quarta-feira, outubro 14, 2015

GRANÍTICA ESPERANÇA...


Colapsam as palavras. E despenham-se na voragem
Das paisagens geladas. Lonjuras que apenas os ventos
Ousam. Pressente-se o grito perdido das fragas
Em simulacro de dor.

Vã a tentativa para além do azul coalhado
E das farripas de bruma que incendeiam os vales
Como bocas sinuosas de dragões em danças guerreiras.
Ou monges brancos em penitências aladas no milagre
De todas as lembranças...

Fantasmagorias soltas debruçadas sobre as casas
Perdidas. Solidão de cabras balindo a urze
E as magras tetas. Ventres que se abrem nas encostas
Em presépios de abandono... Lá no alto a íngreme
Penitência das dores e de todas as promessas.

(Pagãos que somos!...)

Guardamos o inesperado. E a rocha parideira.
E o teixo. E colhemos (no restrito núcleo de afectos) o gosto
Do vinho que bebemos. Confortados. E a água
Que calamos. E agitação febril dos olhos.
E dos sonhos.

Imensos na granítica esperança. Tatuada no rosto
Dos homens. Verdadeiros...

Manuel Veiga


13 comentários:

Majo disse...

~~~
~ Cenário do nordeste lusitano

~~~ numa poética granítica...

~ Haja confiança na unanimidade

~~ contra a opressão inumana.

~~~~~~~ Bela exortação

~~~ à inequívoca esperança.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

~~~~ Beijo, Poeta.~
~ ~ ~ ~ ~

jrd disse...

Que de novo rolem das fráguas as pedras, verdadeiras, como as palavras do poeta.

Um abraço fraterno

Traçados sobre nós disse...

Curiosas as palavras,
as coincidências...
Abraço.

São disse...

Que a granítica esperança se molde também na vontade das pessoas

Fica bem

Maria disse...

Belo! Como belo é o que sentimos no meio das pedras e das rochas. Parideiras ou não.
Beijo.

luisa disse...

Somos rocha na paisagem. E teimamos em tatuar na pele essa esperança.
:)

MARILENE disse...

Creio que, nesse contexto, os "verdadeiros" também já se deixaram tomar pelo cansaço. Haja esperança!!!!! Abraço.

Mar Arável disse...

Pedras ao alto meu irmão

Jaime Portela disse...

Mais um excelente poema.
Desta vez aos homens verdadeiros. Que são poucos...
Caro Veiga, desejo-lhe a continuação de uma boa semana.
Abraço.

O Puma disse...

Capitular nunca

se possível

Abraço sempre amigo

Graça Pires disse...

Granítica, a esperança. Apesar da "água que calamos", da "agitação febril dos olhos.E dos sonhos". As tuas palavras não "colapsaram", meu amigo. Mais um poema excelente.
Um beijo.

Parapeito disse...

que nunca se perca a esperança, nem a vontade de fazer acontecer.
Abraço*

Agostinho disse...

Ainda os há temperados
ao ar livre da giesta,
rememorados no ardor da gesta…
E o vento fermento agreste, ainda,
corre pelas penedias, onde
verdadeiros e inteiros
permanecem duros e puros os...

hajota