segunda-feira, setembro 07, 2015

Tua Bênção, Pai...

A tua bênção, Pai
Antes que as margens se afastem infinitamente
E o rio seja o turbilhão de lava
Frio de nada...

Calo a lágrima
E beijo a terra na ubérrima mão
Do que por ti fomos
E nas lonjuras que logramos...

Na flor tatuada dos dias
E na vara do tempo onde gravamos solstícios
E os nomes
E as sombras
Entrelaço a folhagem do carvalho
Em tua fronte
Como templo...

E soletro o frio
E a amargura da Hora
E calo o peito...

E ergo-me
Medianeiro
Encruzilhada de torrentes e dos invisíveis fios
E da seiva que somos...

E evoco os caminhos
E a voz do sangue
E os passos que são
E os passos que se anunciam...

E solto tuas bênçãos
Na carne da minha carne
E no sorriso da criança com teu nome
António.

Manuel Veiga

in POEMAS CATIVOS II – a publicar em breve.


14 comentários:

Janita disse...

Ser Abençoado e Abençoar é um legado que aqui ficou registado com muita emoção!
Os afectos que foram passando de geração em geração, numa transmissão de nome e de memórias futuras.
Que bom ter sido Abençoado por esse dom maravilhoso; Saber colocar na palavra escrita todo o sentimento que irá ficar para a posteridade.

Um beijo.

Janita

Sónia M. disse...

Este poema
falou-me ao ouvido...

Belíssimo!

Beijo

jrd disse...

Roubo-te o poema e escrevo Pai e Mãe em lugar de Pai e Pai. Sei que me entendes.
Abraço meu irmão poeta

Mar Arável disse...

Na verdade
a tua poesia fala por gestos

Abraço poeta amigo

AFRODITE disse...

Ler algo belo é sentir emoção a cada verso.
Foi o que senti agora.
Já não posso pedir a bênção ao meu pai... mas sei que ele está sempre presente em cada memória.

Obrigada!
Um beijinho
(^^)

GL disse...

Quando o amor e a cumplicidade escusam palavras.

Abraço

Maria Luisa Adães disse...

Lindo seu poema! Amei esse canto de amor!

Maria luísa

"os7degraus"

Majo disse...

~~~
~ Emocionante
e magnificamente eloquente,
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
ó filho e pai de António...

~~ Beijo, exímio Poeta. ~~
~ ~ ~

Suzete Brainer disse...

O elo do amor na sua (in)visibilidade,
ligando as notas musicais em preciosidades vivas...
Belíssimo, tocante , terno na tua excelência
poética de sempre!
beijo.

Genny Xavier disse...

Manuel,

Há poemas que nos calam a voz e dispensam comentários... estes são os que mais nos tocam...
O que dizer destes teus versos? Diria muito, mas eu prefiro este silêncio que toca a alma...

Beijo, poeta.
Genny

Ana Tapadas disse...

Já te li noutro lugar...e aqui te releio com prazer na beleza das palavras e dos afectos.

Beijo

Graça Pires disse...

Um poema de uma sensibilidade tão tocante, meu amigo. Os lugares, os nomes, as palavras do afecto estão todas aqui onde lemos, relemos e nos emocionamos.
Um beijo.

Agostinho disse...

É o amor mais quente
É a dor que mais se sente
São os olhos que choram e
Sorriem o futuro da gente

Obrigado. Uma benção.

Carmem Grinheiro disse...

Olá, meu caro Herético.
Belíssimo momento.
Extraordinário poema.

"E calo o peito"

"E ergo-me"

"E solto tuas bênçãos"

abç amg