assaz parcos...
- Aleluia!

E no meu olhar
O rubor da aurora
Vermelho abrupto celebrado
Tão verde ainda
Modelando o dia...

E este rodopiar do tempo agora
Dissolvendo
O sal da lágrima
E o cântico...

- Aleluia! aleluia...

 Manuel Veiga

7 comentários:

Andrea Liette disse...

Olá, Manuel. Antes de mais nada, o seu convite é uma honra e eu adoraria assistir a primavera portuguesa, que já me disseram ser deslumbrante de flores e aromas. Assim me inspira esse poema de tons adolescentes. Um beijo.

Majo disse...

~ ~
~ Por onde terás andado tu, ó herético amigo, durante o período pascal?!

~ Passeando-te em bucólicos tapetes floridos, com aroma de rosmaninho
e dissertando sobre o comportamento dos (i)racionais?!

~~~~~~~~Bj~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~ ~ ~

O Puma disse...

Pois que seja

Aguardemos o período da caça
aos relâmpagos

CÉU disse...

Do fundo da memória, tantos aleluias que dissemos!

Bom fim de semana!

Graça Pires disse...

A lembrar a minha infância na aldeia do meu avô. Lindo e sensível poema, meu amigo.
Um beijo.

luisa disse...

Cheira aqui a rosmaninho. Aleluia. :)

© Piedade Araújo Sol disse...

um reviver a infância e seus rituais em tempos próprios....

beijo

:)