segunda-feira, agosto 31, 2015

PAISAGEM ÍNTIMA...


Inebriante a oculta linguagem dos lugares
E as pequenas coisas que iluminam
As veredas. E o polifónico canto
Que se liberta do regato
E o raio de sol preso
Em timbres de luz
E sombra...

A paisagem é agora corpo de mulher
Em impudícia fendido. E exposto. Passagem íntima.
Águas subterrâneas em circuito de Eros.
Prazer e bálsamo. Fusão de água primordial
E a pele sedenta...

Ou talvez a paisagem se fixe somente
No elegante vime a desdobrar-se em cálida solicitude.
Mulher ainda no porte. E no doirado fulgor
De abelhas e insectos no remansoso
Cair da tarde...

Ou seja o mergulho de crianças leves. E breves.
Em pagã floração de vida.

Ou talvez a paisagem seja apenas a toalha alva
Onde a palavra tomba. Solta. E se aninha (migalha inesperada)  
O sortilégio. Pássaro descuidado
Em voo tardio. Como Fénix...

Manuel Veiga


9 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Diz-me poeta
Fénix é uma lenda grega?
uma imagem de poema?
ou
eu deverei acreditar
que é apenas o voo que tarda?

(já não há paisagens íntimas!)

Agostinho disse...

Nos intervalos da luta
o aço dos guerreiros
vai retemperar à forja
deitada na alvura do linho.

O Poeta esmerou-se
ao indicar-nos o caminho.

Abraço

Graça Pires disse...

Uma paisagem íntima. O emocionado universo dos sentidos. E, como Herberto Helder, achei-me "de súbito com a paisagem nas mãos como se fosse uma imensa fotografia". Um poema excelente, meu amigo!
Um beijo.

Suzete Brainer disse...

O poema nos captura com a bela voz poética nos guiando
no tom sensual, a descrever a paisagem já seduzida:
"E o raio de sol preso
Em timbres de luz
E sombra..."
Este encantamento poético é luminoso, num magnetismo
das grandes belezas:
"inebriante a oculta linguagem dos lugares
E as pequenas coisas que iluminam
As veredas."
Totalmente encantada, Poeta amigo!!
beijo.

Ps:Poeta, basta de férias, vamos aos trabalhos literários,
sem nenhuma imposição...rsrs
Sério, tu sabes o quanto eu gosto dos teus escritos
literários (leitura preciosa)...

Janita disse...

Não encontro palavras que estejam à altura de tão sublime poema.
Assim, resta-me dizer que o meu sentir, neste momento, se assemelha a uma longínqua paisagem íntima que não renascerá das cinzas, pois não chegará a morrer.
Um beijo e a minha admiração, Poeta!

Mar Arável disse...

Há pássaros assim eternos

a morrer por um grão de areia

Belo poema
Abraço sempre

jrd disse...

A paixão telúrica tem asas.
Belo poema meu irmão.
Um abraço

luisa disse...

Paisagem de perdição... Não, de rendição à beleza. :)

© Piedade Araújo Sol disse...

com um toque sensual esta paisagem

e o raio do sol preso em seus timbres de luz e quiçá alguma sombra deixa-nos antever uma paisagem muito bela aos olhos do Poeta e não só, mas também de quem o lê.

grata!

beijo

:)